Um homem de 42 anos, investigado por fraudes financeiras em diversos estados, foi preso na manhã desta terça-feira (6) em Feira de Santana, interior da Bahia, durante a Operação Fake Love. A ação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) do município, cumpriu mandado expedido pela 1ª Vara Criminal local pelo crime de estelionato.
De acordo com as investigações, o suspeito se apresentava como líder religioso em um grupo de aplicativo de mensagens para atrair mulheres e estabelecer vínculos afetivos fictícios. Após ganhar confiança, pedia transferências em dinheiro sob diferentes pretextos, prática que teria provocado prejuízos em Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Sergipe, Paraná e Goiás. Há registro de ocorrências também em delegacias de Feira de Santana e Salvador.
Estratégia de aproximação virtual
Os levantamentos apontam que o investigado criou e administrava um grupo fechado no aplicativo, onde publicava conteúdo de cunho espiritual e mensagens motivacionais. Nesse ambiente, estabelecia conversas privadas com participantes, apresentava-se como conselheiro religioso e, posteriormente, iniciava supostos relacionamentos amorosos. Conforme a polícia, o discurso era mantido por semanas ou meses até que as vítimas se mostrassem dispostas a auxiliar financeiramente o falso líder em situações emergenciais ou projetos inexistentes.
A corporação apurou que, após receber os valores, o suspeito rompia o contato ou inventava novas justificativas para solicitar quantias adicionais. O padrão foi identificado em boletins de ocorrência apresentados em Campo Grande (MS) e em delegacias de outros quatro estados, além da Bahia. Na maioria dos casos, as vítimas descobriram o golpe somente depois de perceberem a inexistência dos compromissos alegados.
Mandado e localização
Com base nas denúncias e em documentos que indicavam movimentações bancárias compatíveis com o esquema, a DRFR representou pela prisão preventiva. A ordem judicial foi expedida no fim de janeiro. A equipe localizou o investigado em um imóvel no bairro da Conceição, em Feira de Santana. Segundo a polícia, ele não apresentou resistência e foi conduzido à unidade policial para os procedimentos de praxe.
Além do estelionato, o inquérito apura indícios de furto mediante fraude, uso de documento falso e invasão de dispositivo informático, já que o homem teria acessado dados pessoais de algumas vítimas sem autorização. Os relatórios colhidos até o momento revelam que o golpe se concentrava em mulheres que buscavam orientação espiritual ou aconselhamento sentimental.
Alvos em Mato Grosso do Sul e outros estados
Embora a prisão tenha ocorrido na Bahia, o caso teve origem em Mato Grosso do Sul, onde as primeiras vítimas formalizaram queixa. A partir dessa investigação, surgiram relatos semelhantes em Pernambuco, Sergipe, Paraná e Goiás. Documentos remetidos pelas polícias civis desses estados descrevem a mesma metodologia aplicada pelo suspeito: criação de círculos virtuais com temática religiosa, aproximação afetiva e solicitação de transferências.
Em Campo Grande, por exemplo, uma vítima relatou perdas que ultrapassam R$ 20 mil. Em Pernambuco, outra mulher afirmou ter repassado valores em várias transações, acreditando contribuir para um projeto social que jamais saiu do papel. A existência de novos casos ainda não denunciados permanece sob análise das equipes responsáveis.
Situação atual e próximos passos
O preso permanece custodiado na carceragem da Polícia Civil de Feira de Santana e ficará à disposição da Justiça. Ele deve ser ouvido novamente nos próximos dias, quando as autoridades pretendem esclarecer a participação em ocorrências fora da Bahia. A expectativa é de que os inquéritos tramitem de forma integrada, permitindo o compartilhamento de provas entre as delegacias envolvidas.
As investigações continuam para identificar possíveis contas bancárias utilizadas no esquema, levantar a dimensão dos prejuízos e localizar demais vítimas. Qualquer pessoa que tenha mantido contato com o suspeito em condições semelhantes é orientada a procurar a delegacia mais próxima e formalizar representação.
Segundo a Polícia Civil baiana, a Operação Fake Love segue em curso para reunir novos elementos probatórios. Até o momento, não há estimativa oficial do montante subtraído, mas as autoridades não descartam que o valor ultrapasse centenas de milhares de reais quando todas as ocorrências forem consolidadas.
O nome do investigado não foi divulgado pela polícia em razão da Lei de Abuso de Autoridade. Ainda não há previsão para transferência ou audiência de custódia em outra comarca. Enquanto isso, as delegacias onde há boletins registrados prosseguem no trabalho de coleta de documentos, depoimentos e dados bancários, a fim de reforçar a acusação e ampliar a responsabilização pelos crimes apontados.









