Search

Governo escolhe João Paulo Capobianco para presidir COP15, que acontecerá em Campo Grande

O Governo Federal confirmou nesta sexta-feira (23) a indicação do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, para a presidência da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS). A conferência está agendada para o período de 23 a 29 de março, em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul.

Será a primeira vez que o Brasil recebe o principal fórum global dedicado à preservação da fauna migratória. A última edição realizada na América Latina ocorreu em 2014, no Equador. O evento reúne periodicamente os países signatários da convenção das Nações Unidas criada em 1979 para proteger animais que cruzam fronteiras no mar, na terra e no ar.

Funções do novo presidente

Como presidente da COP15, Capobianco conduzirá as negociações multilaterais durante toda a conferência. A responsabilidade inclui orientar debates, mediar posições divergentes, propor textos de consenso e estimular compromissos que fortaleçam a conectividade ecológica entre os diferentes ecossistemas frequentados pelas espécies migratórias. Até a abertura oficial, o Uzbequistão, sede da COP14 realizada em 2024, mantém a presidência formal; porém, o Brasil já assume a coordenação dos preparativos e lidera interlocuções preliminares.

Ao comentar a nomeação, o secretário-executivo ressaltou que espécies migratórias possuem papel estratégico para a manutenção da biodiversidade e geram benefícios econômicos, como o incremento do turismo de natureza e a oferta de serviços ambientais. Segundo ele, a evolução dos acordos internacionais nessa área é fundamental para assegurar rotas seguras aos animais e preservar habitats compartilhados por várias nações.

Pantanal como referência internacional

A escolha de Campo Grande está diretamente ligada à relevância ambiental de Mato Grosso do Sul. O estado abriga aproximadamente 75% do bioma Pantanal, considerado a maior planície alagável contínua do planeta e ponto de passagem de aves, mamíferos e espécies aquáticas que se deslocam entre diferentes países da América do Sul. A região deverá ganhar destaque especial na agenda de discussões da conferência, servindo como exemplo de ecossistema que depende de esforços conjuntos para seu equilíbrio.

Além de sua importância ecológica, o Pantanal possui relevância econômica e sociocultural para comunidades tradicionais, povos indígenas e cadeias produtivas baseadas no uso sustentável dos recursos naturais. Por reunir esses atributos, o bioma aparece como um laboratório a céu aberto para o debate sobre políticas de conservação aliadas ao desenvolvimento regional.

Participação internacional

O evento em Campo Grande deverá reunir delegações governamentais, cientistas, organizações da sociedade civil, representantes de povos indígenas e comunidades locais de diversas partes do mundo. Ao longo de uma semana, os participantes analisarão relatórios científicos, avaliarão o cumprimento de metas anteriores, trocarão experiências sobre manejo de habitats e negociarão novas resoluções voltadas à proteção de milhares de espécies.

As decisões aprovadas na COP15 orientam a formulação de políticas públicas, influenciam financiamentos internacionais e definem parâmetros técnicos que servem de referência para programas nacionais de conservação. A expectativa é que acordos resultantes do encontro abordem temas como corredores ecológicos transfronteiriços, mitigação de impactos de infraestrutura em rotas migratórias, combate à caça ilegal e incentivo a iniciativas de pesquisa.

Próximos passos até março

Com a presidência designada, o Brasil assume a missão de articular consenso entre 133 países membros da CMS antes e durante a conferência. Nos meses que antecedem o evento, o Ministério do Meio Ambiente coordenará grupos de trabalho temáticos, organizará consultas técnicas e promoverá reuniões preparatórias para alinhar posições regionais. Capobianco deverá manter diálogo constante com organismos internacionais, secretariados de convenções ambientais paralelas e instâncias diplomáticas para assegurar que as discussões avancem de forma equilibrada.

Enquanto isso, Campo Grande intensifica os preparativos logísticos. A capital sul-mato-grossense ajusta a infraestrutura do local que receberá plenárias, encontros bilaterais e exposições técnicas. Também estão previstas atividades paralelas focadas em educação ambiental, turismo sustentável e divulgação de pesquisas sobre o Pantanal, que deverão envolver universidades, centros de pesquisa e iniciativas privadas.

A realização da COP15 no Brasil reforça a projeção internacional do país nas negociações climáticas e de biodiversidade, ampliando sua interlocução com fóruns como a Convenção da Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Além disso, oferece oportunidade para que agentes locais apresentem experiências bem-sucedidas de manejo dos recursos naturais e fortaleçam parcerias voltadas ao financiamento de projetos de conservação.

Ao assumir a presidência da conferência, João Paulo Capobianco passa a ocupar posição central na diplomacia ambiental global nos próximos meses. A condução das negociações em Campo Grande colocará o Brasil no centro das definições sobre políticas de proteção de rotas migratórias, conectividade de ecossistemas e integração entre conservação e desenvolvimento socioeconômico.

Com a data de abertura se aproximando, o governo brasileiro intensifica esforços para garantir a presença de chefes de Estado, ministros, especialistas e representantes da sociedade civil, visando consolidar resultados concretos capazes de influenciar políticas de biodiversidade nos próximos anos.

Isso vai fechar em 35 segundos