Um morador de 74 anos do bairro Caiçara, em Campo Grande (MS), registrou um prejuízo de R$ 11.430,24 depois de seguir orientações de golpistas que se apresentaram como funcionários de um conhecido serviço de pagamento automático de pedágios. O caso, classificado como fraude eletrônica pela polícia, foi comunicado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol).
Conforme o boletim de ocorrência, o contato fraudulento começou por mensagem de celular. O texto informava que, para evitar cobranças indevidas, o cliente deveria confirmar dados ou solicitar a suspensão temporária do serviço. O idoso, que planejava viajar somente no fim do ano, respondeu dizendo que desejava pausar a cobrança enquanto não utilizasse as rodovias pedagiadas.
Depois da resposta, os estelionatários pediram que ele fornecesse informações pessoais e bancárias, alegando necessidade de “atualização de cadastro”. A vítima informou nome completo, CPF, modelo e placa do veículo, além da instituição financeira responsável pelos débitos do serviço. Minutos depois, recebeu uma ligação de uma pessoa que se identificou como atendente do suposto suporte ao cliente.
Durante a conversa telefônica, o golpista alegou existir uma pendência de R$ 106 referente a uma viagem anterior. Para regularizar a conta, orientou o envio imediato do valor via Pix, garantindo que a quantia seria estornada em seguida, sob o argumento de “comprovar titularidade”. Sem desconfiar, o homem realizou a transferência solicitada.
A ligação prosseguiu e, sob diferentes justificativas, como desbloqueio do serviço e liberação de limite, o interlocutor passou a exigir valores maiores. Primeiro, orientou a vítima a transferir R$ 5.000 para uma chave Pix fornecida “pela central”. Em seguida, pediu outro Pix de R$ 4.999, afirmando que a segunda transação completaria o procedimento de regularização. Todas as orientações foram seguidas.
Além das duas transferências, o idoso descobriu posteriormente uma compra não autorizada no valor de R$ 1.431,24, debitada na mesma conta vinculada ao serviço de pedágio. Somando ambas as remessas e a despesa irregular, o prejuízo totalizou R$ 11.430,24.
Ao perceber que nenhuma restituição havia sido feita e que novos débitos continuavam a aparecer, a vítima foi até a agência bancária onde mantém conta. Lá, confirmou que as transações haviam sido concluídas, mas não retirou extratos nem conseguiu identificar outros lançamentos suspeitos. Ainda no banco, pediu o bloqueio imediato de sua chave Pix e solicitou monitoramento de eventuais tentativas de movimentação.
Paralelamente, o idoso entrou em contato com a central oficial do serviço de pedágio automático. A empresa informou não haver qualquer pendência vinculada à sua placa ou CPF e orientou o cancelamento temporário da tag, procedimento que também foi realizado. O atendimento reforçou que não solicita pagamentos por meio de ligações ou mensagens de texto, tampouco utiliza chaves Pix individuais para regularização de supostos débitos.
Com todos os documentos em mãos, a vítima se dirigiu à Depac/Cepol para registrar boletim de ocorrência. A polícia classificou o episódio como fraude eletrônica, modalidade de estelionato que envolve meios digitais e transferência de valores pela internet. O caso será encaminhado ao setor responsável por crimes cibernéticos, que tentará rastrear as chaves Pix utilizadas e identificar os responsáveis pelas ligações.
Autoridades reforçam recomendações de segurança para usuários de serviços de pedágio automático e de demais plataformas de pagamento: desconfiar de cobranças inesperadas, evitar repassar dados pessoais por telefone ou mensagem e confirmar qualquer pendência diretamente nos canais oficiais da empresa. Em caso de dúvida ou suspeita de golpe, a orientação é interromper o contato, não efetuar transferências e procurar imediatamente a instituição bancária e a polícia.








