Search

Governo mapeia imóveis da União em MS e associa gestão patrimonial a estratégia eleitoral do PT para 2026

A Superintendência do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul (SPU-MS) iniciou um levantamento detalhado de imóveis federais no estado com o objetivo de destiná-los a projetos de moradia, educação e assistência social. O trabalho, conduzido pelo superintendente Tiago Botelho, ocorre paralelamente à organização do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026, quando o dirigente pretende concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Botelho relatou, em entrevista a um podcast de rádio em Campo Grande, que encontrou a base de dados patrimonial “incompleta”. Para quantificar os bens, a SPU enviou ofícios aos cartórios de registro de imóveis de todos os 79 municípios sul-mato-grossenses. O objetivo é identificar propriedades federais não cadastradas. “Sem documentação, não é possível definir uso social”, afirmou. O superintendente estima que o patrimônio possa chegar a 3.000 registros, englobando construções e áreas naturais. “Há casos que incluem trechos de rios, o que dificulta a mensuração do valor econômico”, observou.

A diretiva do órgão é dar prioridade a demandas de interesse público. Um dos exemplos citados envolve um edifício desocupado havia mais de 15 anos no centro de Campo Grande, localizado na esquina das ruas Dom Aquino e 13 de Maio. O local deve ser transformado em alojamento estudantil após articulação entre a SPU, a prefeitura e a universidade federal. Segundo Botelho, imóveis sem destinação “acabam ocupados de forma irregular”, motivo pelo qual a superintendência tem procurado acelerar parcerias com governos municipais e estadual.

A falta de orçamento próprio, porém, limita as ações. Reformas, adequações e manutenção dependem de recursos externos. Mesmo assim, a média atual de encaminhamentos gira entre 60 e 70 imóveis por ano, quantidade que representa, de acordo com a SPU, cerca de R$ 350 milhões em ativos reaproveitados anualmente.

O tema agrário também entrou na pauta da entrevista. Na sexta-feira, 20 de outubro, manifestantes bloquearam a BR-163 por mais de cinco horas para cobrar a conclusão de processos de titulação de assentamentos. Botelho avaliou a pressão de movimentos sociais como parte do processo democrático e informou que o governo federal dispõe de até R$ 200 milhões para adquirir áreas rurais destinadas a aproximadamente 2.000 famílias. Se houver disponibilidade de terras pertencentes à União, o número de beneficiados pode ser ampliado, pois, nesses casos, não há necessidade de compra, acelerando o procedimento.

Além do trabalho administrativo, Botelho confirmou que deixará o cargo dentro do prazo legal para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. Ele afirmou ter percorrido todos os municípios do estado, o que, segundo ele, fortaleceu a base eleitoral de seu projeto. “Conheço os 79 municípios”, declarou, apontando capilaridade como trunfo para a futura campanha.

No plano partidário, o superintendente detalhou as primeiras definições internas do PT para o próximo pleito. O deputado federal Vander Loubet foi indicado como pré-candidato ao Senado. Para o governo estadual, o nome defendido é o do ex-deputado Fábio Trad, que teria apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A orientação política foi alinhada no domingo, 22 de outubro, em Campo Grande, durante a visita de Lula a um encontro preparatório da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15).

Na disputa proporcional, a deputada Camila Jara é considerada prioridade para a reeleição. Botelho mencionou ainda a montagem de uma chapa que deve incluir aliados de partidos próximos ao PT, tanto para cargos majoritários quanto proporcionais. Sem revelar quem deve sucedê-lo na SPU-MS, o superintendente afirmou que voltará à universidade quando se afastar da função administrativa.

Para Botelho, a condução do patrimônio público está diretamente ligada ao conceito de política pública. “Quando um prédio sem uso é convertido para servir à população, ocorre uma intervenção que melhora a vida das pessoas”, disse. Com a combinação de mapeamento patrimonial, destinação de imóveis e articulação partidária, o governo federal procura avançar em frentes sociais ao mesmo tempo que estrutura o palanque petista em Mato Grosso do Sul para 2026.

Isso vai fechar em 35 segundos