Um foco de raiva identificado em morcegos no município de Bonito, em Mato Grosso do Sul, gerou mobilização imediata entre órgãos de defesa sanitária e produtores rurais. Confirmado em 2 de março pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), o caso acionou um plano de prevenção que tem como principal medida a vacinação de bovinos e de outras espécies suscetíveis à doença.
O alerta, divulgado pelo Sindicato Rural de Bonito e pela regional da Iagro, concentra-se especialmente nas áreas dos Três Morros, da nascente do Rio Mimoso e nas proximidades da fazenda Lauderjá — regiões onde foram localizados morcegos hematófagos infectados. De acordo com o chefe regional da Iagro em Bonito, Júnior Kawakita, essas localidades compõem o raio de ação mais provável dos animais portadores do vírus, exigindo atenção redobrada dos pecuaristas que mantêm criações nessas zonas.
A raiva é uma enfermidade viral que acomete mamíferos e apresenta índice de letalidade próximo de 100% após o surgimento dos sintomas clínicos. No meio rural, a principal via de transmissão é a mordida de morcegos que se alimentam de sangue, capazes de infectar bovinos, equinos, suínos, ovinos, caprinos e até animais domésticos, como cães e gatos. Uma vez inserido no organismo, o vírus migra pelo sistema nervoso central, provocando sinais neurológicos graves.
Profissionais de campo foram orientados a observar atentamente o comportamento dos animais. Entre os indícios de infecção estão dificuldade de locomoção, salivação exagerada, alterações de temperamento, vocalizações atípicas e agressividade repentina. Ao identificar quadro sugestivo, a recomendação é não manipular o animal, isolar o local e comunicar imediatamente a Iagro ou a unidade de defesa sanitária mais próxima, para que uma equipe técnica realize coleta de material e adote os procedimentos de contenção.
O calendário de vacinação contra a raiva é facultativo em parte do território brasileiro, mas, diante da confirmação do foco, passou a ser tratado como ação indispensável no município sul-mato-grossense. “Os produtores que ainda não imunizaram o rebanho precisam fazê-lo o quanto antes, para que os animais desenvolvam proteção e não adoeçam”, reforça Kawakita. A orientação vale para todas as categorias, independentemente de faixa etária ou finalidade zootécnica, incluindo animais destinados à reprodução, engorda ou tração.
Segundo o protocolo divulgado, os pecuaristas devem:
- verificar o estoque de vacinas e, se necessário, providenciar novas doses licenciadas;
- aplicar o imunizante respeitando as boas práticas de manejo e a correta via de administração;
- registrar a vacinação em livro ou sistema eletrônico, mantendo comprovantes à disposição da fiscalização;
- repetir a dose de reforço no intervalo indicado pelo fabricante, geralmente após 30 dias na primeira aplicação, e seguir os revacinantes anuais recomendados.
A Iagro informa que equipes de campo permanecem monitorando a densidade de morcegos hematófagos na região. Caso novas colônias sejam encontradas, serão implantadas ações de controle populacional, como captura seletiva e aplicação de anticoagulantes tópicos em indivíduos positivos, estratégia utilizada para reduzir a propagação do vírus sem comprometer o equilíbrio ambiental.
Além da imunização, a notificação rápida de qualquer morte súbita ou sintoma compatível continua sendo ferramenta essencial para interromper cadeias de transmissão. O monitoramento estatístico dessas ocorrências permite traçar mapas epidemiológicos e direcionar recursos para as áreas de maior risco, iniciativa que também protege a saúde pública, uma vez que a raiva pode atingir seres humanos por contato direto com saliva de animais doentes.
Mesmo em criações onde não houve registros recentes da doença, a vigilância deve ser contínua. Fronteiras municipais não limitam a movimentação dos morcegos, e o compartilhamento de pastagens, bebedouros ou currais facilita o contágio entre diferentes propriedades. Por esse motivo, gerentes, capatazes e funcionários devem receber orientações sobre identificação de sintomas, medidas de biossegurança e uso de equipamentos de proteção individual durante o manejo.
Autoridades estaduais lembram que a vacinação rotineira é economicamente viável quando comparada às perdas decorrentes de um surto. A mortalidade de animais, o descarte de carcaças e a interdição de propriedades podem gerar prejuízos relevantes ao produtor e comprometer cadeias produtivas inteiras, além de demandar recursos públicos para controle emergencial.
Embora não tenham sido divulgados números de animais infectados até o momento, o caso serve de alerta para municípios vizinhos que compartilham a mesma faixa de ecossistema. A Iagro mantém canal de atendimento para esclarecer dúvidas, receber denúncias de suspeitas e orientar procedimentos de vacinação. Informações adicionais podem ser obtidas nas unidades locais da agência ou junto ao Serviço de Defesa Sanitária Animal estadual.
Com o início da campanha intensificada, a expectativa é conter rapidamente o avanço da doença em Bonito, garantindo a segurança do rebanho e prevenindo possíveis impactos na saúde humana.









