A modernização do parque de iluminação pública de Três Lagoas, município situado no leste de Mato Grosso do Sul, enfrenta um obstáculo que avança na mesma velocidade dos trabalhos de melhoria: o furto recorrente de cabos elétricos instalados em vias, praças e equipamentos de controle de tráfego. A Secretaria Municipal de Infraestrutura estima que, somente em 2026, mais de mil metros de fios foram retirados de semáforos espalhados pela cidade, elevando custos, atrasando cronogramas e gerando riscos à segurança de motoristas e pedestres.
O secretário de Infraestrutura, Osmar Dias, relata que o número de ocorrências supera em larga escala a previsão originalmente firmada no contrato de manutenção da rede. De acordo com o gestor, técnicos do setor contabilizam de dois a três casos de subtração de cabos por semana. Esse avanço sistemático sobre a fiação tem obrigado o município a rever planejamento financeiro, solicitar recursos adicionais para reposição de materiais e realocar equipes que, em vez de prosseguir com a implantação de luminárias de LED, precisam realizar reparos emergenciais.
Praças, avenidas e corredores de tráfego de grande circulação estão entre os pontos mais afetados. Foram registrados furtos na região da Segunda Lagoa, no bairro Custódio Andries, na avenida Capitão Olyntho Mancini e em diversos logradouros do centro. Nessas áreas, a remoção dos cabos interrompe o funcionamento de semáforos, deixa postes apagados e compromete a visibilidade noturna, aumentando o risco de acidentes e favorecendo a ação de criminosos em espaços públicos escuros.
O prejuízo financeiro, segundo a secretaria, vai além do custo direto de reposição do cobre ou do alumínio dos fios. Sempre que ocorre a retirada clandestina, as equipes responsáveis precisam reinstalar dutos, refazer conexões e, em alguns casos, substituir controladores eletrônicos danificados durante a ação dos criminosos. Além disso, a exposição de circuitos energizados representa perigo de choque para quem circula pelas calçadas e para operadores que atuam na manutenção.
Os furtos também afetam metas estabelecidas no programa municipal de eficiência energética, que prevê a troca de luminárias antigas por modelos de LED em toda a malha urbana. O cronograma contemplava fases consecutivas de instalação, mas a interrupção constante de trechos já concluídos gera retrabalho e estende o período de finalização, atrasando os benefícios esperados de economia de energia e melhor iluminação.
Para tentar conter as ocorrências, a administração municipal solicitou apoio das forças de segurança estaduais e da Guarda Municipal. Embora rondas periódicas tenham sido intensificadas, a grande extensão territorial e a rapidez com que os cabos podem ser removidos dificultam a repressão em flagrante. O secretário Osmar Dias destaca que a participação da comunidade é fundamental: moradores devem acionar imediatamente o telefone de emergência sempre que presenciarem movimentação suspeita em caixas de passagem, postes ou controladores semafóricos.
Algumas medidas preventivas estão em análise, entre elas a instalação de trava mecânica em tampas de caixas, a identificação dos cabos por meio de gravação a laser – o que dificulta a revenda clandestina – e o uso de materiais com menor valor de mercado para receptadores. Testes iniciais já foram executados em trechos pilotos, mas ainda não há confirmação de que essas soluções sejam economicamente viáveis em todo o sistema.
Enquanto as ações de contenção não surtirem efeito mais amplo, o município calcula a necessidade de reforçar o orçamento destinado à iluminação pública. Técnicos elaboram um aditivo contratual para ampliar a quantidade de materiais prevista inicialmente, contemplando a possível reincidência de furtos ao longo do ano. A expectativa é que a Câmara Municipal analise o novo aporte assim que o Executivo encaminhar a proposta.
Especialistas em segurança urbana alertam que o furto de cabos integra uma cadeia ilegal de comércio de metais, alimentada pela facilidade de acesso aos pontos de instalação e pela demanda de sucateiros que pagam por cobre sem comprovação de origem. A prefeitura afirma ter encaminhado relatórios à Polícia Civil com detalhamento dos números, horários e locais mais visados, na tentativa de subsidiar investigações sobre compradores e intermediários.
Com as noites mais escuras em vários bairros e semáforos fora de operação em cruzamentos movimentados, motoristas são orientados a redobrar a atenção e a reduzir a velocidade nos trechos sem sinalização luminosa. Pedestres, por sua vez, são aconselhados a buscar rotas alternativas iluminadas sempre que possível.
Embora ainda não exista previsão para a completa normalização dos sistemas danificados, a Secretaria de Infraestrutura informa que mantém equipes de plantão para atender ocorrências emergenciais e que todas as reposições estão sendo executadas dentro do prazo técnico possível, conforme disponibilidade de peças e condições de segurança no local.
O município reforça que qualquer informação que leve à identificação dos responsáveis pelos furtos pode ser repassada de forma anônima aos canais oficiais das forças de segurança. A contribuição popular, destaca o secretário, pode acelerar a interrupção de uma prática que afeta diretamente a qualidade de vida, a mobilidade e a segurança de toda a população de Três Lagoas.









