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Fios de internet soltos continuam provocando acidentes em Três Lagoas

Os cabos de internet que permanecem pendurados em diversos bairros de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, seguem colocando em risco motociclistas, pedestres e crianças. O problema, denunciado há meses por moradores, voltou a ganhar destaque após mais um acidente registrado nesta semana, reforçando a sensação de insegurança nas vias públicas do município.

O episódio mais recente ocorreu na madrugada, por volta das 5h10, quando o vigia Antonio Roberto Maciel, de 57 anos, se deslocava para o trabalho. Ao percorrer o segundo quarteirão depois de sua residência, ele foi surpreendido por um cabo que atingiu a região do pescoço. Apesar de ter sofrido apenas escoriações superficiais, o trabalhador relatou forte susto e receio de consequências mais graves. O incidente expôs, novamente, a vulnerabilidade de quem utiliza motocicletas ou bicicletas no trajeto diário, sobretudo em horários de pouca iluminação.

O caso de Maciel não é isolado. Desde o ano passado, outras ocorrências envolveram fios soltos em diferentes pontos da cidade. Em outubro de 2024, a moradora conhecida como Dona Célia sofreu acidente semelhante e, segundo familiares, não voltou a caminhar desde então. Mais recentemente, em 31 de outubro deste ano, o jovem João Victor, de 18 anos, precisou ficar internado durante três dias após se enroscar em um cabo na avenida Rosário Congro, uma das artérias mais movimentadas de Três Lagoas. Esses registros alimentam a preocupação de quem transita diariamente pelas mesmas rotas.

Além dos perigos para quem está sobre duas rodas, os cabos soltos representam ameaça direta a pedestres. Em vários trechos, os fios ficam abaixo da altura da cabeça, criando obstáculos invisíveis, principalmente à noite. Crianças que brincam nas calçadas também estão sujeitas a quedas ou cortes, agravando a cobrança por providências imediatas das autoridades responsáveis.

A empresa detentora da rede elétrica na região, Neoenergia Elektro, afirma ter iniciado um amplo processo de inspeção e organização dos cabos ainda no primeiro semestre de 2025. Segundo a representante da concessionária, Pamella Rocca, foram fiscalizados aproximadamente 67 mil pontos no perímetro urbano, e mais de 40% apresentavam algum tipo de irregularidade. A ação identificou tanto cabos de operadoras de internet sem fixação adequada quanto fios abandonados por prestadoras que já deixaram de atuar no município.

A etapa seguinte, que previa a retirada e o reordenamento dos cabos fora de padrão, começou em maio de 2025. Contudo, o trabalho foi interrompido após questionamentos de empresários locais e intervenção policial. As paralisações ocorreram porque o serviço de remoção implicava suspensão temporária do sinal de internet para determinados clientes, o que gerou reclamações. Segundo a concessionária, essas interrupções são inevitáveis durante a manutenção, mas conduzem a maior segurança no longo prazo e reduzem a possibilidade de novos acidentes.

Enquanto a disputa sobre a continuidade do projeto não é resolvida, os fios permanecem expostos em vários pontos. Moradores relatam que, mesmo após denúncias a órgãos públicos e às operadoras de telecomunicações, a situação pouco mudou. A sensação predominante é de que a cidade está desassistida quanto à prevenção de acidentes, especialmente nas primeiras horas da manhã, quando a visibilidade é reduzida e o número de motociclistas indo para o trabalho é significativo.

O impasse também envolve a necessidade de fiscalização mais rígida por parte do poder público. Especialistas em trânsito destacam que cabe aos municípios exigir das empresas de telecomunicações padrões técnicos de instalação e manutenção dos cabos, além de aplicar penalidades em caso de descumprimento. Sem consenso entre concessionária, prestadoras de internet e comerciantes afetados, a responsabilidade pelos fios permanece dispersa, dificultando uma resposta rápida.

Em meio às divergências, cresce a pressão popular por um plano definitivo que inclua calendário de retirada de cabos irregulares, notificação prévia a usuários sobre possíveis interrupções e sinalização adequada durante as intervenções. Para os moradores, somente ações coordenadas entre concessionária, empresas de internet e secretarias municipais poderão evitar que novos acidentes resultem em ferimentos graves ou até mortes.

Até que uma solução seja implementada, quem precisa sair de madrugada ou circular em ruas menos iluminadas segue adotando cuidados adicionais, como rodar em baixa velocidade e ficar atento a qualquer objeto atravessado na via. Porém, sem a eliminação dos cabos soltos, a insegurança persiste e reforça a urgência de medidas eficazes para garantir a segurança de todos os usuários das vias públicas de Três Lagoas.