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Família denuncia morte de idoso após recusa de cirurgia na Santa Casa de Campo Grande

Campo Grande – Um idoso que estava internado na Santa Casa de Campo Grande morreu depois que, segundo relatos da família, a cirurgia indicada para tratar uma fratura não foi realizada. O boletim de ocorrência foi registrado neste sábado (17), e os parentes pedem investigação sobre as circunstâncias do atendimento.

De acordo com o documento policial, o paciente era acolhido no Centro Especializado para Idosos (CEI), localizado no bairro Monte Castelo. No dia 12 de janeiro de 2026, ele sofreu uma queda dentro da instituição. Após o acidente, o idoso foi levado inicialmente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino.

Na UPA, familiares informam que o aparelho de raio-x estava fora de funcionamento, o que impossibilitou exames de imagem. Diante da situação, a equipe encaminhou o paciente para a Santa Casa, onde foi constatada fratura em um dos dedos da mão esquerda. A avaliação médica indicou a necessidade de procedimento cirúrgico para correção do ferimento.

Os familiares afirmam que, mesmo com a recomendação clínica, o procedimento não foi realizado. Segundo o boletim de ocorrência, o médico responsável teria declarado que não faria a cirurgia porque estava com salário atrasado e, além disso, não havia sala operatória disponível naquele momento. Para os parentes, a negativa interferiu diretamente no quadro do idoso, que não resistiu.

O sobrinho da vítima, responsável por registrar a ocorrência, relata que tentou acesso ao prontuário para entender as decisões adotadas durante o atendimento. Ele afirma que o documento não foi fornecido pela equipe hospitalar. A falta de informações médicas e a recusa em realizar o procedimento são os principais pontos questionados pela família.

O registro na Polícia Civil foi feito com base no artigo 268 do Código Penal, que trata de infração de medida sanitária preventiva, e no artigo 135, que trata de omissão de socorro, além de outras referências legais que a família julga pertinentes à investigação. A intenção é que o caso seja apurado para verificar se houve negligência, imperícia ou outra irregularidade no atendimento.

A Santa Casa de Campo Grande foi procurada para comentar os fatos relatados, mas, até a conclusão desta reportagem, não havia enviado posicionamento. O hospital é referência em atendimento público na capital sul-matogrossense e recebe pacientes encaminhados por unidades de pronto atendimento e pela rede básica de saúde.

O Centro Especializado para Idosos, onde o paciente residia, não foi incluído no boletim como alvo de investigação. Porém, a família destacou que a queda ocorreu dentro da instituição no dia 12 de janeiro e que, a partir desse episódio, todo o atendimento passou a ser acompanhado pelos parentes.

O sobrinho declara que o parente chegou consciente ao hospital, mas o quadro teria se agravado nos dias seguintes. Ele afirma que buscou informações sobre a evolução clínica e insistiu para que o procedimento fosse realizado, sem sucesso. A morte do idoso ocorreu antes que a cirurgia fosse marcada.

Neste momento, o caso segue sob responsabilidade da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, em Campo Grande. Os investigadores devem ouvir familiares, profissionais de saúde envolvidos e solicitar documentos médicos, incluindo laudo de necropsia, prontuário completo e registros de plantão, para esclarecer a dinâmica dos fatos.

A família aguarda a coleta de depoimentos e as análises periciais. Os parentes reforçam que a intenção do boletim é assegurar a devida apuração e evitar que situações semelhantes ocorram com outros pacientes.

Até agora, não há confirmação oficial sobre a relação entre a falta da cirurgia e o óbito, nem sobre as alegações de atraso salarial feitas ao parente. As autoridades devem concluir o inquérito após reunir laudos, escutas e eventuais relatórios internos do hospital.

O caso envolve questões trabalhistas, condições de infraestrutura hospitalar e o direito do paciente a tratamento adequado, fatores que, segundo a família, precisam ser esclarecidos para apontar eventuais responsabilidades civis ou criminais.