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Faturamento da indústria avança 4,9% em fevereiro, mas resultado bimestral segue negativo

O faturamento real da indústria de transformação registrou alta de 4,9% em fevereiro, de acordo com os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (8). O desempenho sucede o acréscimo de 1,3% observado em janeiro, formando um ganho acumulado de 6,2% frente a dezembro de 2025.

Apesar da sequência positiva nos dois primeiros meses de 2026, a CNI avalia que o movimento ainda não configura retomada consolidada. O setor continua pressionado pelo nível elevado dos juros e pela desaceleração da atividade econômica, fatores que limitam o ritmo de recuperação.

Comparação anual continua desfavorável

Na análise interanual, o faturamento apresenta retração. Considerando o bimestre formado por janeiro e fevereiro, houve queda de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a CNI, a diferença se explica mais por uma base de comparação enfraquecida do que por mudanças estruturais significativas no ambiente industrial.

O desempenho recente, portanto, compensa apenas parte das perdas acumuladas desde o segundo semestre do ano passado. Para a entidade, permanece cedo afirmar que o cenário negativo iniciado em 2025 foi revertido, ainda que alguns indicadores mostrem sinais de estabilidade ou leve melhora.

Produção registra leve incremento

As horas trabalhadas na produção avançaram 0,7% em fevereiro, alcançando o segundo resultado mensal positivo consecutivo. Mesmo assim, o indicador acumula recuo de 2,7% no primeiro bimestre de 2026 quando comparado ao período equivalente de 2025. Desse modo, o ganho recente cobre apenas parte da contração observada ao longo da segunda metade do ano passado.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) apresentou variação negativa discreta. O nível passou de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro, queda de 0,2 ponto percentual. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, a UCI está 1,6 ponto percentual abaixo do patamar verificado no mesmo intervalo de 2025, indicando que o uso do parque produtivo segue abaixo do registrado anteriormente.

Mercado de trabalho praticamente estável

Os indicadores de emprego mostraram pouca alteração. O número de trabalhadores da indústria de transformação recuou 0,1% em fevereiro frente a janeiro, resultado que mantém o sinal negativo observado nos meses anteriores. Entre janeiro e fevereiro, a redução chega a 0,4% na comparação com o primeiro bimestre de 2025.

A massa salarial não apresentou variação substancial no segundo mês do ano. No acumulado bimestral, contudo, registra crescimento de 0,9% frente a igual período de 2025. O rendimento médio real também permaneceu estável em fevereiro e exibe expansão de 1,4% desde o início do ano.

Fatores que condicionam o desempenho

Para a CNI, a combinação de juros elevados e ritmo menor da economia brasileira continua afetando tanto a demanda por bens industriais quanto a disposição das empresas para investir. Esses componentes contribuem para o nível reduzido de utilização da capacidade e para a hesitação na contratação de pessoal.

Além disso, o setor ainda sente os impactos do enfraquecimento ocorrido na segunda metade de 2025, período marcado por menor produção, redução de horas trabalhadas e recuo no faturamento. Os dados de fevereiro indicam alguma recomposição, porém sem força suficiente para alterar o quadro de declínio observado no acumulado de 12 meses.

Perspectivas

Diante dos resultados, a CNI reforça que ainda não há indícios concretos de mudança estrutural no desempenho da indústria de transformação. Os ganhos recentes precisam se prolongar nos próximos meses para que seja possível confirmar tendência de recuperação mais robusta.

Enquanto as condições financeiras permanecerem restritivas e a demanda doméstica crescer de forma moderada, a entidade avalia que o setor continuará operando com cautela, priorizando ajustes pontuais de produção e controle de custos, em vez de expansões vigorosas de capacidade ou de quadro de pessoal.

Assim, fevereiro encerrou com aumento do faturamento e da produção, mas esses avanços foram insuficientes para anular as perdas registradas no primeiro bimestre em relação a 2025. O cenário, por ora, segue de transição, aguardando sinais mais consistentes de melhora na economia para sustentar expansão prolongada da atividade industrial.

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