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IGP-M recua 0,73% em fevereiro e reforça queda de preços em 12 meses

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), referência para correções de contratos de aluguel e de diversos serviços no país, registrou queda de 0,73% em fevereiro, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o indicador acumula retração de 2,67% nos últimos 12 meses, ampliando o movimento de desaquecimento iniciado no ano passado.

A variação negativa reverte o avanço observado em janeiro e representa uma mudança expressiva em relação a fevereiro de 2025, quando o índice havia subido 1,06% no mês e mais de 8% no intervalo de 12 meses. Esse cenário, há um ano, mantinha forte pressão sobre reajustes de aluguéis, tarifas públicas e contratos de prestação de serviços. A trajetória atual, em sentido oposto, tende a aliviar os aumentos previstos para consumidores e empresas.

Commodities puxam a desaceleração

A principal contribuição para a queda do IGP-M partiu da redução nos preços de commodities que têm peso significativo na estrutura produtiva brasileira. O minério de ferro, matéria-prima fundamental para a indústria de transformação e para o setor de construção, recuou 6,92% em fevereiro. A soja, importante item do agronegócio e base para a produção de ração animal e óleo vegetal, teve queda de 6,36%. Já o café, outro produto de destaque na pauta de exportações, caiu 9,17% no mesmo período.

A desaceleração desses insumos reduz pressões de custos ao longo de toda a cadeia, beneficiando segmentos que utilizam as matérias-primas na fabricação de bens intermediários e finais. Esse efeito se refletiu diretamente no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% da composição do IGP-M. O IPA encolheu 1,18% em fevereiro, revertendo a alta observada em janeiro e contribuindo decisivamente para o resultado geral do indicador.

Preços ao consumidor sobem em ritmo menor

No âmbito do varejo, a inflação também perdeu fôlego. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, avançou 0,30% em fevereiro, ritmo inferior ao do mês anterior. Alimentação, saúde, educação e transportes, grupos de maior peso no orçamento das famílias, exibiram variações mais moderadas, apontando para uma menor pressão sobre o poder de compra dos consumidores.

Embora ainda positivo, o comportamento do IPC indica que parte da redução nos custos de produção começa a se transmitir aos preços finais, tendência acompanhada de perto por analistas que avaliam os impactos sobre a inflação oficial medida pelo IPCA e sobre as decisões de política monetária.

Mão de obra alivia custo da construção

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente que responde pelos 10% restantes da fórmula do IGP-M, subiu 0,34% em fevereiro. A alta foi menor que a verificada no início do ano, resultado associado principalmente à desaceleração dos custos de mão de obra, influenciados por acordos coletivos mais contidos e pela estabilidade de preços de materiais básicos.

Com o avanço mais lento do INCC, o impacto sobre obras residenciais e empresariais também tende a ser limitado no curto prazo, favorecendo a manutenção de cronogramas e orçamentos em projetos de diferentes portes.

Efeitos sobre contratos e tarifas

Por ser o parâmetro mais utilizado pelos mercados imobiliário e de serviços para atualizações de valores, o comportamento do IGP-M possui efeito direto em milhares de contratos. Em ciclos de alta, proprietários costumam repassar integralmente a variação do índice, encarecendo aluguéis residenciais e comerciais. Já em períodos de queda, como o registrado atualmente, a tendência é de reajustes menores ou mesmo de redução real dos valores praticados, dependendo das negociações entre locadores e locatários.

Além do segmento imobiliário, empresas que firmam contratos de longo prazo atrelados ao IGP-M, bem como concessionárias de serviços públicos, acompanham a evolução do indicador para calibrar revisões tarifárias. A sequência de taxas negativas observada nos últimos meses sinaliza menor pressão inflacionária em 2026, caso o comportamento dos preços de atacado e varejo se mantenha estável.

Para os próximos meses, o desempenho do índice seguirá condicionado à trajetória das commodities agrícolas e minerais, aos níveis de demanda interna e às condições climáticas que influenciam a produção. A FGV divulgará a próxima leitura do IGP-M no fim de março, quando será possível avaliar se a tendência de deflação se consolida ou se surgirão novos fatores de pressão sobre os preços.

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