Em 2026, a importação de fertilizantes no Brasil recuou 32% entre janeiro e setembro, em comparação com o mesmo período de 2025. O declínio, refletido em compras externas de nitrato de amônio, ureia e sulfato de amônio, acende alerta sobre os estoques que serão usados na próxima safrinha de milho.
O mercado internacional apresentou preços elevados e volatilidade, fazendo os importadores adotarem postura cautelosa. A queda de até 32% nas compras externas demonstra a seletividade dos compradores diante dos custos mais altos no exterior.
Com o avanço do calendário agrícola, a redução no volume desembarcado preocupa pela proximidade do plantio da segunda safra 2026/27. A cautela nas aquisições também levanta dúvidas sobre uma possível retração real da demanda por parte dos produtores rurais.
Fertilizantes nitrogenados
Os fertilizantes nitrogenados, essenciais para o desenvolvimento do milho safrinha, lideram as retrações no acumulado do ano. As aquisições de nitrato de amônio (NAM) caíram 32%, enquanto a entrada de ureia no país diminuiu 21%. Até mesmo o sulfato de amônio, que vinha ampliando sua participação no mercado nacional por conta do custo-benefício, registrou queda de 18,5%.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o ritmo lento das compras indica que o mercado brasileiro ainda precisará buscar cargas no exterior para recompor os estoques a tempo do plantio. “Quanto mais o calendário avança, maior se torna a atenção sobre a disponibilidade doméstica de nitrogenados”, explica o especialista.
O freio na importação de fertilizantes também afeta a linha de fosfatados. Nos nove primeiros meses do ano, o volume importado de superfosfato simples (SSP) encolheu 24%. Já as compras de monoamônio fosfato (MAP) ficaram cerca de 15% abaixo dos índices registrados no mesmo intervalo de 2025. O principal entrave é o encarecimento do enxofre, matéria-prima que sofreu forte valorização desde o início do conflito no Oriente Médio.
O alto custo do insumo inibiu as negociações internacionais e levou uma grande fabricante instalada no Brasil a reduzir a produção interna de SSP nos últimos meses, restringindo ainda mais a oferta doméstica. Diante das oscilações de preço, os compradores brasileiros seguem avaliando os volumes com cautela e priorizando alternativas com maior disponibilidade imediata no mercado, enquanto o impacto direto na produtividade das lavouras ainda permanece incerto. Os produtores monitoram de perto os preços e a disponibilidade para ajustar suas estratégias de plantio.








