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Governo lança ferrovia de 54 km e consolida Mato Grosso do Sul como polo global de celulose

Mato Grosso do Sul deu mais um passo para reforçar sua posição entre os maiores produtores de celulose do planeta. Nesta sexta-feira, 6, autoridades estaduais e federais participaram, em Inocência, do lançamento da pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú, que atenderá a nova fábrica de celulose da Arauco. O ramal ferroviário terá 54 quilômetros de extensão e será a primeira short line do país, ligando diretamente a unidade industrial à Malha Norte, operada pela Rumo, e consequentemente à Malha Paulista, rota de acesso ao Porto de Santos.

Integração logística e competitividade

O governador Eduardo Riedel afirmou que a infraestrutura de transporte é pilar essencial para o desempenho econômico local. Segundo ele, a ligação férrea encurta distâncias, reduz custos e amplia a competitividade da produção sul-mato-grossense nos mercados externos. Riedel lembrou que, somente em obras rodoviárias, concessões e na chamada Rota da Celulose, o Estado acumula investimentos da ordem de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão se concentra na região conhecida como Vale da Celulose.

Com a nova ferrovia, a expectativa é viabilizar o escoamento anual de cerca de 3,5 milhões de toneladas de celulose, diretamente dos pátios da fábrica em Inocência aos portos brasileiros, com destaque para Santos, principal ponto de saída do produto para o exterior. O empreendimento ferrovia-fábrica integra um pacote privado da Arauco calculado em US$ 4,6 bilhões.

Empregos e cronograma de operação

De acordo com projeções da Arauco, a construção da nova planta industrial deve mobilizar mais de 14 mil trabalhadores em seu pico. Após a conclusão, prevista para até o fim de 2027, a fase operacional deverá manter aproximadamente 6 mil postos de trabalho, somando vagas diretas e indiretas.

Gasoduto complementa infraestrutura

No mesmo evento, o governo estadual assinou a ordem de serviço para o início das obras do gasoduto do Projeto Sucuriú. A tubulação terá cerca de 125 quilômetros e receberá investimento superior a R$ 170 milhões, executado pela MS Gás. A rede de gás natural oferecerá suporte energético à fábrica e criará alternativas de abastecimento para outros empreendimentos industriais na região.

Apoio federal e parcerias público-privadas

Presente ao lançamento, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, declarou que o Estado vive um período histórico em infraestrutura, impulsionado pela conjugação de recursos federais e privados. Ela destacou que projetos voltados a rodovias e ferrovias resolvem gargalos logísticos e permitem ampliar o alcance do agronegócio e da indústria florestal.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, reforçou a visão de que a nova ferrovia insere Mato Grosso do Sul em uma fase de investimentos ferroviários de grande porte, aproximando o Estado dos principais corredores de exportação nacionais. Para o presidente da Arauco Brasil, Carlos Altimiras Ceardi, a short line demonstra que a cooperação entre setor público e iniciativa privada é decisiva para tornar a cadeia da celulose mais eficiente.

Detalhes técnicos do ramal ferroviário

O traçado de 54 quilômetros será dedicado, prioritariamente, ao transporte de celulose, mas poderá movimentar outros tipos de carga conforme demanda. O projeto prevê bitola compatível com a Malha Norte, pátios de manobra, sistemas de sinalização e balanças de pesagem que permitem composições de alto desempenho. Após chegar à Malha Norte, o produto seguirá pela Malha Paulista até Santos, reduzindo a necessidade de longas distâncias rodoviárias.

Celulose como vetor de desenvolvimento

Mato Grosso do Sul já abriga grandes fábricas do setor e, com a instalação da Arauco em Inocência, consolida um polo florestal que se estende por diversos municípios. Além dos ganhos diretos em geração de renda e empregos, o governo estadual aposta na atração de indústrias de transformação que utilizem a celulose como matéria-prima, diversificando a economia regional.

A soma de ferrovia, gasoduto, rodovias e áreas de reflorestamento cria, segundo analistas do setor, um ambiente logístico favorável para novos investimentos. O Estado projeta ainda ampliar parcerias público-privadas para manutenção de estradas e implantação de ramais complementares, garantindo capilaridade à Rota da Celulose.

Próximos passos

Os trabalhos de terraplenagem e construção de pontes da short line estão programados para começar nos próximos meses, após a conclusão dos licenciamentos ambientais. Paralelamente, a montagem da fábrica avança em ritmo de acordo com o cronograma da Arauco. A expectativa oficial é que a primeira remessa de celulose seja embarcada pelo ramal ferroviário no último trimestre de 2027.

Com a execução do Projeto Sucuriú, Mato Grosso do Sul consolida-se como referência em infraestrutura logística para o setor de celulose, combinando investimentos multimodais e incentivos à indústria florestal. O modelo de integração entre ferrovias, gasodutos e rodovias estabelece novas condições de competitividade e amplia a presença do Estado nos mercados internacionais de base florestal.

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