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Jovem transfere R$ 1,7 mil a golpista que se passou por gerente do banco em Paranaíba

Uma moradora de Paranaíba, no leste de Mato Grosso do Sul, relatou à Polícia Civil ter perdido R$ 1.771,10 depois de receber orientações falsas por meio do aplicativo WhatsApp. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Primeira Delegacia do município, o caso começou na tarde de 9 de outubro, quando a jovem de 20 anos foi contatada por alguém que se apresentou como gerente do Banco do Brasil.

Segundo a vítima, o interlocutor informou que havia sido identificada uma compra em seu nome na plataforma de comércio eletrônico Shopee. Para evitar supostos prejuízos, o contato orientou que ela realizasse uma transferência via Pix, procedimento que, conforme o golpista, serviria para cancelar a transação não reconhecida. A abordagem incluiu o envio de um código do tipo “copia e cola”, característico desse meio de pagamento instantâneo.

Confiando no conteúdo da mensagem e acreditando tratar-se de instrução oficial do banco, a jovem efetuou a primeira transferência no valor de R$ 1.200,00. Na sequência, recebeu outros três códigos Pix com a mesma justificativa de bloqueio da compra. Sem desconfiar de irregularidades, concluiu mais três pagamentos que totalizaram R$ 571,10. Todos os valores foram direcionados a uma conta que, conforme a ocorrência, está em nome de terceiro apontado como possível laranja.

Percepção da fraude e registro policial

Após efetuar a quarta transferência, a vítima passou a desconfiar da veracidade das mensagens. Ela tentou novo contato com o suposto gerente, mas não obteve retorno convincente. Ao constatar que poderia ter sido enganada, dirigiu-se na tarde de 10 de outubro à delegacia local para formalizar a denúncia de estelionato.

No ato do registro, a jovem entregou aos investigadores cópias dos comprovantes de todas as transferências realizadas, bem como capturas de tela das conversas mantidas com o suspeito. Esses materiais foram anexados ao inquérito que apurará a autoria do crime. Até o momento, conforme informou a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, nenhum responsável foi identificado.

Forma de atuação do golpista

O relato aponta que o estelionatário utilizou elementos comuns em golpes praticados por aplicativos de mensagens. Entre as estratégias verificadas estão a utilização de identidade funcional — no caso, a de gerente bancário —, a alegação de compra indevida para gerar sensação de urgência e a solicitação de transferências via Pix mediante códigos “copia e cola”. Esse formato dispensa a digitação manual de agência, conta ou chave, reduzindo o tempo de verificação para quem recebe a mensagem.

Ainda conforme o boletim, os quatro pagamentos foram concluídos em sequência, sem intervalo suficiente para a vítima conferir a autenticidade da demanda junto à agência bancária. O valor total perdido, R$ 1.771,10, corresponde à soma das transações orientadas pelo golpista.

Providências policiais

Após abertura do inquérito, as autoridades iniciaram a coleta de informações bancárias para rastrear a titularidade da conta beneficiária. A investigação busca identificar quem efetivamente recebeu os recursos e verificar se outras pessoas podem ter sido lesadas pelo mesmo método. A Polícia Civil destacou que solicitará, quando necessário, cooperação do Banco do Brasil e da instituição financeira que mantém a conta de destino, além de oficiar a plataforma Shopee para confirmar se houve tentativa real de compra em nome da vítima.

Durante a fase preliminar, os investigadores também analisarão os dados de registro do número de telefone utilizado no primeiro contato. O objetivo é apurar se o aparelho está associado a outras ocorrências semelhantes no estado ou em unidades da federação vizinhas. Até o encerramento desta reportagem, não havia informações sobre bloqueio ou recuperação dos valores transferidos.

Contexto local

Paranaíba, município com aproximadamente 42 mil habitantes segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já registrou episódios anteriores de golpes envolvendo aplicativos de mensagens. A Polícia Civil tem orientado a população a confirmar qualquer solicitação financeira diretamente com a instituição citada, principalmente quando o pedido inclui transferências imediatas ou compartilhamento de dados bancários.

No caso em análise, a vítima foi instruída a manter todos os documentos comprobatórios em posse das autoridades até eventual conclusão do processo. A Delegacia ressaltou que denúncias semelhantes podem ser feitas pessoalmente ou por meio eletrônico, reforçando a importância de comunicar prontamente qualquer suspeita de estelionato.

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