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Irmãs de 63 e 65 anos perdem mais de R$ 42 mil em golpe que envolveu falsa ação judicial

A Delegacia de Polícia Civil de Paranaíba, município do interior de Mato Grosso do Sul, apura um caso de estelionato que resultou em prejuízo superior a R$ 42 mil para duas irmãs de 63 e 65 anos. O golpe, aplicado durante aproximadamente quatro meses, combinou contatos telefônicos, chamadas de vídeo e uso indevido de dados bancários das vítimas.

O boletim de ocorrência foi registrado na segunda-feira (data não informada no documento). De acordo com o relato apresentado pela irmã mais nova, os estelionatários iniciaram o contato em outubro do ano passado, utilizando um número com DDD do Estado de São Paulo. Desde então, mantiveram uma série de conversas programadas para construir credibilidade e obter acesso às contas correntes das duas mulheres.

Estratégia do golpe

Segundo o inquérito, o primeiro interlocutor se identificou como promotor de Justiça e utilizou um nome fictício para se apresentar. Ele informou que uma das irmãs teria vencido uma ação judicial relacionada a um consórcio, supostamente condenada por cobrar juros abusivos. Em seguida, outro golpista passou a interagir com as vítimas, desta vez fingindo ser advogado responsável por acompanhar o processo. A participação de dois falsos profissionais do Direito conferiu aparência de legitimidade ao esquema.

Durante as conversas, os suspeitos alegaram que o crédito proveniente da suposta ação não poderia ser depositado na conta da beneficiária sem cumprir exigências formais. Para justificar a necessidade de novas etapas, solicitaram dados bancários detalhados, como números de agência, conta, senhas e códigos de autenticação. Em algumas ocasiões, promoveram chamadas de vídeo para, segundo eles, “confirmar identidades” e “acelerar a liberação do dinheiro”.

Operações financeiras realizadas

Com posse das informações sigilosas, os criminosos efetuaram movimentações nas contas das duas vítimas. Na conta da irmã de 65 anos, foram realizados dois saques: um de R$ 3.963,12 e outro de R$ 5.922,00, totalizando R$ 9.885,12. Já na conta da irmã de 63 anos, múltiplas transferências eletrônicas resultaram em perdas acumuladas de R$ 32.369,00.

Somados, os valores desviados alcançam R$ 42.254,12. Todos os comprovantes de transações, extratos bancários e registros de contato foram entregues à Polícia Civil e anexados ao procedimento investigatório. A corporação não divulgou, até o momento, detalhes sobre eventuais suspeitos identificados ou medidas cautelares em andamento.

Registro formal e investigação

A vítima que compareceu à delegacia relatou que só percebeu a totalidade do prejuízo ao comparar saldos e notar a ausência de depósitos prometidos pelos supostos representantes legais. Depois de confirmar com a irmã mais velha que nenhuma das duas havia autorizado as retiradas, decidiu formalizar a queixa de estelionato.

Os policiais civis colheram depoimentos, solicitaram o bloqueio preventivo de possíveis valores remanescentes e iniciaram pedido de quebra de sigilo bancário para rastrear o destino dos recursos. Também foi requisitada a identificação do titular da linha telefônica com DDD de São Paulo, ponto de origem de todas as chamadas efetuadas.

Recomendações das autoridades

Embora o inquérito ainda esteja em fase inicial, a delegacia de Paranaíba reforça orientações de segurança para a população, especialmente idosos ou pessoas pouco familiarizadas com procedimentos digitais. Entre as principais recomendações estão evitar repassar dados pessoais por telefone, desconfiar de promessas de vantagens financeiras sem confirmação oficial e buscar diretamente órgãos judiciais ou advogados de confiança antes de tomar qualquer medida.

Os investigadores alertam que golpistas costumam utilizar nomes de instituições públicas e termos jurídicos para conferir aparência de legalidade às fraudes. A prática se intensificou com a popularização de aplicativos de mensagem, que permitem realização de chamadas de voz e vídeo sem custos adicionais, facilitando o contato prolongado com potenciais vítimas.

Próximos passos

O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Paranaíba, que pretende acionar cooperadores das áreas de tecnologia financeira e telecomunicações para rastrear IPs utilizados nos acessos remotos às contas correntes. Caso haja confirmação de transações interestaduais, o inquérito poderá contar com apoio da Polícia Civil de São Paulo e de órgãos federais.

Até a conclusão da apuração, as irmãs continuam como assistentes do processo, fornecendo documentos adicionais e acompanhando eventuais desdobramentos. A delegacia informou que novas informações serão divulgadas somente quando não houver risco de prejudicar o andamento das investigações.

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