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Governo de Mato Grosso do Sul assume Morenão por 35 anos e anuncia reforma emergencial de R$ 16,7 milhões

O Governo de Mato Grosso do Sul oficializou, na terça-feira (31), a transferência de gestão do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, localizado no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande. O termo de cessão, válido por 35 anos, encerra um período de quatro anos sem atividades esportivas no local e abre caminho para um investimento inicial de R$ 16,7 milhões voltado a reparos estruturais considerados indispensáveis para a reabertura parcial prevista para 2026.

Primeira fase concentrada em intervenções essenciais

Os recursos estaduais serão direcionados, nesta etapa, à recuperação do gramado, da pista de atletismo e dos vestiários. Além de atender às exigências técnicas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Corpo de Bombeiros, as intervenções visam possibilitar que clubes de Campo Grande voltem a mandar partidas oficiais já no segundo semestre de 2026, abrangendo competições como a Copa MS e as finais da Série B do Campeonato Sul-Mato-Grossense.

De acordo com o cronograma apresentado, as obras emergenciais começam imediatamente após a assinatura do termo de cessão. Os projetos executivos estão prontos e contemplam, entre outros pontos, a instalação de novo sistema de irrigação do gramado, a adequação dos sistemas de drenagem e iluminação e a revitalização de áreas destinadas a atletas e arbitragem.

Quatro etapas até a modernização completa

O plano de reestruturação do Morenão foi dividido em quatro fases:

1. Transferência de posse. Concluída com a assinatura do acordo de 35 anos entre o Estado e a UFMS em 31 de março de 2026, garantindo segurança jurídica para os próximos passos.

2. Obras emergenciais. Realizadas com recursos próprios do governo, somando R$ 16,7 milhões, para adequar o estádio às normas esportivas e de segurança.

3. Estruturação de parceria público-privada. Estudos técnicos e modelagem econômica avaliarão a viabilidade de investimentos adicionais estimados entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões para modernizar todo o complexo.

4. Concessão à iniciativa privada. A previsão é firmar contrato que permita a exploração do espaço por até 35 anos, contemplando eventos esportivos, culturais e de entretenimento.

Participação da CBF e da FFMS

A Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) conduziu tratativas com a CBF para viabilizar apoio técnico. A entidade nacional deverá fornecer o novo gramado, o sistema de irrigação e assistência na manutenção da pista de atletismo. A expectativa é que essa cooperação reduza custos na fase inicial e agilize o processo de homologação do estádio para jogos profissionais.

Contexto do fechamento

O Morenão está fechado desde 17 de abril de 2022, data do último jogo profissional disputado, quando o Operário-MS venceu o Dourados por 1 a 0, pelo Campeonato Sul-Mato-Grossense. Logo após a partida, o estádio passou por reformas pontuais em banheiros e vestiários, mas permaneceu interditado por atrasos nas obras e ausência de laudos de segurança exigidos pelos órgãos competentes.

Antes do fechamento, o estádio chegou a receber partidas relevantes, como o empate sem gols entre Brasil e Venezuela, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. A limitação de laudos e a falta de investimentos contínuos levaram à interrupção completa das atividades, com debates públicos ocorrendo em 2024 para discutir alternativas de revitalização.

Decisão aprovada pela UFMS

A administração da UFMS aprovou a cessão do espaço ao governo estadual em reunião do Conselho Universitário realizada em janeiro de 2025. Segundo a universidade, a transferência garante retorno social ao estádio, que faz parte da memória afetiva de diversas gerações de moradores de Campo Grande e do interior do Estado.

Projeção de impacto econômico e social

O governo estadual estima que a reabertura parcial em 2026 contribuirá para o fortalecimento do calendário esportivo local, aumentando a visibilidade dos clubes sul-mato-grossenses e atraindo público de outras regiões. A etapa posterior, sob o modelo de parceria público-privada, deverá transformar o Morenão em um polo multifuncional, apto a receber grandes shows, eventos culturais e competições de atletismo, gerando empregos diretos e indiretos no setor de serviços e turismo.

Com a conclusão das obras emergenciais e o avanço na modelagem da concessão, o Executivo estadual pretende romper o ciclo de falta de investimentos que resultou no fechamento do estádio. A estratégia é equilibrar aportes públicos iniciais com capital privado nas fases subsequentes, assegurando sustentabilidade financeira e manutenção contínua da arena.

Embora o foco imediato seja devolver o estádio aos torcedores e atletas, o projeto completo abrange modernização de arquibancadas, instalação de cadeiras numeradas, criação de áreas premium, ampliação dos acessos, construção de estacionamentos e adequação às normas de acessibilidade. A meta é posicionar o Morenão como equipamento esportivo de referência na região Centro-Oeste.

O acompanhamento das próximas etapas ficará a cargo de um comitê formado por representantes do Governo de Mato Grosso do Sul, UFMS, FFMS, CBF e órgãos de controle, que deverá fiscalizar prazos, custos e atendimento a requisitos técnicos e legais.

Se os cronogramas forem cumpridos, o Morenão voltará a receber partidas oficiais em 2026, dando início a um novo ciclo para o futebol sul-mato-grossense, enquanto avança a negociação da concessão de longo prazo destinada à completa modernização do complexo esportivo.

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