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Inteligência artificial supera ciberataques e vira principal risco para empresas no Brasil, indica levantamento

Um estudo da Allianz Commercial, braço de seguros corporativos do Grupo Allianz, aponta que a inteligência artificial (IA) passou a ser o tema de maior preocupação entre executivos brasileiros ao avaliar os riscos que podem afetar suas organizações. É a primeira vez que a tecnologia ocupa o topo do Allianz Risk Barometer no país, desbancando incidentes cibernéticos, que vinham liderando a lista nos anos anteriores.

A edição mais recente do barômetro, compilada a partir de entrevistas com gestores e especialistas de diferentes setores, revela que 32% dos participantes mencionaram a IA como o maior risco para seus negócios. A percepção reflete o ritmo acelerado de adoção de soluções baseadas em algoritmos, aprendizagem de máquina e modelos generativos, somado aos desafios de governança, conformidade regulatória e capacitação de equipes.

Embora continue vista como uma ferramenta estratégica para ganho de eficiência e inovação, a IA suscita receios operacionais, legais e reputacionais. De acordo com o levantamento, a velocidade de implementação supera a capacidade das empresas de estabelecer políticas internas, acompanhar a evolução das normas e preparar funcionários para lidar com as implicações práticas e éticas da tecnologia.

O resultado marca uma inflexão na percepção de risco do empresariado local. Em edições anteriores, incidentes cibernéticos lideraram o ranking, refletindo ataques de ransomware, violações de dados e indisponibilidade de sistemas. Na pesquisa atual, essa categoria ficou em segundo lugar, com 31% das citações, apenas um ponto percentual abaixo da IA. A proximidade sugere que, apesar da mudança de posição, ameaças digitais continuam relevantes e, em certos casos, se sobrepõem: falhas ou usos indevidos de IA podem ampliar a superfície de ataque e agravar vulnerabilidades já conhecidas.

Na terceira posição do levantamento aparecem mudanças na legislação e na regulamentação, indicadas por 28% dos executivos. Esse item inclui alterações tributárias, revisões de marcos regulatórios e novas exigências de compliance, fatores que podem elevar custos, exigir adequações rápidas e gerar incertezas operacionais.

A quarta preocupação mais frequente envolve as mudanças climáticas, apontadas por 27% dos entrevistados. O relatório destaca que eventos extremos, políticas de transição energética e pressões de investidores por metas ambientais afetam cadeias produtivas, disponibilidade de recursos e reputação corporativa. Em quinto lugar, catástrofes naturais receberam 21% das menções, contemplando enchentes, secas, tempestades e outros fenômenos que podem interromper operações, danificar ativos físicos e provocar perdas financeiras.

Ao comentar os resultados, a Allianz Commercial observa que o caráter transformador da inteligência artificial, aliado ao ritmo de atualização de seus modelos e ao crescente leque de aplicações, altera rapidamente o cenário de riscos corporativos. Para a seguradora, o avanço dessa tecnologia delineia novos desafios de responsabilidade civil, propriedade intelectual e segurança de dados, ao mesmo tempo em que exige integração entre áreas de TI, jurídico, recursos humanos e gestão de riscos.

O estudo também chama atenção para a necessidade de governança estruturada. Segundo os autores, muitas empresas iniciam projetos de IA sem diretrizes claras sobre transparência algorítmica, vieses nos dados ou planos de contingência em caso de falha. A ausência de regras internas pode levar a sanções regulatórias, litígios ou danos à imagem institucional.

Apesar dos riscos evidenciados, a pesquisa reconhece o potencial da IA para impulsionar competitividade. O relatório aponta exemplos como automação de processos, melhoria na previsão de demanda e personalização de produtos. A expectativa é que a adoção se intensifique, o que, por consequência, exigirá políticas preventivas mais robustas e investimento contínuo em cibersegurança, privacidade e treinamento.

No plano global, o Allianz Risk Barometer monitora anualmente a percepção de riscos em mais de 90 países. No Brasil, a edição atual reforça que fatores tecnológicos, regulatórios e ambientais dominam a agenda corporativa. A seguradora avalia que entender a convergência entre esses temas será determinante para a resiliência das empresas nos próximos anos.

Ao elencar a inteligência artificial como principal ponto de atenção, o levantamento sinaliza uma mudança de prioridades nos conselhos de administração e nas equipes de gestão de riscos. A mensagem central do estudo é que o sucesso na adoção de IA depende de equilíbrio entre inovação e controle, com políticas que acompanhem a velocidade de evolução da tecnologia e mitiguem impactos adversos sobre operações, reputação e resultados financeiros.

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