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Jaime Verruck deixará Secretaria de Meio Ambiente de MS para concorrer à Câmara Federal

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, anunciou que deixará o cargo no fim de março para dedicar‐se à pré‐campanha a deputado federal. A saída atende à legislação eleitoral, que exige desincompatibilização de ocupantes de cargos no Executivo que pretendem disputar vagas no Legislativo.

Desde 2015 à frente da pasta, Verruck coordenou ações voltadas à atração de investimentos, à modernização do ambiente de negócios e ao fortalecimento da infraestrutura logística. Ao longo do período, o governo estadual consolidou projetos considerados determinantes para ampliar a competitividade da economia sul‐mato‐grossense, especialmente na região conhecida como Costa Leste.

No último sábado, 23, durante agenda em Inocência, o secretário participou do lançamento das obras de pavimentação da rodovia MS-316. O trecho é apontado como estratégico para o escoamento de grãos, madeira, celulose e carne produzidos nos municípios lindeiros. Responsável por conectar áreas produtivas ao eixo rodoviário estadual, a via deverá reduzir custos de transporte e tempo de viagem, beneficiando produtores rurais e agroindústrias instaladas na região.

De acordo com informações repassadas pela Secretaria de Infraestrutura, a obra atende demanda histórica do setor produtivo local. A pavimentação integra um programa estadual de investimentos que busca melhorar a malha rodoviária, ampliar corredores de exportação e garantir maior eficiência logística. O projeto da MS-316 se soma a intervenções em outras rodovias que cortam a Costa Leste, onde o governo avalia potencial de crescimento impulsionado pelo agronegócio e pela indústria florestal.

Ao comentar a iniciativa, Verruck ressaltou que a atuação conjunta das secretarias de Meio Ambiente, Desenvolvimento e Infraestrutura tem permitido alinhar planejamento territorial, licenciamento ambiental e execução de projetos de transporte. Segundo ele, a sinergia entre as pastas contribui para manter Mato Grosso do Sul em posição competitiva nos mercados doméstico e internacional.

A agenda em Inocência também foi marcada pela chegada ao canteiro de obras da fábrica de celulose da empresa chilena Arauco de um equipamento industrial com cerca de 500 toneladas. Transportada por via marítima e terrestre, a peça é considerada uma das maiores já deslocadas para a instalação de um complexo fabril no interior do país. O deslocamento mobilizou equipes especializadas em logística de cargas superdimensionadas e chamou a atenção de observadores internacionais do setor de base florestal.

A nova planta da Arauco, em construção no município, faz parte de um conjunto de empreendimentos que vem redesenhando o perfil industrial sul‐mato‐grossense. Dados recentes do comércio exterior indicam mudança na pauta de importações: em fevereiro, pela segunda vez na série histórica, caldeiras geradoras de vapor — insumo fundamental para a indústria de celulose — superaram o gás natural na lista de produtos comprados pelo Estado no exterior. A inversão sinaliza avanço dos investimentos manufatureiros e maior participação de máquinas e equipamentos no fluxo comercial.

Esse movimento é compreendido pelo governo estadual como reflexo de três transições simultâneas. A primeira é a transição industrial, marcada pela instalação de grandes fábricas de celulose e pela expansão da agroindústria. A segunda é a transição energética, que se traduz no aumento da oferta de biomassa, bioenergia e outras fontes renováveis. A terceira é a transição logística, alavancada por novos corredores rodoviários, ferroviários e portuários em planejamento ou execução.

O conjunto dessas mudanças tem repercussões diretas na geração de emprego, na arrecadação de tributos e na diversificação da matriz produtiva estadual. Para o setor privado, a melhoria na infraestrutura reduz gargalos históricos de transporte e amplia a capacidade de atendimento a mercados externos, sobretudo Ásia e Europa, principais destinos da celulose brasileira.

Com a saída de Jaime Verruck, o governo de Mato Grosso do Sul definirá um substituto para comandar a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação durante o período eleitoral. A expectativa é de que a nova gestão mantenha o cronograma de obras rodoviárias, o acompanhamento de investimentos industriais e as políticas de fomento à inovação que vêm sendo executadas desde o início da atual administração.

Enquanto se afasta da função pública, Verruck pretende intensificar articulações políticas visando consolidar a candidatura à Câmara Federal nas eleições de outubro. O calendário eleitoral estabelece que secretários e demais ocupantes de cargos comissionados que pretendam disputar o pleito devem deixar os postos até o início de abril.

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