Campo Grande (MS) – A paralisação do transporte coletivo na capital sul-mato-grossense, marcada para a próxima segunda-feira, 15 de dezembro, permanece confirmada. O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) informou que o Consórcio Guaicurus, responsável pelo sistema de ônibus urbano, depositou somente 50% da folha salarial referente a novembro, montante que deveria ter sido quitado integralmente até 5 de dezembro.
Segundo o presidente do sindicato, Demétrio Freitas, o depósito parcial realizado no fim da tarde de ontem não altera a decisão tomada pela categoria em assembleias realizadas nas garagens do consórcio. Os motoristas condicionam a suspensão da greve ao pagamento de 100% dos salários de novembro, da segunda parcela do 13º salário e do adiantamento previsto para 20 de dezembro. Como esses valores seguem pendentes, a paralisação foi mantida.
A greve foi aprovada na madrugada de quinta-feira, 11 de dezembro, em reuniões simultâneas nas garagens localizadas na Avenida Gury Marques e no bairro Ana Maria do Couto. Mais de 200 motoristas participaram das votações, que terminaram com aprovação unânime da interrupção dos serviços. O movimento abrange condutores, cobradores e demais funcionários vinculados ao STTCU-CG.
De acordo com a entidade sindical, o atraso atual rompe um padrão que, até então, limitava-se ao adiantamento salarial, correspondente a cerca de 40% da remuneração mensal. Pela primeira vez o pagamento integral do salário sofreu atraso, gerando incerteza sobre o recebimento do 13º salário e do vale referente ao mês de dezembro.
O calendário de pagamentos do transporte coletivo determina que o salário do mês deve ser quitado até o quinto dia útil do mês subsequente. Já a segunda parcela do 13º salário e o adiantamento do dia 20 constituem obrigações adicionais previstas em convenção coletiva. O sindicato afirma ter sido avisado de que o Consórcio Guaicurus não dispõe de recursos para cumprir esses compromissos dentro do prazo.
A manutenção da greve deverá afetar todo o sistema de ônibus urbano de Campo Grande a partir da zero hora de segunda-feira. A categoria planeja concentrar-se nas portas das garagens para garantir a adesão dos colegas e impedir a saída dos veículos. Até o momento, não foi apresentada proposta formal de parcelamento ou de novo cronograma de pagamentos que pudesse ser analisada pela assembleia dos trabalhadores.
O Consórcio Guaicurus é formado por quatro empresas de transporte que operam as linhas da capital. Em anos anteriores, o grupo enfrentou negociações com o município em torno de reajustes tarifários e subsídios. No episódio atual, o sindicato dos motoristas não menciona reivindicação de aumento salarial ou revisão de benefícios; a mobilização concentra-se exclusivamente na quitação de valores já vencidos.
As tratativas ocorrem em meio ao período de maior demanda por transporte público em função do encerramento do ano letivo e das compras de fim de ano. Caso não haja acordo até domingo, a paralisação deverá impactar o deslocamento de milhares de usuários na segunda-feira. O STTCU-CG informa que, se for confirmado o pagamento integral dos débitos antes do início do movimento, os trabalhadores podem retomar as atividades imediatamente, sem necessidade de nova assembleia.
Até a publicação desta reportagem, não havia posicionamento público do Consórcio Guaicurus sobre a possibilidade de complementar os 50% restantes do salário de novembro nem sobre o cronograma de pagamento do 13º salário e do adiantamento. O sindicato mantém abertas as negociações, mas ressalta que só reconsiderará a greve com a quitação total dos valores pendentes.
Com a paralisação mantida, o sindicato orienta os usuários a buscarem meios alternativos de transporte na próxima semana, enquanto aguarda eventual reabertura de diálogo entre as partes. Caso o impasse persista, os trabalhadores prometem permanecer mobilizados até que todas as obrigações salariais sejam honradas.









