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Governo de Mato Grosso do Sul apura fraude em cartões do programa Mais Social e bloqueia benefícios

O governo de Mato Grosso do Sul instaurou processo administrativo para investigar suspeita de desvio de recursos no programa de transferência de renda Mais Social. A apuração tem como foco uma servidora pública, apontada como possível responsável por irregularidades na retirada e no uso de cartões destinados a famílias em situação de vulnerabilidade no Estado.

A investigação teve início após o sistema de monitoramento do programa identificar inconsistências nos dados operacionais. Segundo a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEAD), análise rotineira apontou situações atípicas na emissão de cartões de primeira via e divergências cadastrais que indicavam possível fraude. Diante dos indícios, os responsáveis pelo programa comunicaram o caso ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) e à Polícia Civil, que abriram procedimentos próprios para apurar os fatos.

Entre os elementos levantados até o momento, chamaram a atenção transações realizadas em localidades distantes do endereço registrado pelos beneficiários e movimentações incompatíveis com o perfil de consumo esperado. Para evitar novos prejuízos, o governo determinou o bloqueio preventivo dos cartões envolvidos, impedindo qualquer movimentação enquanto durar a apuração.

O Mais Social concede R$ 450 por mês a famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com o objetivo de auxiliar no custeio de itens básicos. O cartão do benefício deve ser utilizado para compra de gêneros alimentícios e produtos de primeira necessidade, conforme regras definidas pela SEAD. Entretanto, durante a verificação dos extratos, técnicos localizaram gastos que se desviam dessa finalidade.

Relatórios do sistema de controle revelaram compras em categorias vetadas, como bebidas alcoólicas, inscrições em jogos on-line, assinaturas de plataformas de streaming e até pagamento de pernoites em motel. Essas operações configuram uso irregular dos recursos públicos, infringindo as normas do programa.

O governo explica que o Mais Social conta com mecanismos de acompanhamento em tempo real, abrangendo os 79 municípios sul-mato-grossenses. O cruzamento diário de informações bancárias, dados cadastrais e histórico de compras permite detectar rapidamente incoerências. Quando o algoritmo interno sinaliza possível irregularidade, ocorre a suspensão do cartão até que a equipe responsável verifique a origem da anomalia.

Com a abertura do processo administrativo, a servidora investigada será chamada a prestar esclarecimentos. Caso as suspeitas se confirmem, ela poderá ser responsabilizada civil, administrativa e criminalmente. Paralelamente, o Ministério Público conduzirá procedimento próprio para avaliar eventuais danos ao erário e oferecer denúncia, se necessário. A Polícia Civil, por sua vez, realiza diligências para apurar o envolvimento de terceiros, inclusive possíveis beneficiários que possam ter colaborado ou se beneficiado do esquema.

A Secretaria de Assistência Social reforça que toda denúncia ou indício de uso indevido do cartão leva a bloqueio imediato, sem prejuízo de posterior reabilitação caso fique comprovada a regularidade. Beneficiários que tiverem o cartão suspenso por engano são orientados a procurar o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo para atualização de dados e liberação do pagamento.

Além de investigar a hipótese de fraude na distribuição dos cartões, o governo pretende revisar processos internos para reduzir brechas de segurança. Entre as medidas em estudo estão a adoção de filtros adicionais de geolocalização, verificação biométrica no momento da entrega do cartão e reforço na capacitação dos servidores encarregados da conferência cadastral.

Até a conclusão das investigações, não há previsão de prejuízo aos demais participantes regulares do Mais Social. Pagamentos mensais continuam sendo realizados normalmente aos beneficiários que permanecem com cadastro validado, enquanto os casos sob suspeita seguem bloqueados e sob análise dos órgãos de controle.

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