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Horários estendidos de espaços culturais transformam Centro de Campo Grande em opção de lazer aos fins de semana

Uma mudança recente no funcionamento de museus, galerias e centros de memória está reposicionando o Centro de Campo Grande como alternativa de lazer para moradores e visitantes. A ampliação de horários, agora incluindo sábados e domingos, facilita o acesso a parte importante do patrimônio histórico da capital sul-mato-grossense e permite roteiros curtos, sem necessidade de planejamento complexo.

Caminho começa na Morada dos Baís

O passeio pode iniciar na Morada dos Baís, casarão erguido no início do século XX, que preserva traços da família pioneira responsável pela construção. O endereço passou a abrir também aos sábados, das 8h às 12h. Logo na entrada, a escadaria de madeira em tom vermelho conduz ao pavimento superior, onde se encontram os antigos quartos, entre eles o de Lígia Baís. No andar térreo, os salões que antes serviam de recepção hoje abrigam salas de exposição e uma loja de artesanato regional.

O tour guiado, que costumava apresentar detalhes arquitetônicos e curiosidades da residência, está suspenso temporariamente em razão de reformas no restaurante instalado no imóvel. Apesar disso, a visitação permanece liberada, mantendo o fluxo constante de pessoas. Para a professora aposentada Magda Schultz, 60 anos, a nova faixa de horário corrige uma limitação antiga e torna a parada indispensável para quem deseja compreender a formação urbana de Campo Grande.

Da antiga estação ferroviária ao polo de arte contemporânea

A poucos quarteirões dali, a Plataforma Cultural, conhecida como Esplanada Ferroviária, reúne memória e criação artística. O local, que serviu de ponto estratégico para chegada e partida de trens, hoje concentra ateliês, oficinas e exposições na Galeria de Vidro. O espaço também abriga o Armazém Cultural e a associação dos ferroviários, compondo um ambiente que mescla passado industrial e produção contemporânea.

Presente há mais de dez anos na Plataforma, o artista visual Sidney Lemes observa que grande parte do público ainda descobre o complexo pela primeira vez. Segundo ele, a curiosidade costuma se transformar em conversas sobre a história do prédio e, posteriormente, em interesse por cursos e atividades oferecidos ali. O resultado é um intercâmbio constante entre frequentadores habituais e visitantes ocasionais, reforçado pelos novos horários de fim de semana.

Outras instituições aderem ao modelo

O movimento de ampliação não se restringe aos dois pontos mais tradicionais do Centro. A Casa de Cultura passou a funcionar também aos sábados e domingos, das 9h às 12h, além do expediente regular durante a semana. O espaço mantém exposições rotativas de artistas locais e realiza eventos voltados a literatura, música e artes cênicas.

Na região do bairro Tiradentes, o Memorial da Cultura Indígena adotou o mesmo formato, recebendo visitantes nas manhãs de sábado e domingo. O local reúne acervo de peças utilitárias, fotografias e registros audiovisuais que documentam a presença de diferentes etnias no estado. A expansão procura aproximar esse conteúdo de quem não consegue visitá-lo de segunda a sexta-feira.

Outro ícone histórico, o Museu José Antônio Pereira, instalado em antiga fazenda que deu origem ao núcleo urbano de Campo Grande, agora funciona inclusive aos fins de semana, das 13h às 17h. A instituição conserva mobiliário, utensílios e documentos que reconstroem a rotina da família do fundador do município.

Efeito no fluxo de pessoas e na percepção do Centro

Com a flexibilização dos horários, o Centro deixa de ser visto apenas como área de passagem durante a semana e passa a ocupar papel de destino turístico e cultural. A possibilidade de percorrer vários pontos em poucas horas estimula caminhadas, passeios em família e pequenas compras em feiras de artesanato instaladas nas proximidades. Comerciantes relatam aumento moderado no movimento das redondezas, especialmente em cafeterias e restaurantes que ajustaram o expediente para atender à nova demanda.

A iniciativa atende principalmente moradores que trabalham ou estudam em bairros afastados e enfrentam dificuldade para circular no Centro em horários comerciais. Ao trazer o público de volta às ruas históricas nos fins de semana, gestores culturais pretendem reforçar o vínculo afetivo com o patrimônio local e promover a ocupação qualificada do espaço público.

Próximos passos

Segundo organizadores dos equipamentos culturais, a estratégia de abertura estendida será mantida em caráter permanente, com possibilidade de expansão para feriados prolongados e eventos sazonais. A expectativa é que o incremento de fluxo justifique investimento contínuo em manutenção predial, programação diversificada e ações educativas voltadas a escolas e grupos turísticos.

Enquanto isso, quem passar por Campo Grande pode incluir o Centro no roteiro de fim de semana e percorrer, a pé, marcos que contam a história da cidade, agora disponíveis em horários mais acessíveis.

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