O Governo de Mato Grosso do Sul destinou R$ 250 milhões a um plano logístico aeroviário que, até o fim de 2026, pretende ampliar a quantidade de aeródromos operando 24 horas, reativar pistas inativas e instalar novos equipamentos de navegação. A iniciativa tem como meta integrar regiões, atrair investimentos privados e fortalecer o turismo, especialmente em áreas afastadas dos centros urbanos.
Desde a adoção do programa, oito aeródromos que estavam sem operação retomaram pousos e decolagens. Paralelamente, sete aeroportos passaram a funcionar em períodos diurnos e noturnos, elevando a conectividade entre municípios e reduzindo o tempo de deslocamento dentro do Estado. Com a conclusão das obras previstas, o número de unidades com funcionamento ininterrupto deverá avançar de sete para 15.
Entre os empreendimentos anunciados, destaca-se a ampliação do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. Avaliado em R$ 40 milhões, o projeto prevê adequações estruturais para aumentar a capacidade de atendimento e melhorar os padrões de segurança. Outra frente de atuação envolve o balizamento noturno de pistas em Porto Murtinho, Inocência, Paranaíba, Coxim, Naviraí, Maracaju, Nova Andradina e Jardim, com investimento total de R$ 24 milhões.
O plano também contempla dois aeródromos voltados a demandas turísticas, econômicas e de apoio a missões de combate a incêndios no Pantanal. As unidades de Porto São Pedro e Nhecolândia, orçadas em R$ 30 milhões, deverão facilitar o acesso a regiões remotas do bioma e oferecer suporte logístico em situações de emergência ambiental.
Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), a estratégia atende a uma visão de longo prazo e busca “mudar a realidade do Estado” ao prover infraestrutura capaz de induzir o desenvolvimento regional. O gestor reforça que a criação de corredores aéreos tende a atrair novas empresas, expandir cadeias produtivas e gerar empregos em localidades hoje dependentes do transporte rodoviário.
Dados do setor turístico sinalizam potencial de expansão. Em 2023, Mato Grosso do Sul registrou aproximadamente 250 mil viagens domésticas, movimentando mais de R$ 360 milhões na economia local. A administração estadual projeta que a ampliação da malha aeroviária eleve o fluxo de visitantes, prolongue o tempo de permanência e aumente o gasto médio em municípios do interior, com reflexos diretos em hotelaria, gastronomia, transporte e serviços correlatos.
Além da capital, outros cinco municípios integram a lista de projetos em andamento: Amambai, Ribas do Rio Pardo, Aquidauana, Iguatemi e Mundo Novo. A criação de novas pistas nessas localidades visa reduzir distâncias percorridas por produtores rurais, facilitar o escoamento de mercadorias e encurtar o trajeto de turistas que visitam destinos como o Pantanal e a Serra da Bodoquena.
O superintendente de Logística e coordenador de Transportes Aéreos, Derick Hudson Machado, explica que o objetivo é estabelecer rotas que conectem áreas remotas a polos regionais. De acordo com ele, a formação desses corredores permitirá deslocamentos mais rápidos para regiões de difícil acesso e criará alternativas de transporte em períodos de cheias, queimadas ou outras emergências ambientais.
Para o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, o pacote de investimentos consolida uma plataforma de crescimento ao integrar modais de transporte e fomentar a competitividade do interior. O gestor afirma que a aproximação entre municípios otimiza a circulação de pessoas e mercadorias, reduz custos operacionais e amplia a atração de empreendimentos nos setores industrial, agropecuário e de serviços.
A reativação e a modernização de aeródromos devem impactar diretamente regiões com vocação para o ecoturismo. Comunidades próximas a unidades de conservação, fazendas de turismo e parques estaduais terão acesso mais rápido a mercados emissores de visitantes, tornando seus roteiros mais atrativos diante da concorrência nacional. A expectativa é que, com trajetos aéreos mais curtos, o Estado amplie participação em eventos de operadores de viagens e incremente políticas de promoção internacional.
Com obras em execução e projetos em fase de licitação, o governo estadual mantém o cronograma para concluir a expansão da infraestrutura aeroviária até dezembro de 2026. A previsão inclui novos sistemas de iluminação, sinalização e aparelhos de auxílio à navegação, além da capacitação de equipes locais. Ao final do ciclo de investimentos, o Executivo espera consolidar uma malha capaz de sustentar o crescimento econômico, oferecer suporte a operações emergenciais e posicionar Mato Grosso do Sul como destino turístico competitivo no cenário brasileiro.









