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Intervenção em Campo Grande mantém ônibus antigos nas ruas e inicia auditoria no Consórcio Guaicurus

O início da intervenção no transporte coletivo de Campo Grande não resultará, ao menos por enquanto, em renovação da frota. Durante entrevista coletiva na tarde de terça-feira (16), a prefeitura confirmou que os 197 veículos que ultrapassam a idade útil máxima prevista em contrato continuarão operando para evitar desabastecimento principalmente nas linhas de bairros periféricos.

O decreto, que substituiu a diretoria do Consórcio Guaicurus por até 180 dias, transfere a administração financeira e operacional do sistema para uma junta formada por profissionais de fora de Mato Grosso do Sul. A medida ocorre nove meses após a Câmara Municipal ter concluído a CPI do Transporte Público, em agosto de 2025. Segundo a prefeita Adriane Lopes (PP), o intervalo foi necessário para análises técnicas e elaboração de um plano de ação.

Nova gestão assume controle

O advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, com passagem de dez anos pela Agência de Regulação de Cuiabá (MT), foi designado interventor-geral. A área administrativa e financeira ficou sob responsabilidade do economista Rodolfo Bahiense Fernandes, que acumula 25 anos em concessões de transporte e já atuou na gestão de modais no Rio de Janeiro.

A primeira tarefa da dupla será auditar as planilhas do consórcio. Entre os pontos que motivam a investigação estão:

  • idade média da frota em 8,59 anos, quando o limite contratual é de 5 anos;
  • movimentação considerada atípica de R$ 32 milhões com empresas que não integram o consórcio.

Os interventores têm 90 dias para apresentar um diagnóstico preliminar sobre contabilidade, fluxo de caixa e cumprimento das ordens de serviço. O relatório final deverá ser entregue ao Executivo no fim dos 180 dias, servindo de base para eventuais sanções ou até mesmo para a rescisão da concessão firmada em 2012.

Operação mantida sem interrupções

A ocupação de escritórios e garagens começou na manhã de terça-feira com apoio preventivo da Guarda Civil Metropolitana e ocorreu de forma pacífica. Com a destituição temporária da antiga diretoria, a equipe interventora passa a controlar o pagamento de salários, a compra de diesel e a programação de manutenção mecânica.

De acordo com Oliveira, recolher imediatamente os ônibus fora do prazo de vida útil poderia provocar colapso no sistema. O interventor frisou que a prioridade inicial é garantir a continuidade do serviço enquanto a auditoria levanta dados para decisões futuras, que podem incluir exigência de investimentos, busca de financiamento ou até uma nova licitação.

Além de assegurar a operação, a prefeitura informou que não haverá demissões. Reuniões já estão marcadas com o sindicato que representa motoristas, cobradores e mecânicos a fim de manter o quadro funcional de cerca de mil trabalhadores.

Caráter fiscalizatório

O município define a intervenção como mecanismo de supervisão interna para checar o cumprimento do contrato antes da aplicação de eventuais penalidades. A administração enfatiza que a intervenção não objetiva lucro nem gestão permanente, mas sim a regularização do serviço e a correção de inconformidades apontadas no relatório da CPI.

Entre as irregularidades já conhecidas, além da idade da frota e das movimentações financeiras, vereadores questionaram o modelo de remuneração das empresas e a qualidade do serviço prestado. Esses pontos serão revisados pela nova equipe, que terá acesso integral aos documentos contábeis e operacionais do consórcio.

Próximos passos

Concluído o período de intervenção, o Executivo municipal decidirá se retoma a concessão aos atuais operadores, impõe multas, determina plano de investimentos, prorroga a gestão provisória ou abre nova licitação. Todas as alternativas estão sob análise jurídica.

Enquanto isso, os cerca de 230 mil passageiros diários continuarão utilizando a frota existente, inclusive os ônibus com idade acima do permitido. A prefeitura afirma que qualquer retirada de veículos dependerá de cronograma de reposição que não comprometa o atendimento aos bairros.

O Consórcio Guaicurus informou, em nota, que seus departamentos jurídico e administrativo avaliam a extensão e a legalidade das determinações municipais antes de emitir posicionamento público.

Com a intervenção, a administração municipal busca dar resposta às reclamações de usuários sobre atrasos, superlotação e condições dos veículos, sem interromper o serviço essencial. A auditoria e o diagnóstico prometidos para os próximos meses deverão indicar a dimensão dos problemas financeiros e operacionais e orientar as decisões que definirão o futuro do transporte coletivo em Campo Grande.

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