A empresária e mentora em desenvolvimento humano Juliana Aranda defendeu o uso da inteligência emocional como estratégia para enfrentar ansiedade, estresse e sensação de sobrecarga durante entrevista ao programa “Mulher Entende Mulher”, transmitido pela Rádio Massa FM Campo Grande. Com trajetória de mais de três décadas no empreendedorismo, a especialista afirmou que, atualmente, concentra sua atuação em auxiliar pessoas e organizações a construírem bem-estar por meio de um método de ressignificação de emoções.
Segundo Aranda, muitas dificuldades cotidianas estão relacionadas à forma como cada indivíduo interpreta perdas, frustrações e experiências marcantes. O método que ela aplica inicia-se com a identificação da dor emocional predominante do paciente. A partir desse ponto, é conduzida uma sessão de aproximadamente 35 minutos, presencialmente ou on-line, sem contato físico e sem necessidade de relatar detalhes do ocorrido. Ao término do processo, relatórios apontam que grande parte dos participantes descreve sensação de alívio e leveza.
A especialista sustenta que crenças formadas ainda na infância, especialmente aquelas resultantes de críticas, rejeições ou conflitos familiares, costumam reverberar na vida adulta, provocando bloqueios emocionais. Embora os recursos tecnológicos tenham avançado, ela observa que muitas pessoas ainda apresentam dificuldade para voltar o olhar a si mesmas e buscar apoio qualificado.
Aranda enfatiza que a técnica utilizada não possui vínculo religioso e pode ser aplicada a indivíduos de diferentes crenças. Entre os atendimentos citados, destacou o caso de uma jovem de 19 anos que havia tentado contra a própria vida e, após a sessão, passou a perceber a situação sob nova perspectiva. Outro exemplo envolveu uma mulher que evitava usar batom em razão de comentários depreciativos feitos pelo ex-marido; após o trabalho terapêutico, a paciente teria retomado o uso do cosmético sem o peso das memórias negativas.
Para a mentora, determinados comportamentos sinalizam o momento de buscar suporte emocional: perda de interesse pela própria vida, dificuldade de visualizar saídas para problemas rotineiros, queixas frequentes e a crença de que acontecimentos negativos ocorrem apenas consigo. Nesses casos, ela orienta que o primeiro passo parte do próprio indivíduo, reforçando a importância de reconhecer a necessidade de ajuda.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito 24 horas, pelo telefone 188, destinado à prevenção do suicídio e apoio emocional. O serviço pode ser acionado por qualquer pessoa que necessite conversar de forma sigilosa.
Além dos atendimentos individuais, Aranda desenvolve programas corporativos direcionados à melhoria do ambiente de trabalho e ao fortalecimento da autoestima dos colaboradores. As sessões podem ocorrer em formato individual ou coletivo e incluem exercícios de respiração e afirmações positivas, com o objetivo de reduzir conflitos e aprimorar as relações profissionais. De acordo com a mentora, a prática contribui para a diminuição de sintomas de estresse e para o aumento da sensação de pertencimento entre as equipes.

Imagem: Redação RCN
A profissional também oferece formação voltada a novos terapeutas. O curso, com duração de três meses, apresenta a metodologia de ressignificação emocional e diferentes protocolos de atendimento para questões comportamentais. A capacitação aborda etapas de identificação de crenças limitantes, condução de sessões e técnicas de acompanhamento pós-intervenção, possibilitando que os participantes apliquem o aprendizado em contextos pessoais ou empresariais.
Embora a procura por soluções de saúde mental tenha crescido, Aranda observa que persistem barreiras culturais que dificultam o reconhecimento das próprias necessidades emocionais. Ela aponta a naturalização do excesso de trabalho, a banalização das queixas de estresse e o estigma associado à busca de ajuda psicológica como fatores que ainda afastam parte da população de serviços especializados.
Entre os benefícios relatados por pacientes que passaram pelo processo de ressignificação estão melhora na qualidade do sono, redução na frequência de crises de ansiedade, aumento da disposição para atividades diárias e retomada de objetivos pessoais. No meio corporativo, gestores relatam menor rotatividade, melhora no clima organizacional e maior engajamento das equipes após a implementação dos programas de inteligência emocional.
A mentora reforça que a incorporação de práticas de autoconhecimento e gestão de emoções não elimina a necessidade de acompanhamento médico ou psicológico tradicional quando indicado. Segundo ela, o trabalho de ressignificação pode atuar de forma complementar, oferecendo ferramentas para que o indivíduo compreenda e reorganize suas respostas diante de situações desafiadoras.
A proposta, conclui a especialista, é proporcionar ambiente seguro para a revisão de crenças limitantes, permitindo que a pessoa retome o protagonismo sobre as próprias escolhas e diminua impactos negativos de experiências passadas.








