Campo Grande (MS) – Silêncios acumulados, conflitos evitados e decisões adiadas podem comprometer a sobrevivência de uma organização tanto quanto erros estratégicos de mercado. A avaliação é do estrategista empresarial Arthur Maximiliano, que utiliza esses elementos como ponto central do livro “Sussurros Empresariais”. A obra, lançada recentemente, foi tema de entrevista ao Podcast RCN67, na qual o autor abordou liderança, cultura organizacional e a relevância da comunicação interna.
Em tom direto, Maximiliano defendeu que muitos fracassos corporativos estão enraizados em questões comportamentais internas ainda pouco discutidas. “O verdadeiro problema muitas vezes está no que não é dito”, afirmou durante a conversa, apontando reuniões silenciosas, conflitos não enfrentados e omissões diárias como gatilhos que, mais adiante, afetam o desempenho financeiro.
A publicação apresenta oito contos ficcionais, cada um dedicado a um sintoma organizacional específico. Entre os temas retratados estão nepotismo, demissões mal conduzidas, redes de rumores, roubo, preconceito, assédio e lavagem de dinheiro. O autor adota a ficção como estratégia para tornar a leitura acessível a empresários, líderes e profissionais de diversas áreas, que podem identificar no enredo situações presentes em seus próprios ambientes de trabalho.
O fio condutor das narrativas é o personagem Maxwell Albuquerque, descrito como figura capaz de representar qualquer colaborador ou gestor. Maxwell vivencia dilemas, contribui para solucioná-los e, em alguns casos, também falha. Segundo o escritor, a escolha dessa construção reforça a ideia de que os desafios relatados não se restringem a uma única função hierárquica, mas afetam toda a cadeia corporativa.
Maximiliano contou que a inspiração para o livro surgiu após anos observando bastidores do meio empresarial. Ele passou a listar comportamentos comuns, porém raramente nomeados, que influenciam o clima organizacional. O resultado foi a classificação desses comportamentos como “sintomas”, comparáveis a sinais clínicos que antecedem quadros críticos na gestão.
Um exemplo abordado na obra é o impacto das “redes de rumores”, conceito criado pelo autor para dar nome ao fluxo de fofocas que circula informalmente entre funcionários. Na avaliação dele, o boato cresce como “bola de neve” e pode culminar em desgaste reputacional ou ruptura de confiança, elementos que dificultam a execução de planos estratégicos.
Outro capítulo se dedica à omissão. Para o escritor, deixar de agir diante de comportamentos inadequados constitui escolha gerencial de alto risco. Ele sustenta que a falta de posicionamento transforma pequenos ruídos em crises extensas, que acabam alcançando indicadores de produtividade, engajamento e, por consequência, resultados financeiros.
Ao longo da entrevista, o estrategista sintetizou a premissa de que “não existe CNPJ forte com CPF fraco”, reforçando a ideia de que as empresas são compostas por pessoas e que fraquezas individuais, quando ignoradas, tendem a comprometer o coletivo. Nesse sentido, “Sussurros Empresariais” não apresenta fórmulas prontas de gestão, mas estimula líderes a reconhecerem problemas antes que ganhem proporções incontroláveis.
A escolha pelo gênero fictício contrasta com manuais técnicos tradicionais e, segundo o autor, facilita o acesso de leitores que costumam evitar literatura especializada. “Livros de gestão são muito técnicos e acabam afastando o leitor. Eu quis fazer algo que empresários e líderes tivessem prazer em ler”, explicou ao podcast.
Embora adote linguagem literária, a obra mantém ancoragem em casos reais observados pelo estrategista ao longo de sua atuação como consultor. Cada conto apresenta cenário, dilema e consequências, permitindo que o leitor reflita sobre os efeitos da cultura organizacional tanto nos resultados operacionais quanto na reputação do negócio. Ao final de cada história, o desfecho sugere caminhos, mas preserva o princípio de que não há receita única para lidar com questões humanas.
Durante a conversa, Maximiliano defendeu ainda que a comunicação interna deve ser prioridade e não atividade periférica. Ele argumentou que líderes que baseiam decisões no “achismo” aumentam o risco de desalinhamento entre equipes. A proposta central do livro, portanto, é incentivar a adoção de práticas transparentes que contenham divergências antes que se transformem em crises.
“Sussurros Empresariais” está disponível em livrarias físicas e plataformas digitais. Destinado a gestores e profissionais interessados em compreender a dimensão humana dos negócios, o título oferece um retrato de bastidores que, segundo o autor, costuma permanecer fora das discussões formais, mas influencia diretamente o futuro das organizações.









