Search

Jovem de 19 anos baleado na cabeça em apartamento de Três Lagoas morre após cinco dias de internação

O jovem Kaique Oliveira da Silva, de 19 anos, morreu na noite de terça-feira, 27 de fevereiro, no Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas (MS). Ele estava internado havia cinco dias, desde que foi atingido por um disparo na cabeça dentro de um apartamento do Residencial Rubens Cunha, no Conjunto Habitacional Orestinho, na noite de 22 de fevereiro.

Segundo informações colhidas no local pela polícia, Kaique se encontrava no imóvel acompanhado de conhecidos. Em determinado momento, um dos amigos deixou o apartamento para comprar bebidas em um comércio nas proximidades. Poucos metros adiante, escutou um único estampido. Ao retornar, encontrou Kaique caído na cozinha, inconsciente e com um ferimento na região frontal da cabeça.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente. Quando a equipe chegou ao endereço, a vítima estava em parada cardiorrespiratória. Os socorristas realizaram manobras de reanimação, conseguiram restabelecer os sinais vitais e encaminharam o jovem ao Hospital Auxiliadora em estado considerado gravíssimo. Apesar dos cuidados intensivos, o quadro neurológico não apresentou melhora e evoluiu para óbito na noite de terça.

Na mesma noite do incidente, três pessoas foram conduzidas à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário para prestar esclarecimentos: o amigo que saiu para comprar as bebidas, uma mulher que permanecia no apartamento e uma terceira pessoa que chegou logo após o disparo. Os depoimentos iniciais apresentaram versões consideradas confusas pelos investigadores, especialmente no que se refere à dinâmica do momento exato em que o tiro foi disparado.

As circunstâncias do caso foram classificadas pelos agentes como atípicas. A perícia técnica não foi acionada na ocasião, o local não chegou a ser devidamente isolado e nenhuma arma de fogo foi encontrada pela equipe policial que atendeu a ocorrência. A ausência de vestígios materiais no apartamento e a falta de preservação do ambiente dificultam a reconstrução detalhada dos fatos.

Inicialmente, a hipótese de tentativa de autoextermínio foi considerada devido ao tipo de ferimento. Entretanto, a inexistência de arma, a inconsistência dos relatos e o posicionamento do corpo levaram a Polícia Civil a ampliar as linhas de investigação. O inquérito passou a tratar também de possível homicídio, entre outras possibilidades. Investigadores aguardam laudos do Instituto de Medicina e Odontologia Legal, exames balísticos e toxicológicos, além de perícia complementar que deverá analisar resquícios de pólvora em roupas e mãos dos presentes.

Com a morte confirmada, o inquérito deixa de tratar de lesão corporal e passa a apurar as circunstâncias do óbito. A Polícia Civil pretende ouvir novamente as três testemunhas, colher declarações de vizinhos, analisar eventuais imagens de câmeras de monitoramento do condomínio e requisitar registros de entrada e saída do prédio na noite de 22 de fevereiro. Os aparelhos celulares dos envolvidos também serão examinados mediante autorização judicial, em busca de conversas ou registros que ajudem a esclarecer a sequência de acontecimentos.

De acordo com a delegacia responsável, nenhuma linha de investigação está descartada. O objetivo é definir se o disparo decorreu de ato voluntário da vítima, de manuseio acidental de arma de fogo ou de ação deliberada de terceiros. A conclusão dependerá da convergência dos depoimentos com os resultados periciais e exames complementares. Até que o procedimento seja finalizado, o caso continua classificado como morte a esclarecer.

Isso vai fechar em 35 segundos