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Greve do transporte coletivo ameaça faturamento do comércio em semana decisiva para o Natal em Campo Grande

A paralisação dos motoristas do transporte coletivo em Campo Grande, iniciada na segunda-feira, 15, já provoca efeitos significativos sobre a economia local e pode resultar em prejuízo de aproximadamente R$ 10 milhões para comércio e serviços, de acordo com estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). A interrupção das linhas ocorre justamente na semana considerada uma das mais importantes para as vendas de Natal, período em que boa parte do varejo depende do aumento do fluxo de clientes para equilibrar o faturamento anual.

O movimento grevista atinge cerca de 110 mil usuários, que ficaram sem a principal opção de deslocamento. Sem ônibus circulando, trabalhadores relatam dificuldade para chegar aos empregos e consumidores deixam de frequentar as áreas de compras, especialmente o comércio de rua concentrado na região central de Campo Grande. Segundo a CDL, a queda no volume de pessoas impacta diretamente o resultado financeiro dos estabelecimentos, que projetavam reforçar o caixa antes do encerramento do ano.

A categoria reivindica o pagamento de salários e benefícios atrasados, como vales, e aponta que aproximadamente mil motoristas aderiram à paralisação. Representantes do Consórcio Guaicurus, responsável pelo serviço, afirmam que buscam recursos para regularizar os repasses, mas ainda não apresentaram um cronograma concreto à classe trabalhadora. Sem avanço nas tratativas, a greve permanece sem previsão de término.

O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, avalia que o prejuízo projetado envolve não apenas lojas, mas também bares, restaurantes, salões de beleza e outros segmentos dependentes da circulação cotidiana. Ele destaca que o faturamento obtido na segunda quinzena de dezembro costuma representar parte expressiva da receita anual, e que a atual crise ameaça comprometer postos de trabalho temporários abertos para atender à demanda de Natal.

Para tentar minimizar os danos, algumas empresas adotaram horários reduzidos de funcionamento ou concederam folgas a funcionários que não conseguiram chegar. Outras passaram a ofertar transporte alternativo, o que elevou custos operacionais. Mesmo assim, lojistas apontam queda de movimento em comparação com o mesmo período do ano passado, quando não havia restrições de mobilidade.

A Justiça determinou a circulação mínima de parte da frota durante a greve e fixou multa diária para o descumprimento da medida. Apesar da decisão, a maior parte dos veículos continua fora de operação. O sindicato argumenta que não há condições de manter serviço parcial sem a regularização dos pagamentos, enquanto o consórcio sustenta dificuldades financeiras diante da queda de passageiros e da alta no preço dos insumos.

Autoridades municipais monitoram a situação e mantêm diálogo com as partes envolvidas, mas ainda não apresentaram proposta que contemple trabalhadores e empresa. A Secretaria de Mobilidade alerta para o impacto social do impasse, lembrando que o transporte coletivo é essencial para estudantes, idosos, profissionais da saúde e outros grupos que dependem do sistema para atividades diárias.

A perspectiva de prolongamento da greve preocupa também o setor de serviços. Restaurantes localizados em bairros mais afastados registram cancelamentos de reservas, e prestadores autônomos relatam perdas por falta de deslocamento dos clientes. Para o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, o prejuízo pode ser maior que o estimado se a paralisação ultrapassar a semana natalina.

Enquanto isso, motoristas permanecem concentrados em garagens e terminais, aguardando novas rodadas de negociação. O sindicato afirma que pretende retomar as atividades assim que receber proposta concreta de pagamento, mas descarta encerrar a mobilização sem garantia de que os valores em atraso serão quitados.

Do lado empresarial, o Consórcio Guaicurus argumenta que depende de repasses pendentes do poder público e de revisão tarifária para equilibrar as contas. A administração municipal não confirma débito com a concessionária e afirma que “estuda alternativas” para assegurar a continuidade do serviço, sem detalhar prazo para decisão.

Com o avanço do calendário, lojistas reforçam campanhas de vendas on-line e entregas em domicílio, tentando compensar a ausência de público nas lojas físicas. Entretanto, a CDL observa que grande parcela dos consumidores locais prefere realizar compras presenciais na reta final para o Natal, especialmente em segmentos como vestuário, calçados e artigos de decoração.

Sem consenso entre motoristas, empresa e prefeitura, a greve segue por tempo indeterminado, ampliando a incerteza sobre o desempenho econômico de Campo Grande nas últimas semanas do ano. Comerciantes aguardam desfecho rápido para evitar perdas adicionais e garantir o atendimento à demanda típica do período festivo.