A entrega do Hospital Regional de Dourados, realizada no aniversário de 90 anos do município, reuniu autoridades estaduais e federais em uma cerimônia que colocou em perspectiva passado, presente e futuro da saúde pública em Mato Grosso do Sul. A nova unidade foi apresentada como peça estratégica para descentralizar atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), reduzir filas históricas e ampliar a oferta de serviços especializados na região sul do Estado.
Durante o ato, parlamentares ressaltaram que a obra simboliza a continuidade de políticas iniciadas em gestões anteriores e representa avanço concreto na regionalização do atendimento. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro (PP), classificou a inauguração como resultado de trabalho conjunto entre diferentes governos e destacou a necessidade de pensar em ações que beneficiem as próximas gerações. Para o parlamentar, o equipamento reflete administração que dialoga com diversos setores e valoriza o planejamento de longo prazo.
Falando em nome do Legislativo estadual, a deputada Lia Nogueira (PSDB) enfatizou o impacto direto do hospital para a população de Dourados e dos municípios vizinhos. Segundo a deputada, moradores da Grande Dourados convivem há décadas com a escassez de leitos de alta complexidade e enfrentam deslocamentos frequentes para Campo Grande. Ao defender o SUS, ela reconheceu falhas, mas pontuou que o modelo brasileiro se mantém referência internacional, ressaltando que o funcionamento adequado depende de alinhamento entre prefeituras, governo estadual e União.
O histórico de tramitação de recursos federais também foi lembrado. O deputado federal Geraldo Resende (PSDB) relatou que articulou durante mais de dois anos a liberação de R$ 16 milhões pelo Ministério da Saúde para garantir a continuidade das obras. Ele observou que a nova estrutura estabelece marco temporal na rede pública local, diferenciando períodos antes e depois do hospital. Para Resende, a cobrança permanente por melhorias integra o papel político e contribui para que o SUS atenda quem mais necessita.
No Senado, o projeto foi acompanhado pela senadora Tereza Cristina (PP), que vê a unidade de Dourados como parte de desenho maior de regionalização. A parlamentar apontou que hospitais de Campo Grande, Três Lagoas e Ponta Porã devem ser desafogados, enquanto novas etapas devem contemplar Corumbá e Coxim. Na avaliação da senadora, a integração entre municípios e governo estadual pode colocar Mato Grosso do Sul entre os estados com melhor atendimento público do país. Ela defendeu articulação política constante e afirmou que o sucesso do modelo depende de coordenação do Executivo estadual.
Além do simbolismo político, o Hospital Regional de Dourados foi classificado pelos presentes como instrumento capaz de reduzir gargalos históricos no SUS, especialmente em especialidades de média e alta complexidade. A expectativa é de que pacientes da região deixem de percorrer longas distâncias para ter acesso a cirurgias, exames e tratamentos especializados, contribuindo para diminuir a pressão sobre a capital e outras cidades-polo. Técnicos da Secretaria de Estado de Saúde estimam que a unidade absorva procura de mais de 30 municípios do entorno, embora metas específicas de atendimento ainda dependam de definição de contratos de gestão e habilitação de serviços junto ao Ministério da Saúde.
O evento também destacou a importância da cooperação entre esferas administrativas. Parlamentares de diferentes partidos convergiram na avaliação de que a conclusão da obra reflete articulação conjunta da bancada federal, Assembleia Legislativa, governo estadual e prefeitura. Segundo eles, a capacidade de unir esforços foi determinante para superar entraves financeiros e burocráticos, viabilizando a conclusão da edificação e aquisição de equipamentos.
Mesmo com a inauguração, os discursos apontaram desafios que permanecem no horizonte. Entre eles, estão a conclusão de etapas complementares, a contratação de profissionais, a definição de fluxos de atendimento e a ampliação de repasses federais para custeio. Representantes do Legislativo afirmaram que acompanharão de perto a operacionalização da unidade e defenderão novos aportes orçamentários a fim de garantir pleno funcionamento.
A cerimônia, marcada por homenagens a gestores anteriores e menções ao aniversário do município, encerrou-se com mensagem unificada: o Hospital Regional de Dourados representa não apenas um prédio, mas um passo na reorganização da rede pública de saúde em Mato Grosso do Sul. Autoridades presentes sustentaram que o comprometimento permanente com o SUS e a manutenção de diálogo entre poderes serão fundamentais para transformar o equipamento em benefício concreto para a população regional.
Com a entrega, Dourados passa a integrar o conjunto de cidades que sediam hospitais regionais no Estado, reforçando a estratégia de descentralização de serviços e aproximando o atendimento de alta complexidade de cerca de um milhão de habitantes distribuídos no sul de Mato Grosso do Sul.









