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Frota de Três Lagoas se iguala à população e infrações de trânsito ultrapassam 60 mil no ano

O avanço da frota de veículos em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, acompanha de perto o crescimento populacional e impõe desafios crescentes à mobilidade urbana e à segurança viária. Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostram que, ao final de 2025, o município chegou a aproximadamente 107,9 mil veículos em circulação, volume que se aproxima do contingente populacional estimado em 143.523 habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cenário atual indica a relação de quase um veículo por morador, sem levar em conta automóveis de passagem que circulam diariamente na cidade.

A escalada começou há mais de uma década. Em 2011, o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran/MS) registrava 44.466 veículos licenciados em Três Lagoas. Em 2015, o total saltou para 75.235 unidades e, em 2024, atingiu 103.670. A soma representa um acréscimo superior a 133% em catorze anos. Esse forte aumento repercute diretamente no fluxo, na competitividade por vagas de estacionamento e, sobretudo, na quantidade de infrações e acidentes.

Somente neste ano, oito pessoas perderam a vida em ocorrências viárias no município, de acordo com registros das autoridades de trânsito. Paralelamente, câmeras e radares eletrônicos instalados em pontos estratégicos da malha urbana capturaram aproximadamente 60 mil infrações entre janeiro e o início de dezembro. Desse total, mais de 40 mil correspondem a motoristas flagrados circulando acima do limite regulamentado em até 20%.

Outras autuações referem-se a condutores que extrapolaram a velocidade permitida entre 20% e 50% ou excederam esse patamar em mais de 50%. Nas vias monitoradas, a velocidade máxima é fixada em 40 km/h. Ultrapassar esse teto em mais da metade implica, pela legislação vigente, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além da multa correspondente. O volume de ocorrências evidencia, segundo o Detran/MS, um comportamento diário de desatenção ou desrespeito às normas por parte de parcela dos motoristas.

O diretor do Departamento Municipal de Trânsito, José Aparecido de Moraes, observa que os números, embora expressivos, ficaram abaixo das projeções iniciais. Para ele, o dado sugere que a presença dos radares, somada às campanhas de educação viária, surte efeito moderador. O gestor reforça que todas as punições derivam de parâmetros definidos pelo Código de Trânsito Brasileiro e defende a fiscalização eletrônica como instrumento de proteção à vida quando ações educativas não alcançam o resultado esperado.

O município concentrou a instalação dos equipamentos em avenidas de intenso fluxo, áreas próximas a unidades escolares e cruzamentos com maior histórico de colisões. O objetivo declarado é disciplinar a circulação, reduzir a gravidade dos acidentes e contribuir para a fluidez do tráfego. O investimento em tecnologia foi acompanhado de ações periódicas de orientação, como distribuição de material didático, palestras e blitze educativas organizadas pela Polícia Militar e pela equipe de agentes de trânsito.

Apesar das iniciativas, a soma de fatores como aumento da frota, expansão territorial e crescimento econômico local mantém a pressão sobre a infraestrutura viária. Três Lagoas abriga polos industriais e recebe diariamente veículos de carga e de serviços que não constam nos registros oficiais da cidade, mas interferem na dinâmica do trânsito. Essa circulação flutuante dificulta prever com exatidão a demanda por sinalização, manutenção de vias e fiscalização.

Para enfrentar o problema, o Detran/MS indica como prioridade o respeito às regras de circulação e a adoção de postura preventiva pelos condutores. A pasta sustenta que a maior parte das infrações ocorre em trechos onde a sinalização vertical e horizontal está em conformidade com as normas, o que reforça a tese de que a mudança de comportamento é determinante para a queda dos índices.

Moradores e motoristas que transitam pela cidade relatam percepção de tráfego mais lento em horários de pico e dificuldade crescente para encontrar vagas em áreas comerciais. Autoridades municipais discutem, internamente, projetos de ampliação de rotas alternativas, criação de ciclofaixas e revisão do sistema semafórico. No entanto, ainda não há calendário definido nem orçamento divulgado para essas intervenções.

A tendência de aumento da frota deve persistir nos próximos anos, impulsionada por fatores como renda per capita, oferta de crédito e demanda por mobilidade individual. Diante desse quadro, a combinação de fiscalização eficiente, campanhas educativas contínuas e investimentos em infraestrutura aparece, segundo especialistas ouvidos pelo poder público, como estratégia necessária para evitar a elevação dos acidentes e manter a circulação em níveis aceitáveis. Enquanto novas medidas não se materializam, radares e agentes permanecem como principais ferramentas de contenção das infrações registradas em Três Lagoas.