O secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, afirmou nesta segunda-feira (1º) que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil já conduzia investigações sobre supostos desvios de conduta de servidores antes da prisão em flagrante do investigador Augusto Torres Galvão Florindo, lotado no Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras). A declaração foi feita em Campo Grande durante o encerramento da campanha Caixa Encantada, promovida pelo governo estadual.
Videira esclareceu que os procedimentos internos não foram motivados pelo caso registrado na última sexta-feira (28). Segundo ele, a Corregedoria mantém, “há algum tempo”, processos administrativos relativos a policiais suspeitos de envolvimento com crimes transfronteiriços, especialmente contrabando e descaminho. Parte dessas apurações já resultou em exonerações publicadas em diário oficial, informou o secretário.
O chefe da pasta avaliou que organizações criminosas procuram inicialmente aliciar servidores para facilitar suas atividades. Quando não conseguem, tentam desmoralizar ou coagir agentes públicos, aprofundando a necessidade de fiscalização constante, auditorias e punições, inclusive com desligamento definitivo em casos graves.
Mais cedo, a Polícia Civil comunicou a abertura de procedimento disciplinar específico contra Augusto Florindo e solicitou acesso ao inquérito da Polícia Federal (PF) para integrar as informações às investigações administrativas. A instituição reiterou que o episódio envolve apenas o servidor preso e que a apuração interna ocorrerá de forma independente pela Corregedoria-Geral.
A ação que levou à prisão do policial aconteceu na tarde de sexta-feira em um estacionamento de atacarejo em Três Lagoas, a 330 quilômetros da capital. Agentes da PF flagraram Florindo, que integra o Garras desde 2023, recebendo dinheiro do ex-guarda civil metropolitano de Campo Grande Marcelo Raimundo da Silva. No veículo do investigador havia R$ 20 mil em espécie.
De acordo com a PF, o montante corresponderia a parte de um acerto referente à venda de mercadorias contrabandeadas apreendidas anteriormente pela própria polícia em Campo Grande. Em depoimento, Florindo declarou que o total combinado seria de R$ 130 mil, dos quais pretendia ficar com R$ 7 mil. Aos federais, acrescentou que aceitou participar porque a operação estaria “fácil”.
As mercadorias negociadas incluíam aparelhos eletrônicos e cigarros eletrônicos introduzidos irregularmente no país. Investigadores solicitaram a quebra do sigilo telefônico dos dois presos para rastrear outros possíveis participantes e mapear a circulação de valores. Marcelo da Silva possui histórico de envolvimento com contrabando e descaminho, segundo registros policiais.
No sábado (29), a Justiça Federal converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, mantendo Florindo e Silva custodiados enquanto a apuração evolui. A PF concentra esforços na identificação da origem das mercadorias, no percurso do dinheiro e na eventual participação de outros agentes públicos no esquema.
Ao comentar o avanço das investigações, o secretário de Justiça e Segurança Pública ressaltou que corregedorias exercem papel decisivo para assegurar a credibilidade das forças de segurança. Ele frisou que a existência de controles internos eficientes inibe práticas ilícitas e reforça a confiança da sociedade na polícia. “Fiscalizar, auditar, punir e, quando necessário, exonerar”, sintetizou o titular da Sejusp.
Até o momento, não há indicação de que a conduta de Florindo se estenda a outros integrantes do Garras. A unidade especializada continua atuando normalmente em Campo Grande, enquanto o servidor permanece afastado. Já o ex-guarda municipal, detido no mesmo flagrante, será investigado por corrupção, associação criminosa e outros delitos correlatos.
Com as diligências em andamento, tanto a Corregedoria da Polícia Civil quanto a Polícia Federal mantêm troca de informações sobre provas, depoimentos e eventuais medidas cautelares adicionais. O objetivo é concluir o inquérito e os processos administrativos com celeridade, estabelecer responsabilidades e aplicar possíveis sanções disciplinares ou criminais.









