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Gesto de equipe no CTI do Humap-UFMS conforta mãe que acompanha filha internada há dois meses

Um aniversário marcado por incertezas dentro de uma unidade de terapia intensiva ganhou novo significado no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), em Campo Grande (MS). Em 27 de fevereiro, profissionais do Centro de Terapia Intensiva (CTI) Adulto interromperam a rotina de monitorização e procedimentos para levar um bolo e cantar parabéns a Silmara Damasceno Ferreira, mãe que há cerca de 60 dias acompanha a filha internada no setor. O momento emocionou a acompanhante e destacou a importância do acolhimento humanizado em ambientes de alta complexidade.

Silmara deixou Caarapó, município a pouco mais de 250 quilômetros da capital sul-mato-grossense, para permanecer ao lado de Lara Beatriz Damaceno Bretschneider, de 16 anos. A adolescente foi hospitalizada após complicações do lúpus que evoluíram para um quadro de pneumonia. Portadora também da síndrome de Tourette, Lara necessita de vigilância contínua e respostas rápidas da equipe multiprofissional, fatores que prolongaram a permanência no CTI. Desde a admissão, mãe e filha compartilham a rotina intensa de visitas médicas, ajustes de medicação e exames constantes.

Em meio a esse cenário, a surpresa preparada pelos profissionais ganhou peso simbólico. Enfermeiros, médicos, fisioterapeutas e técnicos reuniram-se ao lado do leito, acenderam velas e entoaram o tradicional “parabéns”. A ação, planejada de forma simples, provocou comoção imediata. Silmara relatou ter chorado ao perceber que, mesmo diante das exigências técnicas e do fluxo de pacientes graves, a equipe encontrou tempo para reconhecer sua data e demonstrar solidariedade.

A acompanhante afirmou que o gesto reforçou sua esperança e a sensação de não enfrentar a situação sozinha. Segundo ela, a dedicação diária dos profissionais no cuidado de Lara já transmitia segurança, mas a surpresa de aniversário consolidou a percepção de que a dimensão emocional do tratamento também é valorizada. Esse apoio, explicou, torna as longas horas no hospital mais suportáveis e fortalece o ânimo para aguardar a recuperação da filha.

O caso ilustra como práticas de empatia podem influenciar positivamente a experiência de familiares em unidades críticas. No CTI Adulto do Humap-UFMS, pacientes são assistidos por uma equipe multidisciplinar que alia protocolos clínicos a iniciativas voltadas ao bem-estar psíquico de quem permanece ao lado do leito. A literatura de cuidados intensivos aponta que estratégias de humanização contribuem para reduzir níveis de estresse, favorecer a comunicação entre profissionais e familiares e, indiretamente, impactar desfechos clínicos.

A celebração ocorreu em um momento do calendário que destaca a presença feminina na sociedade, já que março concentra campanhas de valorização das mulheres. A história de Silmara, que permanece firme diante de hospitalizações prolongadas, representa a realidade de inúmeras mães responsáveis por acompanhar tratamentos complexos. A demonstração de cuidado recebida no CTI reforça a relevância de políticas institucionais que incluam suporte emocional a acompanhantes, reconhecendo seu papel no processo terapêutico.

O Humap-UFMS integra a Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação, a Ebserh foi criada em 2011 e administra atualmente 45 hospitais universitários federais. Essas unidades atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto apoiam a formação acadêmica e o desenvolvimento de pesquisas em saúde. No Humap, a assistência a pacientes críticos convive com programas de ensino e iniciativas de inovação, características que demandam padronização de protocolos e, simultaneamente, abertura para práticas de acolhimento humanizado como a registrada no aniversário de Silmara.

A rede universitária também estabelece diretrizes de excelência em gestão hospitalar, estimulando que cada instituição inclua ações que reduzam o impacto emocional de internações prolongadas. No CTI Adulto de Campo Grande, iniciativas como rodas de conversa, orientação psicossocial e comemorações simbólicas integram esse esforço. A surpresa de 27 de fevereiro evidencia que, mesmo em ambientes dominados por monitores e alarmes, há espaço para reconhecimentos que trazem conforto a familiares e pacientes.

Com o prosseguimento do tratamento, a equipe segue monitorando a evolução clínica de Lara. Enquanto aguarda melhora no quadro respiratório, Silmara mantém a rotina entre os turnos de visita e os momentos de repouso em áreas reservadas a acompanhantes. O aniversário celebrado dentro da unidade ficou registrado como demonstração de que o cuidado hospitalar extrapola a intervenção médica, alcançando aspectos emocionais essenciais para a resiliência de quem enfrenta longos períodos de internação.

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