Mato Grosso do Sul iniciou o ano com desempenho positivo na geração de postos de trabalho com carteira assinada, impulsionado principalmente por municípios do interior. Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, indicam saldo de 3.936 empregos formais em janeiro. Dentro desse cenário, Inocência e Três Lagoas foram responsáveis pelos maiores volumes de contratações, superando inclusive a capital e outros polos econômicos tradicionais do Estado.
Inocência encabeçou o ranking estadual ao registrar saldo de 1.081 novas vagas formais no período. A performance está diretamente relacionada ao avanço de grandes obras em execução no município, entre elas o projeto da indústria de celulose Arauco, que tem atraído empreendimentos ligados à construção civil e à cadeia florestal. Já Três Lagoas aparece em segundo lugar, com 639 novos postos de trabalho – resultado de 2.916 admissões frente a 2.277 desligamentos.
Na sequência do levantamento surgem Chapadão do Sul (477 vagas), Costa Rica (424) e Campo Grande (410). A capital, embora detenha a maior concentração populacional, ficou atrás de cidades do interior que vêm recebendo investimentos em setores estratégicos como agronegócio, construção e serviços.
O bom desempenho estadual refletiu-se também no cenário nacional. Com participação de aproximadamente 3,5% das 112.334 vagas criadas em todo o país em janeiro, Mato Grosso do Sul alcançou o nono maior saldo entre as 27 unidades da federação. No total, foram contabilizadas 37.353 admissões e 33.417 desligamentos no período analisado.
Setores que mais contrataram
Entre os segmentos econômicos avaliados, a construção civil liderou a geração de empregos no Estado, com saldo positivo de 2.358 vagas. O resultado evidencia o ritmo acelerado de obras de infraestrutura e a instalação de novos empreendimentos industriais em diferentes municípios. Em seguida aparece a agropecuária, responsável por 1.714 postos, beneficiada pela abertura de safra, expansão de áreas de cultivo e implementação de tecnologias no campo.
A indústria de transformação contribuiu com 286 empregos, enquanto o setor de serviços, mais sensível às variações de consumo, adicionou 91 vagas. O comércio foi o único segmento a apresentar retração, encerrando 513 postos, movimento geralmente associado ao ajuste de quadros após as contratações temporárias do fim de ano.
Detalhe das contratações em Três Lagoas
Em Três Lagoas, o setor de serviços respondeu pelo maior número de oportunidades, com saldo de 275 empregos formais. A construção civil manteve o ritmo de contratações e garantiu 142 vagas adicionais. Agropecuária e indústria tiveram desempenhos semelhantes, ambos com criação líquida de 89 postos cada. O comércio local, por sua vez, registrou saldo positivo mais modesto, de 44 empregos.
Segundo a Casa do Trabalhador do município, a oferta de vagas tem superado o volume de candidatos cadastrados, indicando desequilíbrio entre demanda empresarial e disponibilidade de mão de obra qualificada. A unidade destaca que há oportunidades em níveis variados de escolaridade e em áreas técnicas, porém muitas seguem abertas por falta de profissionais aptos.
Fatores que sustentam o crescimento
Autoridades estaduais associam o resultado ao ambiente favorável para investimentos em Mato Grosso do Sul, sustentado por políticas de desenvolvimento econômico, segurança jurídica e incentivos à instalação de novos empreendimentos. Em Inocência, a implantação da fábrica de celulose tem puxado a contratação de trabalhadores para obras civis, transporte, fornecimento de insumos e serviços de apoio, refletindo na geração expressiva de vagas registrada no município.
A retomada do saldo positivo após resultado negativo em dezembro é vista como sinal de resiliência da economia sul-mato-grossense. Para a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, a combinação de responsabilidade fiscal, expansão da infraestrutura e valorização do agronegócio tem potencializado a criação de emprego e renda no interior e na capital.
Com o avanço dos projetos em execução e a previsão de novas fases de investimento, a expectativa é de manutenção do ritmo de contratações ao longo dos próximos meses. No entanto, órgãos de intermediação de mão de obra destacam a necessidade de qualificação profissional para que a população local possa ocupar as vagas abertas, reduzindo possíveis gargalos na oferta de trabalhadores especializados.
O desempenho de janeiro reforça a tendência de descentralização do crescimento econômico em Mato Grosso do Sul, com municípios de menor porte assumindo protagonismo na geração de emprego formal. Caso se confirmem os investimentos anunciados para 2024, a trajetória de expansão pode consolidar o interior como principal motor de oportunidades no Estado.









