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Paradesporto se consolida em Três Lagoas com referência paralímpica e novos medalhistas

O paradesporto de Três Lagoas, município do leste sul-mato-grossense, atravessa uma fase de expansão marcada pela combinação entre experiência de alto rendimento e surgimento de novos talentos. A trajetória da atleta paralímpica Silvânia Costa, bicampeã olímpica no atletismo, inspira jovens e adultos com deficiência que encontram no esporte um caminho para inclusão social, autoestima e projeção competitiva.

Referência internacional amplia preparação

Detentora de duas medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de 2016 (Rio de Janeiro) e 2021 (Tóquio), Silvânia planeja intensificar sua rotina esportiva a partir de 2026. A atleta, que já domina o salto em distância do atletismo, está em fase de adaptação ao ciclismo e pretende competir em ambas as modalidades no Parapan de 2026, na Colômbia. Com o objetivo de voltar ao país com pódios duplos, ela anunciou que dobrará as sessões de treino para atender às exigências físicas de duas disciplinas distintas.

Mais que resultados, a trajetória da paratleta reforça a presença feminina no esporte adaptado e demonstra que limitações físicas não impedem a conquista de metas de alto nível. O exemplo de Silvânia reverbera diariamente em quadras, pistas e centros de treinamento espalhados pela cidade.

Resultados recentes impulsionam novos praticantes

Na semana passada, o município comemorou o desempenho de dois representantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Três Lagoas nas Olimpíadas Especiais das Apaes. Lucas Costas de Oliveira conquistou a medalha de prata na bocha adaptada, categoria BC2, enquanto Emerson Dias Marcelino assegurou a segunda colocação na prova de 1.500 metros do atletismo.

Os resultados demonstram o potencial competitivo de atletas com perfis e deficiências diversas, indicando que a base local está em expansão. Técnicos e familiares ressaltam que a participação em eventos regionais e nacionais fortalece a confiança dos paratletas e estimula novos praticantes a aderir aos programas oferecidos em escolas e instituições parceiras.

Estrutura e apoio consolidam crescimento

Três Lagoas mantém diferentes espaços públicos para a prática esportiva adaptada, como ginásios, pistas de corrida e quadras poliesportivas. O trabalho é conduzido por profissionais capacitados, entre eles o técnico de paradesporto Roney Araújo, que coordena ações de busca ativa em unidades de ensino. Segundo Araújo, a parceria com a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Sejuvel) permite identificar estudantes com deficiência e direcioná-los a projetos que desenvolvem habilidades motoras e cognitivas por meio do esporte.

Além do suporte técnico, políticas públicas locais asseguram transporte, materiais adaptados e acompanhamento multidisciplinar, fatores considerados decisivos para a adesão de atletas iniciantes. Familiares destacam que o ambiente esportivo contribui para autonomia, disciplina e interação social dos participantes, refletindo diretamente na qualidade de vida.

Impacto social e projeção futura

A consolidação do paradesporto no município reforça o conceito de que a prática esportiva vai além de medalhas. Para crianças, jovens e adultos com deficiência, os treinos representam oportunidade de superar barreiras físicas e atitudinais. Cada progresso registrado em pista ou quadra ilustra a capacidade de transformação individual e coletiva proporcionada pelas atividades esportivas.

Com referência internacional reconhecida e base em desenvolvimento, Três Lagoas mantém a perspectiva de ampliar a presença em competições nacionais e internacionais nos próximos anos. Programas de detecção de talentos, apoio institucional e exemplos de êxito, como o de Silvânia Costa, sinalizam continuidade no fortalecimento da modalidade.

Enquanto a preparação para o ciclo 2026 se intensifica, a cidade segue mobilizada na missão de formar atletas e cidadãos, reafirmando diariamente que investir no paradesporto é investir em inclusão, oportunidades e potencial humano.