Um homem foi identificado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após se apresentar falsamente como delegado e ameaçar uma moradora e o cachorro dela no bairro Otávio Pecora, em Campo Grande. A vítima havia procurado a Segunda Delegacia de Polícia na segunda-feira (5) para registrar boletim de ocorrência relatando o episódio, que começou em dezembro do ano passado.
Segundo o relato levado à autoridade policial, o problema teve início quando o animal de estimação escapou da residência da tutora e defecou em frente à casa de um vizinho. Dias depois, ainda em dezembro, o homem foi até o imóvel da proprietária do cachorro, demonstrou irritação, declarou-se delegado de polícia e afirmou que atiraria no animal caso voltasse a sujar o local. A moradora descreveu o autor como branco, calvo, com barba e aparência de aproximadamente 50 anos.
Embora tenha formalizado a ocorrência, a vítima informou que, neste momento, não pretende oferecer representação criminal. O registro foi feito para documentar a ameaça e garantir eventual responsabilização futura. De acordo com a legislação, o ofendido dispõe de até seis meses, contados a partir da data do fato, para decidir se deseja representar formalmente pelo crime de ameaça.
Após diligências realizadas pela equipe da Segunda Delegacia, os investigadores confirmaram a identidade do suspeito. Trata-se de um homem de 56 anos que ocupa cargo comissionado vinculado ao Poder Executivo Federal. A apuração também constatou que ele não possui qualquer vínculo funcional com a Polícia Civil ou com a carreira de delegado, desmentindo a apresentação feita à vizinha.
O inquérito, por ora, permanece em fase administrativa, aguardando eventual manifestação da parte ofendida. Caso a vítima decida representar, o investigado poderá responder pelo crime de ameaça previsto no artigo 147 do Código Penal, sancionado com pena de até seis meses de detenção ou multa, além de possível enquadramento por falsa identificação de função pública.
A polícia ainda ressaltou que o boletim de ocorrência foi registrado como ameaça, uma vez que a conduta descrita pela moradora caracteriza intimidação capaz de gerar temor quanto à integridade do animal e, por extensão, da própria tutora. Como nenhum ato de violência efetiva ocorreu, o procedimento inicial não incluiu tipificação por maus-tratos.
O caso segue em aberto para eventuais complementações. Se a representação for apresentada dentro do prazo legal, a Delegacia poderá ouvir formalmente o autor, coletar testemunhos e, conforme necessidade, encaminhar o procedimento ao Ministério Público para análise de denúncia. Caso contrário, o registro permanecerá arquivado como notícia de fato, servindo como histórico em situações semelhantes que possam ocorrer na vizinhança.
Até a conclusão desta etapa, não há medida judicial restritiva imposta ao suspeito. No entanto, a Polícia Civil orientou a vítima a procurar novamente a unidade caso volte a sentir-se ameaçada ou perceba qualquer ação que coloque o animal em risco. A moradora também foi informada sobre a possibilidade de solicitar medidas protetivas, caso entenda necessário, a fim de preservar a tranquilidade no convívio de vizinhança.
O bairro Otávio Pecora, onde a ocorrência foi registrada, é predominantemente residencial. Segundo o boletim, não havia histórico anterior de desentendimentos graves entre os envolvidos. A identificação rápida do autor foi possível graças a informações repassadas pela própria vítima, que forneceu características físicas detalhadas, e ao cruzamento de dados administrativos feito pelos agentes da Segunda Delegacia.
Com a investigação preliminar concluída, as informações sobre o acusado foram encaminhadas para o sistema de dados da Polícia Civil. O objetivo é garantir acompanhamento caso novos chamados relacionados a ameaças ou possível dano ao animal sejam feitos no mesmo endereço. A Polícia reforça que qualquer pessoa que se sentir intimidada deve procurar imediatamente a delegacia mais próxima para registrar ocorrência e assegurar os procedimentos legais cabíveis.









