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SUS passa a oferecer Implanon gratuitamente em Três Lagoas; confira os critérios de acesso

Moradoras de Três Lagoas com indicação médica já podem recorrer ao Sistema Único de Saúde para obter, sem custo, o Implanon, implante subcutâneo considerado um dos métodos contraceptivos mais eficazes atualmente. A oferta foi incorporada à rotina da rede municipal de saúde, mas o dispositivo não é disponibilizado a pedido da usuária: ele depende de critérios clínicos e sociais estabelecidos pelo Ministério da Saúde e avaliados por profissionais especializados.

Faixa etária e perfis prioritários

De acordo com a ginecologista e mastologista Nayara Casimiro, da Clínica da Mulher, o implante pode ser indicado a mulheres de 14 a 49 anos. Dentro desse intervalo, apresentam prioridade:

Adolescentes a partir dos 14 anos que já iniciaram atividade sexual;

Pessoas com condições clínicas específicas, como histórico de trombofilia, imunossupressão ou diabetes com mais de duas décadas de evolução e lesão em órgão-alvo;

Mulheres em situação de vulnerabilidade social, que necessitam de um método de longa duração e de alta eficácia para reduzir riscos associados a uma gravidez não planejada.

A médica ressalta que o desejo de utilizar o Implanon, por si só, não garante o acesso. É preciso demonstrar necessidade clínica ou social e passar por triagem para verificar se o método se adequa ao organismo e ao contexto de cada paciente.

Fluxo de atendimento na rede pública

A porta de entrada para o planejamento familiar continua sendo a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o posto de saúde de referência da moradora. Na consulta inicial, o profissional de atenção primária realiza anamnese, avalia o histórico médico e discute os métodos disponíveis.

Quando o perfil se enquadra nos critérios recomendados para o implante hormonal, a paciente recebe encaminhamento para o ambulatório de planejamento familiar da Clínica da Mulher. Nessa segunda etapa, ginecologistas confirmam a indicação, solicitam exames complementares se necessário e agendam a inserção do dispositivo.

O procedimento de colocação, feito em consultório, costuma durar poucos minutos. O Implanon é inserido na face interna do braço, sob anestesia local, e começa a liberar hormônio de forma contínua logo após o implante. A validade é de três anos.

Eficácia e possíveis efeitos adversos

Estudos citados pela equipe médica indicam que o Implanon apresenta taxa de falha inferior à de laqueadura tubária, alcançando mais de 99% de eficácia quando corretamente implantado. Apesar do alto índice de proteção, nem todas as usuárias se adaptam ao método. O efeito colateral mais comum é o chamado “escape” – sangramentos intermenstruais que podem gerar desconforto ou insatisfação.

Como o implante libera apenas progesterona, ele pode ser alternativa segura para mulheres que não podem utilizar estrogênios, porém cada caso é analisado isoladamente para balancear benefícios e riscos.

Outras opções oferecidas pelo município

Para quem não atende aos requisitos do Implanon ou prefere outro método, a Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza amplo leque contraceptivo. Entre as alternativas:

DIU de cobre – com duração de até dez anos, é colocado diretamente nas UBS, sem necessidade de encaminhamento para unidade especializada;

DIU hormonal (Mirena e Kyleena) – oferecidos na Clínica da Mulher por se tratarem de insumos de maior custo, têm validade de cinco anos e combinam ação local com redução de fluxo menstrual;

Injetáveis mensais ou trimestrais – disponíveis nas unidades básicas, servem tanto como método temporário quanto como ponte para opções de longa duração;

Pílulas orais, preservativos e diafragma – continuam integrando o arsenal distribuído gratuitamente, cumprindo a orientação do Ministério da Saúde de garantir livre escolha informada.

A estratégia municipal de planejamento familiar busca assegurar que cada mulher tenha acesso a atendimento multiprofissional, avaliação individualizada e acompanhamento contínuo. Ao incorporar o Implanon e manter a oferta dos demais métodos, a rede pública pretende ampliar a autonomia reprodutiva e contribuir para a redução de gestações não planejadas em Três Lagoas.

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