O Governo Federal mobilizou uma força-tarefa interministerial para conter o avanço da chikungunya em Dourados, no Mato Grosso do Sul, e autorizou o repasse de mais de R$ 3,1 milhões em recursos emergenciais destinados a assistência humanitária, restabelecimento de serviços e fortalecimento das ações de vigilância e controle do vetor.
Estrutura financeira da resposta
Dos valores aprovados, R$ 1,3 milhão, liberados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, será direcionado a socorro imediato e apoio às estruturas locais de resposta. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil validou um plano de trabalho de R$ 974,1 mil para limpeza urbana, remoção de resíduos e encaminhamento de materiais a aterro sanitário licenciado. Já o Ministério da Saúde transferiu R$ 855,3 mil para custear atividades de vigilância epidemiológica, assistência e combate ao mosquito Aedes aegypti no município.
Força Nacional do SUS em campo
A resposta federal começou em meados de março, sob liderança do Ministério da Saúde. A Força Nacional do Sistema Único de Saúde deslocou 40 profissionais, com 26 deles atualmente em atuação direta. Até o momento, foram realizados 1.288 atendimentos clínicos, 81 remoções para serviços de média e alta complexidade e 225 visitas domiciliares. As equipes trabalham em Dourados, Itaporã e nas aldeias indígenas, reorganizando fluxos assistenciais, ampliando a busca ativa de casos e desenvolvendo ações de educação em saúde.
Reforço a recursos humanos e insumos
Para ampliar a capacidade operacional, o Ministério da Saúde autorizou a contratação emergencial de 50 Agentes de Combate às Endemias (ACEs). Vinte profissionais concluíram o treinamento e iniciam as atividades nesta sexta-feira, 3 de maio, enquanto os demais 30 agentes começam a capacitação na próxima segunda-feira, 6 de maio. No campo da assistência farmacológica, a Fiocruz enviou medicamentos analgésicos destinados ao manejo da dor, suprindo a demanda local decorrente da epidemia.
Ações de controle vetorial
Cerca de 95 profissionais, entre ACEs e Agentes Indígenas de Saneamento, intensificam a eliminação de criadouros e a aplicação de inseticidas. Entre 9 e 16 de março, 4.319 imóveis foram inspecionados; 2.173 receberam tratamento e 1.004 focos do mosquito foram identificados, principalmente em recipientes de armazenamento de água, resíduos sólidos e pneus. Além disso, três ciclos de nebulização ultrabaixo volume (UBV) veicular e aplicações costais foram executados em 43 locais com grande circulação de pessoas. A ação voluntária de retirada de criadouros reuniu aproximadamente 100 moradores e resultou no recolhimento de quatro caminhões-caçamba de materiais inservíveis.
Para fortalecer o enfrentamento, o Ministério da Defesa destacou 40 militares do Exército e cinco viaturas, aumentando a capacidade de visitas e pulverização em áreas críticas. O Ministério da Saúde também distribuiu mil Estações Disseminadoras de Larvicida; das 300 primeiras unidades, 150 já foram instaladas em bairros prioritários e a expansão alcançará outras regiões do município.
Impacto nas comunidades indígenas
A epidemia atinge com maior intensidade a população indígena de Dourados. Dados de 3 de abril indicam 3.081 notificações de chikungunya na região, com 1.259 casos confirmados, 438 descartados e 1.822 em investigação. Nas aldeias, somam-se 914 confirmações, correspondendo a 72,5 % do total. Dentro da Reserva Indígena, registram-se 407 notificações, 202 confirmações, 181 investigações em andamento, 24 descartes e quatro óbitos.
Até o momento, foram confirmadas cinco mortes em Dourados, todas entre indígenas: uma mulher de 69 anos (26/02/2026), um homem de 73 anos (09/03/2026), um bebê de três meses (10/03/2026), uma mulher de 60 anos (12/03/2026) e um bebê de um mês (24/03/2026), moradores das aldeias Jaguapiru ou Bororó.
Infraestrutura emergencial e apoio social
Na Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, na Aldeia Jaguapiru, foi instalado um hospital de campanha para ampliar o atendimento, especialmente em casos com necessidade de observação clínica. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas coordena a distribuição de seis mil cestas de alimentos, prevista para ocorrer em três etapas entre abril e junho, em articulação com o Ministério do Desenvolvimento Social, a Companhia Nacional de Abastecimento, a Secretaria de Saúde Indígena e a Defesa Civil.
Também foi autorizada a expansão do sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, medida que busca garantir água potável e melhores condições sanitárias. Paralelamente, 210 Agentes Indígenas de Saúde e 150 Agentes Indígenas de Saneamento, apoiados por 91 picapes, seis vans e um caminhão, executam ações de vigilância, orientação comunitária e transporte de pacientes.
Coordenação estratégica
Para integrar esforços, o Ministério da Saúde instalou, em 25 de março, uma Sala de Situação em Brasília, que mantém reuniões permanentes de monitoramento. No território, a articulação envolve os ministérios da Saúde, Povos Indígenas, Integração e Desenvolvimento Regional, Defesa e Desenvolvimento Social, além da Funai, do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul e das secretarias estadual e municipal de saúde.
Entre as medidas de comunicação, mais de 234 mil moradores receberão mensagens de prevenção via WhatsApp, em português e na língua indígena local. As equipes de saúde municipal e indígena também passam por capacitações baseadas no protocolo nacional de chikungunya, com foco na identificação precoce de casos graves e no manejo clínico adequado.
Com a liberação de recursos, a ampliação de equipes e a integração de órgãos federais, estaduais e municipais, a força-tarefa busca acelerar o restabelecimento de serviços essenciais, conter a transmissão do vírus e reduzir impactos da epidemia na população de Dourados, especialmente nas comunidades indígenas mais vulneráveis.








