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Gestão administrativa se consolida como requisito para o sucesso de consultórios e clínicas, aponta especialista

O fortalecimento de competências em administração tem ganhado espaço como elemento decisivo para profissionais da área da saúde que desejam manter consultórios e clínicas competitivos. A constatação foi feita pelo cardiologista e diretor do Proncor, Luiz Fernando Elias, durante entrevista ao programa Microfone Aberto, transmitido pela Rádio Massa FM Campo Grande. Ao apresentar o projeto Médico de Referência, criado por ele em 2019, o especialista afirmou que o ensino tradicional concentra-se na excelência técnica, mas oferece pouca ou nenhuma preparação em finanças, processos e relacionamento com o paciente.

Desafios no início da carreira

Elias destacou que recém-formados, ao ingressarem no mercado, transformam-se em gestores da noite para o dia, sem domínio sobre custos, investimentos ou fluxo de caixa. Essa falta de preparo, observada em diversas fases da carreira médica, gera obstáculos que variam desde demora no atendimento até dificuldade para honrar compromissos financeiros. Para suprir essa carência, o projeto Médico de Referência foi estruturado para orientar profissionais sobre como enxergar o consultório como uma empresa capaz de gerar resultados sustentáveis e melhorar a experiência do paciente.

Pacientes no centro da operação

Entre os principais problemas mapeados pelo programa está a atenção insuficiente à jornada do paciente. Atrasos sucessivos, falhas de comunicação e ausência de protocolos padronizados afetam diretamente a percepção de qualidade. Segundo o diretor do Proncor, a agenda deve ser organizada para evitar sobreposições, a recepção precisa atuar de forma acolhedora e o acompanhamento pós-consulta deve ser adotado como rotina. Esses cuidados, defendidos como essenciais, influenciam a fidelização e a reputação da clínica.

No Proncor, hospital ao qual retornou em 2019, Elias implantou um escritório dedicado à experiência do cliente. A estrutura monitora indicadores de satisfação e mapeia pontos críticos ao longo do atendimento, permitindo ajustes contínuos. A prática evidenciou, na avaliação do médico, que a qualidade percebida tem peso semelhante à precisão diagnóstica na hora de consolidar uma carreira sólida.

Três pilares para a sustentabilidade

O entrevistado resumiu a manutenção de um consultório saudável em três pilares: qualidade técnica, qualidade percebida e sustentabilidade financeira. O primeiro permanece inegociável, ancorado em atualização científica permanente. O segundo depende de processos bem definidos, comunicação transparente e ambientes confortáveis. Já a sustentabilidade financeira exige controle rigoroso de receitas e despesas, separação clara entre finanças pessoais e empresariais e análise periódica de indicadores.

Conforme relatado, muitos profissionais apresentam boa produção e faturamento expressivo, mas não conseguem identificar para onde os recursos são destinados. O erro mais comum é a mistura das contas da pessoa física com as da pessoa jurídica, prática que compromete investimentos em infraestrutura, folha de pagamento e cumprimento de obrigações fiscais. Para evitar o problema, Elias recomenda estabelecer pró-labore fixo, utilizar sistemas de gestão e contar com orientação contábil especializada.

Mercado mais competitivo

O aumento do número de faculdades de medicina no país e a consequente expansão de profissionais intensificam a concorrência. Nesse cenário, a diferenciação passa a depender não apenas da competência clínica, mas também da eficiência operacional. O paciente, acostumado a experiências positivas em outros setores, espera encontrar na área de saúde o mesmo nível de organização, agilidade e conforto. Clínicas que não se adaptam tendem a perder espaço para aquelas que incorporam boas práticas de gestão.

Para o idealizador do projeto Médico de Referência, investir em processos, cultura de atendimento e relacionamento não é opcional, mas requisito para sobreviver em um ambiente de maior oferta de serviços. Ele ressalta que o futuro da profissão será determinado pela combinação entre excelência técnica, humanização e administração eficiente. Essa convergência, avalia o especialista, permite entregar resultados mais consistentes aos pacientes e assegurar longevidade econômica aos empreendimentos.

Recursos e capacitação

Além de consultorias personalizadas, o projeto oferece cursos, workshops e materiais didáticos voltados a profissionais em diferentes estágios de atuação. O conteúdo abrange desde análise de demonstrativos financeiros até elaboração de protocolos de atendimento. Segundo Elias, ao perceber o consultório como um negócio, o médico desenvolve visão estratégica, otimiza processos e amplia a capacidade de investimento em tecnologia e qualificação de equipes.

O especialista observa que cada melhoria implementada, por menor que pareça, produz efeito cascata em toda a cadeia de atendimento. Uma recepção treinada reduz tempo de espera, aumenta a satisfação e contribui para a reputação online. Um sistema de agendamento eficiente diminui faltas, melhora o fluxo de caixa e garante previsibilidade de receitas. Essas ações, quando integradas, resultam em crescimento sustentável.

Elias concluiu a entrevista reforçando que gestão não substitui conhecimento técnico, mas o complementa. Ao incorporar princípios empresariais, o médico fortalece seu posicionamento no mercado, eleva o padrão de cuidado e constrói bases financeiras sólidas, fatores considerados determinantes para o êxito de consultórios e clínicas no longo prazo.

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