A infraestrutura de energia e logística que sustenta o Projeto Sucuriú, iniciativa que abrange a construção da maior fábrica de celulose em linha única do mundo, ganhou novos avanços com a abertura da licitação para um gasoduto de 125 quilômetros entre Três Lagoas e Inocência e com o lançamento, em fevereiro, das obras de um ramal ferroviário dedicado ao escoamento da produção da futura unidade industrial da Arauco.
Gasoduto de 125 km será licitado em fevereiro
A Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGás) publicou no Diário Oficial do Estado o aviso de licitação para contratação da empresa que executará a construção e montagem da tubulação em aço carbono, de oito polegadas de diâmetro nominal, que ligará a estação de compressão de Três Lagoas à planta da Arauco, em Inocência, na Região Leste do Estado. O certame adota o critério de menor preço global, com propostas a serem enviadas até as 9h30 de 12 de fevereiro por meio da plataforma licitacoes-e.com.br. O valor estimado para a obra permanece sob sigilo.
Conforme a presidente da MSGás, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, o procedimento licitatório será concluído na primeira quinzena de fevereiro. A assinatura do contrato está prevista para março e a mobilização do canteiro deverá começar em abril. O cronograma aponta início efetivo das frentes de trabalho no primeiro semestre de 2026 e conclusão no decorrer de 2027, respeitando prazo aproximado de 16 meses.
O investimento estimado em R$ 160 milhões garantirá o fornecimento regular de gás natural à nova fábrica, atendendo tanto os processos industriais quanto o uso veicular em uma região de forte circulação de caminhões ligados aos segmentos de celulose, madeira e mineração. O contrato de suprimento entre MSGás e Arauco terá vigência de 20 anos, a partir do início de operação da planta, marcado para 2027.
Durante a fase de construção, a expectativa é de geração direta de 400 a 500 empregos, além de oportunidades indiretas em serviços de apoio, transporte e cadeia de suprimentos.
Ramal ferroviário dedicado inicia obras em 5 de fevereiro
Em paralelo ao gasoduto, a Arauco avança na área logística com a implantação de um ramal ferroviário exclusivo, cuja pedra fundamental será lançada em 5 de fevereiro, em Inocência. A nova ferrovia configura a primeira shortline autorizada após o Novo Marco Regulatório do setor e estabelecerá ligação direta com a Malha Norte, operada pela concessionária Rumo.
O trecho permitirá que 100% da produção da unidade siga por trem até o Porto de Santos, no litoral paulista, de onde será embarcada para mercados internacionais. O investimento previsto para a construção da shortline é de aproximadamente US$ 4,6 bilhões. A conclusão do empreendimento está programada para o segundo semestre de 2027, coincidindo com a entrada em operação da fábrica. A capacidade de transporte estimada é de até 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
Projeto Sucuriú consolida novo polo industrial
Esses dois empreendimentos — o gasoduto conduzido pela MSGás e o ramal ferroviário custeado pela Arauco — integram o conjunto de obras de infraestrutura considerado essencial para viabilizar o Projeto Sucuriú. O plano global prevê investimento superior a R$ 25 bilhões na instalação da maior planta de celulose em linha única do planeta, projetada para entrar em operação comercial em 2027.
Durante o pico da fase de construção, estimam-se mais de 14 mil postos de trabalho, número que inclui atividades diretas na montagem, terceirizações e serviços de apoio. Na etapa operacional, a projeção é de cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos, consolidando Inocência como novo polo industrial e logístico de Mato Grosso do Sul.
A conjunção de novos investimentos em energia e logística busca garantir competitividade ao setor de base florestal, ampliar a participação do Estado no mercado global de celulose e estimular o desenvolvimento econômico regional. Com abastecimento de gás assegurado por duas décadas e corredor ferroviário dedicado para exportação, o empreendimento pretende estabelecer bases estruturais para uma cadeia produtiva de elevado valor agregado, ancorada em recursos naturais abundantes e em localização estratégica no Centro-Oeste brasileiro.
Quando finalizado, o complexo industrial deverá reforçar a arrecadação estadual, diversificar a matriz econômica local e atrair novas empresas de suporte, desde fornecedores de insumos e manutenção até serviços de logística integrada, intensificando o dinamismo econômico de Três Lagoas, Inocência e municípios vizinhos.









