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Jogo de realidade virtual criado por alunos do Senac MS será usado em escolas para prevenir a dengue

O Senac MS Hub Academy concluiu o desenvolvimento do Agente 360, jogo em realidade virtual destinado a reforçar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti em Mato Grosso do Sul. A ferramenta, apresentada recentemente em Campo Grande, foi criada por estudantes dos cursos de Assistência de Produção 3D, Técnico em Programação de Jogos Digitais e Técnico em Desenvolvimento de Sistemas da instituição, com aval do Ministério da Saúde.

Projetado para ser utilizado com óculos de realidade virtual, o Agente 360 coloca o usuário em cenários que simulam ambientes domésticos e comunitários onde focos de proliferação do mosquito costumam surgir. O objetivo é sensibilizar principalmente o público jovem, estimulando a identificação de depósitos de água parada e a adoção de práticas preventivas por meio de uma experiência imersiva e lúdica.

O game resulta de parceria firmada entre o Senac MS e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEMADESC). A cooperação prevê a distribuição da solução a escolas da rede estadual e a comunidades indígenas, estratégia que insere a inovação tecnológica no contexto da educação básica para enfrentar um problema de saúde pública recorrente no estado.

Durante a apresentação, a diretora regional do Senac, Jordana Duenha, destacou que o envolvimento dos estudantes em demandas concretas amplia o alcance pedagógico da formação técnica. Segundo ela, trabalhar em projetos voltados a necessidades reais da sociedade estimula a responsabilidade social e o aprendizado prático, elementos considerados centrais no modelo de ensino da instituição.

A fase de produção mobilizou dez alunos bolsistas, entre eles participantes do itinerário de computação gráfica da rede pública estadual. Sob orientação de professores e profissionais do hub, a equipe elaborou três mapas inspirados em situações do cotidiano, desenvolveu uma trilha sonora original e implementou a mecânica de jogo que desafia o usuário a localizar e eliminar potenciais criadouros do mosquito. Cada etapa foi concebida para aproximar o conteúdo educativo da vivência diária dos estudantes.

Do ponto de vista técnico, o projeto incorporou modelagem tridimensional, programação em motores gráficos e design de interface adaptado a dispositivos de realidade virtual. Os participantes também cuidaram da ambientação sonora, criando efeitos e música que acompanham a progressão das fases. O resultado, de acordo com os responsáveis, busca equilibrar fidelidade visual e acessibilidade para facilitar a compreensão de usuários com perfis variados.

A SEMADESC acompanhou o processo e forneceu subsídios sobre políticas de inovação e saúde. Para a coordenadora de Inovação da pasta, Aline Filiu, a iniciativa reforça a ideia de que tecnologia e engajamento social caminham juntos. Ela observa que, ao propor soluções ligadas a desafios comunitários, os estudantes desenvolvem competências criativas e ampliam a consciência cívica, contribuindo para a formação de futuros profissionais atentos às necessidades locais.

Além da experiência imersiva, o Agente 360 inclui um sistema de ranqueamento que estimula a competição saudável entre usuários. Os pontos são atribuídos conforme a identificação correta dos recipientes que podem acumular água, permitindo a comparação de desempenho individual e coletivo. A abordagem gamificada serve como incentivo para que os alunos retornem ao jogo, revisem os conteúdos e compartilhem boas práticas de prevenção em seus círculos sociais.

Com a versão final aprovada, o projeto entra agora na etapa de replicação. A programação prevê a instalação dos kits de realidade virtual em diversas unidades escolares e em aldeias de povos originários, ampliando o alcance geográfico da ação. Nesse ciclo, professores receberão instruções sobre uso pedagógico do recurso, e equipes de saúde locais poderão monitorar o engajamento dos participantes, integrando os resultados às campanhas regulares contra a dengue.

A expectativa do Senac MS Hub Academy e da SEMADESC é que a aplicação do Agente 360 contribua para reduzir a incidência de focos do mosquito ao longo dos próximos períodos chuvosos. Ao envolver estudantes no desenvolvimento e na disseminação da ferramenta, as instituições apostam que o conhecimento gerado em sala de aula se converta em práticas cotidianas de vigilância ambiental, reforçando o caráter preventivo das ações.

Encerrada a fase de testes e ajustes, o Agente 360 torna-se, assim, um exemplo de como projetos educacionais baseados em tecnologia podem dialogar diretamente com desafios de saúde pública, aliando inovação, formação profissional e engajamento comunitário em uma mesma iniciativa.

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