Ítalo Luiz Franco e Silva, de 39 anos, foi localizado sem vida na tarde de terça-feira, 13, dentro da casa onde morava, na rua Projetada A, bairro Jardim Carandá, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O caso mobilizou equipes da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Polícia Científica.
De acordo com informações apuradas no local, parentes estranharam a falta de contato de Ítalo e decidiram ir até o imóvel. Ao entrarem na residência, encontraram o corpo caído no interior de um dos cômodos, já sem sinais vitais. Imediatamente, os familiares acionaram a 3ª Delegacia de Polícia Civil, que deslocou agentes para iniciar as providências legais.
Para preservar a cena e averiguar a possibilidade de crime, a Polícia Civil solicitou apoio da Força Tática da Polícia Militar e da Seção de Investigações Gerais (SIG). Durante o atendimento, os policiais constataram a presença de uma lesão na região da cabeça de Ítalo, além de vestígios de sangue próximos ao corpo. A existência do ferimento levou as equipes a trabalharem, a princípio, com a hipótese de ocorrência violenta.
Com a suspeita inicial, a Polícia Científica foi acionada para realizar perícia no corpo e no interior do imóvel. Os peritos executaram os procedimentos de praxe, coletaram amostras e fotografaram o local a fim de verificar possíveis sinais de luta, arrombamento ou outros elementos que pudessem indicar envolvimento de terceiros.
Concluído o trabalho pericial preliminar, os especialistas descartaram indícios de homicídio. O laudo inicial apontou que a causa mais provável do óbito foi um traumatismo craniano decorrente de queda. Segundo a avaliação técnica, a lesão identificada na cabeça era compatível com o impacto contra superfície rígida, e não foram observados sinais de agressão direta ou utilização de arma.
Durante a varredura no interior da residência, os agentes encontraram objetos assemelhados a entorpecentes destinados ao consumo pessoal. Entre eles, foi recolhida uma porção de substância identificada como cocaína, encaminhada posteriormente para análise laboratorial. Todo o material apreendido ficou à disposição da autoridade policial responsável pelo inquérito.
Apesar de o laudo preliminar afastar a suspeita de crime, o boletim de ocorrência foi registrado como “morte a esclarecer”. Esse enquadramento permite à Polícia Civil manter as investigações abertas até que o resultado definitivo da perícia, incluindo exames toxicológicos e laudo cadavérico, seja concluído e juntado aos autos. Apenas com a confirmação final será possível encerrar o procedimento e oficializar a causa da morte.
Ítalo Luiz Franco e Silva exercia a profissão de cozinheiro, segundo relato de pessoas próximas. Ele residia sozinho na casa onde foi encontrado e, conforme vizinhos, não havia registro de movimentação incomum antes do ocorrido. A identificação temporal da morte será determinada a partir do exame tanatológico, que leva em conta fatores como rigidez cadavérica, temperatura corporal e características ambientais.
O corpo foi removido por equipe funerária após a liberação da perícia e encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Três Lagoas. No instituto, serão realizados exames complementares para confirmar a dinâmica da queda, definir o ponto de impacto e verificar eventuais substâncias presentes no organismo da vítima.
Enquanto aguarda a conclusão dos laudos, a Polícia Civil permanece colhendo depoimentos de familiares, amigos e vizinhos. A escuta das testemunhas serve para esclarecer a rotina de Ítalo, eventuais problemas de saúde, consumo de álcool ou outras circunstâncias que possam contribuir para a interpretação dos resultados periciais.
A ocorrência reforça a prática das autoridades de, sempre que existir morte com circunstância atípica ou lesão aparente, preservar o local, reunir vestígios e adotar todos os protocolos investigativos antes de estabelecer a causa oficial. A investigação detalhada é considerada fundamental para garantir precisão técnica, descartar eventual crime ou confirmar acidente doméstico.
Até o momento, não há previsão de divulgação do laudo definitivo. Assim que o documento estiver concluído, a delegacia responsável encaminhará o resultado ao Ministério Público e comunicará a família da vítima. Caso nenhuma nova evidência seja encontrada, o procedimento será encerrado com a classificação de morte acidental.
O caso segue em apuração sob responsabilidade da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Três Lagoas.









