Search

Governo de MS libera construção de nova usina de etanol de milho da Atvos em Nova Alvorada do Sul

O governo de Mato Grosso do Sul concedeu licença de instalação para o Grupo Atvos erguer uma usina de etanol de milho na unidade Santa Luzia, situada em Nova Alvorada do Sul. A autorização, entregue nesta semana, consolida a expansão do parque sucroenergético estadual e insere um novo empreendimento entre as principais iniciativas de bioenergia da região Centro-Oeste.

Com investimento projetado superior a R$ 1 bilhão, a planta terá potencial para aumentar em aproximadamente 50% a produção de etanol do complexo industrial já existente, que opera hoje exclusivamente com cana-de-açúcar. O novo módulo foi dimensionado para processar 642 mil toneladas de milho por ano, resultando em 273 mil metros cúbicos de etanol hidratado e anidro.

Além do combustível, o projeto prevê a fabricação de coprodutos estratégicos para outros segmentos da economia. A projeção da companhia indica a geração anual de 183 mil toneladas de DDG (grão seco destilado), insumo destinado à formulação de rações para bovinos, suínos e aves, e 13 mil toneladas de óleo de milho, matéria-prima empregada nas indústrias alimentícia e química.

Durante a etapa de obras, a Atvos estima a criação de cerca de 2 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Concluída a montagem dos equipamentos, a operação rotineira deverá manter aproximadamente 100 empregos fixos na linha de produção e nas áreas de apoio, contribuindo para a renda local e para a diversificação das atividades econômicas do município.

Com a implantação da unidade, Mato Grosso do Sul passa a contar com quatro usinas em operação ou construção dedicadas ao processamento de milho. As demais instalações pertencem à Inpasa, em Dourados e Sidrolândia, e à CerradinhoBio/Neomille, em Maracaju. Paralelamente, o Estado dispõe de 19 usinas que utilizam cana-de-açúcar como matéria-prima principal.

No último ciclo produtivo, o território sul-mato-grossense registrou volume aproximado de 5 bilhões de litros de etanol, dos quais 44% derivados de milho. A expectativa do setor é que, com a entrada em funcionamento da planta da Atvos, o biocombustível obtido a partir do cereal represente mais da metade da oferta estadual, alterando o perfil da matriz produtiva local.

A integração entre cana e milho é apontada pela empresa como fator decisivo para assegurar operação durante todo o ano, minimizando períodos de entressafra e elevando a eficiência do uso de equipamentos, caldeiras e infraestrutura logística. Essa sinergia também deve potencializar o aproveitamento de resíduos, viabilizando novas rotas tecnológicas, como a produção de biometano a partir de vinhaça e outros subprodutos orgânicos.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, o licenciamento ambiental da obra inclui condicionantes específicas voltadas à gestão de efluentes, à preservação da fauna e flora do entorno e ao monitoramento permanente da qualidade do ar. A pasta ressalta que o cumprimento integral dessas exigências é pré-requisito para o avanço das etapas de construção, com fiscalizações periódicas planejadas.

Para o governo estadual, o empreendimento reforça a estratégia de atrair capitais voltados à economia de baixo carbono, impulsionando cadeias produtivas responsáveis pela geração de energia renovável e pela criação de empregos em áreas rurais e urbanas. A nova planta também contribui para a consolidação de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos nacionais de biocombustíveis, segmento cada vez mais relevante na pauta de exportações e no abastecimento interno de combustíveis sustentáveis.

O cronograma de obras deverá ser detalhado pela Atvos nos próximos meses, após a conclusão de processos complementares de engenharia e contratação de fornecedores. A empresa já confirmou que as primeiras frentes de trabalho se concentrarão na terraplenagem, na instalação de sistemas elétricos e na montagem de tanques de armazenamento.

Com a licença de instalação expedida, a nova usina de etanol de milho marca um passo adicional na diversificação do parque industrial de Nova Alvorada do Sul e amplia as oportunidades de negócios ligadas ao agronegócio regional. Quando totalmente operacional, a unidade se somará às iniciativas de cana-de-açúcar, à produção de biometano e à geração de coprodutos, reforçando a cadeia integrada de bioenergia no Estado.

Isso vai fechar em 35 segundos