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Flávio Bolsonaro tem 356 mil votos de vantagem sobre Lula em MS

Flávio Bolsonaro comemora liderança no primeiro turno em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul iniciou a disputa do segundo turno presidencial com um cenário favorável a Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, o senador obteve 873.351 votos, o que representa 58,60% dos votos válidos no estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 516.855 votos, correspondendo a 34,68% do total. A diferença entre os dois candidatos atingiu 356.496 votos.

Esse resultado consolida o estado como um dos principais redutos do candidato do Partido Liberal. A vantagem local tem peso significativo na contabilidade nacional. Embora Mato Grosso do Sul reúna apenas 1,25% dos votos válidos do país, a margem obtida aqui respondeu por 16% da vantagem total de 2,2 milhões de votos que Flávio abriu sobre Lula no Brasil. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.

Desempenho regional

Flávio Bolsonaro venceu em 73 dos 79 municípios sul-mato-grossenses. Em Campo Grande, capital do estado, o senador registrou 58,68% dos votos, contra 32,38% de Lula. Em Dourados, a vantagem foi de 61,70% a 31,42%. Em Três Lagoas, os números foram de 58,63% para Flávio e 34,11% para o presidente.

O candidato do PL também levou a melhor em cidades estratégicas como Ponta Porã (62,67%), Naviraí (64,33%), Paranaíba (57,25%) e Aparecida do Taboado (59,63%). As maiores porcentagens de Flávio no estado ocorreram em Paraíso das Águas (72,98%), Maracaju (71,86%) e Chapadão do Sul (71,78%).

Lula venceu em apenas seis municípios: Japorã (67,26%), Tacuru (57,82%), Dois Irmãos do Buriti (56,40%), Miranda (54,00%), Paranhos (53,65%) e Vicentina (47,86%). O presidente também ficou próximo de Flávio em Corumbá, onde teve 44,98% contra 49,38%, e em Aquidauana, com 44,01% contra 50,63%.

A abstenção no estado chegou a 23,87% do eleitorado, totalizando 483.210 eleitores que não compareceram às urnas. Houve ainda 21.270 votos em branco e 29.672 nulos. Os outros dez candidatos somaram cerca de 100 mil votos, representando 6,7% dos válidos.

Projeções para o segundo turno

Uma simulação realizada pela reportagem estima como os votos dos candidatos derrotados podem se distribuir. No cenário central, Flávio Bolsonaro receberia cerca de 52 mil votos desses eleitores, enquanto Lula obtém aproximadamente 19 mil. Outros 29 mil votos iriam para branco, nulo ou abstenção. Nesse cenário, o placar em Mato Grosso do Sul ficaria em 63,3% para Flávio e 36,7% para Lula, com uma vantagem de cerca de 390 mil votos.

Nos cenários extremos, a porcentagem de Flávio varia entre 62,6% e 63,9%. Em nenhuma das projeções a diferença cai abaixo de 360 mil votos. A simulação considera o perfil político, o discurso e os apoios declarados por cada candidato eliminado.

Augusto Cury (Avante), terceiro colocado com 39.148 votos (2,63%), afirmou que ficaria em silêncio sobre a disputa. A estimativa aponta que 40% de seus eleitores podem migrar para Flávio, 30% para Lula e 30% para branco, nulo ou abstenção. Renan Santos (Missão), com 31.847 votos (2,14%), liberou seus eleitores, com projeção de 55% para Flávio, 10% para Lula e 35% para abstenção ou votos inválidos.

Ronaldo Caiado (PSD), que obteve 23.291 votos (1,56%), anunciou apoio a Flávio. A estimativa é que 70% de seus eleitores sigam para o senador e 10% para Lula. Romeu Zema (Novo), com 2.792 votos (0,19%), também apoia Flávio, com projeção de 75% de migração. Candidatos de partidos de esquerda somaram 2.159 votos, com estimativa de 75% para Lula. Candidatos de DC e Democrata tiveram 835 votos, com 60% projetados para Flávio.

Para Flávio Bolsonaro, o desafio em Mato Grosso do Sul é superar a marca de seu pai, Jair Bolsonaro, que teve 880.606 votos (59,49%) no segundo turno de 2022. Flávio está a apenas 7.255 votos dessa marca. O objetivo é ampliar a margem para compensar estados onde Lula lidera. O governador Eduardo Riedel (PP), reeleito com mais de 67% dos votos válidos, prometeu participação ativa na campanha, assim como os senadores eleitos Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL).

Para Lula, a estratégia é reduzir a diferença para diminuir o peso do estado na conta nacional. O presidente teve 82.692 votos a menos em relação ao segundo turno de 2022, quando obteve 599.547 votos. O caminho para recuperação passa pela mobilização dos 483 mil eleitores que se abstiveram, especialmente em Campo Grande e nos municípios onde venceu, como os do Cone Sul e região de Miranda, que possuem expressiva população indígena.

A campanha de Lula no estado depende mais da mobilização direta do que de apoios locais, já que não há governador ou senador do PT eleitos em Mato Grosso do Sul. O presidente teve cerca de 194 mil votos a mais que Fábio Trad (PT), candidato ao governo, que recebeu 322.807 votos, indicando a existência de eleitores próprios além da estrutura partidária.

A simulação projeta uma vantagem de 360 mil a 406 mil votos para Flávio no estado, o que representa cerca de 7% da vantagem nacional projetada no cenário central. Para Lula, a meta realista é manter a diferença perto dos 356 mil votos do primeiro turno ou reduzi-la, evitando que a margem cresça para perto de 400 mil, o que aumentaria a distância a ser percorrida no restante do país.

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