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Intenção de consumo das famílias sobe 7,6% em Mato Grosso do Sul e mantém comércio otimista

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Mato Grosso do Sul registrou avanço de 7,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, alcançando 108,2 pontos em maio, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado mantém o indicador na zona positiva — acima de 100 pontos — e reforça a expectativa de dinamismo nas vendas do varejo estadual.

Embora o índice tenha apresentado leve retração em relação a abril, o comércio sul-mato-grossense segue respaldado por dois impulsionadores relevantes do calendário econômico: o Dia das Mães, segunda data mais importante para o setor, e o ano de Copa do Mundo, período em que historicamente se intensificam as compras de bens duráveis, como televisores e eletroeletrônicos.

Segundo o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF-MS), a retomada gradual da confiança do consumidor se reflete diretamente no desempenho mensal do indicador. Em maio do ano passado, o ICF local estava em 100,5 pontos; a elevação para 108,2 pontos neste ano demonstra recuperação do poder de compra e melhora na percepção das famílias sobre a própria situação financeira.

O estudo detalha ainda o comportamento dos diferentes estratos de renda. Entre os domicílios com rendimento superior a dez salários mínimos, a intenção de consumo avançou 1,5% em maio, movimento atribuído ao aumento da disposição para adquirir bens duráveis, à avaliação positiva do nível atual de consumo e à percepção favorável sobre a renda presente. No grupo com renda inferior a dez salários mínimos, houve recuo de 0,9% no mês, indicando que o ambiente econômico ainda pressiona de forma mais intensa os consumidores de menor poder aquisitivo.

Ao dissecar os componentes do índice, a pesquisa mostra que, entre as famílias de renda mais alta, três fatores puxaram o resultado: maior propensão a comprar itens de maior valor, avaliação positiva do consumo corrente e sensação de estabilidade ou melhora da renda. Já entre os núcleos familiares de renda mais baixa, o único subindicador que apresentou melhora foi a percepção sobre o emprego atual, sugerindo que, apesar de um mercado de trabalho mais sólido, esses consumidores continuam cautelosos nas decisões de compra.

O levantamento também apurou o comportamento do consumo ao longo do último ano. Para 44% dos entrevistados, o volume de compras permanece semelhante ao registrado em 2023. Outros 34,6% declararam ter reduzido gastos, enquanto 20,8% informaram aumento nas aquisições. Esses dados revelam que, apesar da média positiva do ICF, parte significativa da população mantém postura prudente diante das condições econômicas.

Com a aproximação da Copa do Mundo, o setor varejista projeta manutenção do ritmo de vendas nas próximas semanas, principalmente em segmentos ligados à tecnologia, eletrodomésticos e produtos voltados ao entretenimento doméstico. O cenário é considerado favorável para lojistas que operam com televisores de alta definição, acessórios eletrônicos e artigos esportivos, categorias tradicionalmente fortalecidas pelo evento esportivo.

Mesmo com a ligeira oscilação mensal, a permanência do índice acima de 100 pontos sinaliza confiança suficiente para sustentar o crescimento do comércio estadual. Analistas locais destacam que o desempenho do ICF reflete o equilíbrio entre fatores sazonais — como datas comemorativas — e a gradual recuperação da renda, o que tende a produzir efeitos positivos no faturamento das empresas e na geração de empregos temporários.

A Fecomércio-MS acompanha de perto o desdobramento desses indicadores para orientar empresários sobre estoques, promoções e planejamento de médio prazo. A entidade ressalta que o desempenho favorável do consumo, aliado à estabilidade recente do mercado de trabalho regional, compõe um cenário de otimismo moderado para o restante do ano. Caso se confirmem a continuidade do fluxo de consumidores e o estímulo adicional trazido pelos eventos esportivos, o comércio local poderá consolidar a trajetória de crescimento observada nos primeiros meses de 2024.

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