O leilão que definirá a concessão do Aeroporto Internacional de Brasília e incluirá o Aeroporto Plínio Alarcon, de Três Lagoas, está marcado para 17 de dezembro de 2026. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou o edital e o termo aditivo que regulam a repactuação da concessão, que abrange dez aeroportos regionais.
Entre os terminais incluídos está o de Três Lagoas, que passa a fazer parte de um bloco de concessão que prevê investimentos e obrigações de operação. O procedimento prevê a alienação de 100% das ações da Inframerica, concessionária responsável pelo aeroporto da capital federal, em continuidade à solução consensual acompanhada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O edital foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na terça-feira (8). A proposta busca estabelecer um novo equilíbrio econômico‑financeiro para a concessão, substituindo o modelo anterior por uma contribuição variável incidente sobre a receita bruta, com percentual mínimo de 5,13% definido no edital.
Além da alienação das ações, a operação prevê a saída da Infraero do quadro acionário da Inframerica. A estatal detém 49% das ações, enquanto a Corporación América possui 51%; a transferência ocorrerá no processo de repactuação, com pagamento proporcional à participação acionária.
Concessão e Investimentos
Para Três Lagoas, os estudos estimam R$ 117,2 milhões em investimentos, o maior valor entre os três aeroportos de Mato Grosso do Sul incluídos no pacote. Dourados receberá R$ 105,5 milhões e Bonito R$ 47,5 milhões. No conjunto dos dez aeroportos regionais, o investimento total chega a R$ 857,8 milhões, refletindo o potencial de atrair capital privado.
O bloco também abrange os aeroportos de Bonito e Dourados, em Mato Grosso do Sul; Juína, Cáceres e Tangará da Serra, em Mato Grosso; Alto Paraíso e São Miguel do Araguaia, em Goiás; Ponta Grossa, no Paraná; e Barreiras, na Bahia. A modelagem prevê que os terminais regionais sejam administrados em conjunto com o Aeroporto de Brasília, permitindo o subsídio cruzado entre terminais de maior e menor movimentação.
O novo contrato estabelece investimentos obrigatórios no Aeroporto de Brasília, incluindo a construção de um novo píer internacional, readequações no terminal de passageiros, novas posições de pátio e taxiways, além de intervenções nas pistas e modernização dos equipamentos de segurança operacional. Essas obras visam atender à demanda crescente e garantir a eficiência operacional.
Impacto Regional
Para Três Lagoas, a inclusão no bloco representa uma mudança na estratégia de gestão e investimentos do terminal, considerado vital para o desenvolvimento regional. A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN‑3) da Petrobras e os empreendimentos na cidade e municípios vizinhos reforçam a importância de um aeroporto funcional para a economia local.
O Aeroporto Plínio Alarcon está sem voos comerciais desde março de 2025, após a saída da Azul Linhas Aéreas. Antes disso, o município já contou com duas companhias aéreas operando voos comerciais, Passaredo e Azul. A retomada de serviços dependerá das condições de infraestrutura avaliadas na fase de diagnóstico inicial.
Antes da execução das obras, cada aeroporto passará por uma fase de diagnóstico inicial. A futura concessionária deverá realizar levantamentos sobre as condições de infraestrutura e operação dos terminais para definir as intervenções necessárias. O leilão de dezembro será a etapa concorrencial que definirá a proposta econômica vencedora, as condições de transferência do controle da concessionária e a assinatura do novo termo de repactuação, impactando diretamente a população e o setor aéreo regional.








