O início do ressarcimento aos correntistas e investidores do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, desencadeou uma série de tentativas de fraude. Criminosos têm usado indevidamente o nome do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de instituições financeiras e até de órgãos governamentais para enganar beneficiários que aguardam a indenização.
Pagamento iniciou em 19 de fevereiro e já soma R$ 26 bilhões
Os recursos começaram a ser liberados no dia 19 e, até o fim da tarde de sexta-feira (23), o FGC havia desembolsado R$ 26 bilhões. O montante foi direcionado a 521 mil pessoas, correspondendo a 67,3% da base de clientes com direito ao ressarcimento. Conforme o fundo, o sistema oficial processa cerca de 2,8 mil solicitações por hora — média de 46 pedidos a cada minuto — por meio do aplicativo próprio.
Modalidades de golpe identificadas
Desde o início dos pagamentos, o FGC mapeou diferentes estratégias usadas pelos fraudadores:
- Envio de e-mails e mensagens que imitam comunicações oficiais.
- Criação de links, sites e aplicativos falsos com visual semelhante aos canais legítimos.
- Solicitação de pagamentos antecipados sob a promessa de liberação mais rápida da indenização.
- Distribuição de links maliciosos para captura de dados pessoais e bancários.
O objetivo dos golpes é coletar informações sensíveis ou obter valores indevidos, gerando prejuízos às vítimas e comprometendo sua segurança digital.
Orientações do FGC para evitar prejuízos
Diante da intensificação das fraudes, o FGC recomenda que os beneficiários:
- Consultem informações somente nos canais institucionais do próprio fundo ou da instituição financeira de relacionamento.
- Desconfiem de ofertas de “facilidades” ou de liberação imediata de recursos.
- Não forneçam dados pessoais ou bancários fora dos meios oficiais.
- Não efetuem qualquer pagamento para ter acesso à indenização.
- Evitem clicar em links desconhecidos ou instalar aplicativos que não estejam nas lojas oficiais.
Indenizações podem chegar a R$ 47 bilhões com inclusão do Will Bank
Além dos clientes do Banco Master, o processo de liquidação alcança o Will Bank, instituição do mesmo grupo financeiro também encerrada pelo Banco Central. Com a inclusão desse público, a estimativa é que o volume total das indenizações alcance R$ 47 bilhões.
Entidades do setor reforçam alerta
O comunicado de segurança divulgado pelo FGC tem o endosso de entidades do sistema financeiro, entre elas a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), associações de bancos múltiplos, de bancos digitais e representantes de fintechs. Todas destacam a necessidade de atenção redobrada durante o período de ressarcimento, sobretudo diante do alto valor envolvido.
Procedimento oficial para solicitar o ressarcimento
Para receber a indenização coberta pela garantia, o correntista ou investidor deve acessar exclusivamente o aplicativo oficial do FGC ou os canais indicados pela instituição que mantinha a conta. O fundo lembra que não exige taxas, pagamentos ou quaisquer transferências prévias para liberar o valor devido.
Impacto dos golpes no ambiente digital
A prática de falsificar comunicações e criar ambientes virtuais fraudulentos tem sido recorrente em processos de liquidação bancária. Segundo o FGC, o risco aumenta quando grandes volumes de recursos são disponibilizados em curto espaço de tempo, cenário que atrai golpistas interessados em explorar a pressa e a expectativa dos clientes.
Recomendações finais de segurança
O FGC reforça que não envia links para alteração de senha, não solicita confirmação de dados por mensagem de texto, e não faz ligações pedindo informações sensíveis. Em caso de dúvida, o cliente deve buscar atendimento no aplicativo oficial ou nos canais divulgados nos sites institucionais do fundo e dos bancos envolvidos.
Qualquer tentativa de golpe pode ser denunciada à ouvidoria do FGC, às autoridades policiais ou ao Banco Central. O fundo ressalta que a colaboração dos usuários ao reportar tentativas de fraude contribui para a proteção de todo o sistema financeiro.









