Um jovem de 22 anos foi preso em flagrante na manhã deste domingo (22) suspeito de matar a própria mãe, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, dentro da residência da família, situada na rua Walmor Rocha Soares, bairro Senhor Divino, em Coxim, norte de Mato Grosso do Sul. A ocorrência é investigada pela Polícia Civil como feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar.
De acordo com a Polícia Militar, a prisão ocorreu por volta das 9h50, aproximadamente cinco horas após o crime. Equipes da Força Tática realizavam buscas pelo bairro quando localizaram o suspeito caminhando pela rua Visconde de Taunay, a poucos quarteirões do local do homicídio. Ele foi abordado, recebeu voz de prisão e, em seguida, encaminhado à Primeira Delegacia de Polícia Civil de Coxim, onde permanece à disposição da Justiça.
Informações preliminares apontam que mãe e filho teriam discutido momentos antes do ataque. Testemunhas relataram à polícia que os desentendimentos entre os dois eram frequentes. Segundo o boletim de ocorrência, o companheiro da vítima presenciou a discussão, saiu de casa para evitar novo confronto e, ao retornar, encontrou Nilza caída no interior do imóvel, já ferida. O filho não estava mais na residência.
O Corpo de Bombeiros foi acionado imediatamente, mas a equipe apenas pôde confirmar o óbito no local. Peritos criminais constataram que a vítima apresentava um único ferimento de faca na região do abdômen, considerado suficiente para provocar a morte. O corpo foi removido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame necroscópico, cuja finalidade é detalhar a causa e a dinâmica da lesão.
A partir do relato do companheiro de Nilza e de vizinhos, a Polícia Militar iniciou varreduras no entorno ainda durante a madrugada. As equipes percorreram ruas adjacentes, terrenos baldios e estabelecimentos comerciais que poderiam ser utilizados como esconderijo. A Força Tática intensificou o patrulhamento nas vias principais do bairro até localizar o suspeito na mesma região onde o crime ocorreu. Segundo os policiais, o jovem não ofereceu resistência no momento da abordagem.
Na delegacia, o detido foi autuado em flagrante por feminicídio, tipificação que leva em conta o vínculo familiar e a condição de mulher da vítima. A lei prevê penas mais severas para esse tipo de crime e não permite o pagamento de fiança em sede policial. O delegado responsável informou que irá solicitar a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva a fim de manter o suspeito custodiado durante o andamento das investigações.
Os investigadores aguardam laudos periciais que devem confirmar a trajetória da arma branca e a distância do golpe. Também foram requisitados exames toxicológicos que podem indicar se houve consumo de álcool ou drogas por parte do autor ou da vítima antes do fato. A faca possivelmente utilizada no crime ainda não foi localizada e as equipes continuam fazendo buscas em terrenos e lixeiras próximas à residência.
A polícia pretende ouvir o companheiro de Nilza, vizinhos e outros familiares nos próximos dias para esclarecer a rotina da casa e possíveis antecedentes de agressões ou ameaças. Há indícios de que a relação entre mãe e filho era marcada por discussões constantes, mas até o momento não há registro formal de boletins de ocorrência envolvendo os dois.
De acordo com dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, mantido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o estado já contabiliza três casos de feminicídio em 2024, incluindo o episódio registrado em Coxim neste domingo. A ferramenta do Judiciário reúne informações de delegacias, unidades de saúde e órgãos de assistência social para traçar o perfil das vítimas e apontar regiões com maior incidência de crimes contra mulheres.
Após os procedimentos legais na delegacia, o suspeito será encaminhado para audiência de custódia no Fórum de Coxim, onde um juiz analisará a legalidade da prisão e definirá se o acusado permanecerá detido enquanto o inquérito segue seu curso. Caso a prisão preventiva seja decretada, ele deverá ser transferido para o Estabelecimento Penal Masculino de Coxim.
O inquérito policial tem prazo inicial de 30 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado caso surjam novas diligências. A Polícia Civil ressaltou que trabalha para reunir provas materiais, depoimentos e laudos técnicos que sustentem a denúncia a ser oferecida pelo Ministério Público. Se condenado por feminicídio, o réu pode pegar pena de 12 a 30 anos de reclusão.
Até o momento, não há informações sobre velório e sepultamento de Nilza de Almeida Lima. Familiares aguardam a liberação do corpo pelo IML para definir local e horário das cerimônias.








