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Lula e Flávio empatados no 2º turno; STF e debate podem definir eleição

Primeiro turno da eleição presidencial ocorre em 4 de outubro; eventual segundo turno está marcado para o dia 25.

A eleição presidencial de 2026 chega à reta final sem um favorito claro para o segundo turno. Com seis dias para o primeiro turno, as pesquisas indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as simulações de primeiro turno, mas registra empate técnico no confronto direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Esse cenário de equilíbrio faz com que fatores que teriam peso menor em uma disputa mais folgada ganhem destaque agora. A rejeição elevada de ambos os candidatos, a migração de votos de outros nomes, a avaliação do governo, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o último debate televisivo e a proibição das apostas online podem inclinar o resultado para um lado ou para o outro.

Retrato das pesquisas

No Datafolha divulgado em 24 de setembro, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro tem 36%. Ao longo do mês de setembro, a diferença entre os dois oscilou entre três e cinco pontos na série histórica do instituto.

Para o segundo turno, Datafolha e Quaest apontam empate técnico. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, o placar foi de 47,7% para Lula e 47,4% para Flávio. A RealTime Big Data registrou o senador numericamente à frente, com 45% contra 44% do presidente. O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 22 e 23 de setembro, em 125 municípios, com margem de erro de dois pontos e registro BR-00304/2026 no TSE.

A rejeição é um dos principais entraves para a expansão do eleitorado de ambos. Segundo o mesmo Datafolha, 45% dos eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula. O índice de rejeição de Flávio é idêntico. Com esses números, os dois candidatos têm pouco espaço para crescer, e a decisão do segundo turno tende a depender de quem hoje escolhe outro nome ou ainda não definiu o voto.

Uma análise do Datafolha que agrupou os eleitores de Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) mostra que Flávio tem 43% nesse grupo no segundo turno. Lula tem 30%, e 26% optam por branco, nulo ou nenhum dos dois. A Quaest, realizada entre 3 e 6 de setembro, detalha que a maior migração para Flávio vem dos apoiadores de Zema (59%) e de Renan Santos (58%).

Entre os eleitores de Caiado, o placar é de 36% para Flávio e 25% para Lula. Entre os de Cury, a divisão é de 46% para o senador e 24% para o presidente. Embora a vantagem favoreça Flávio, ela tem limites, pois esses candidatos reúnem uma parcela menor do eleitorado e a fatia que anula o voto reduz o ganho líquido, mantendo o saldo dentro da margem de erro.

Impacto da crise no STF

A avaliação da gestão federal também pesa contra o presidente. Segundo a Quaest divulgada em 14 de setembro, 43% aprovam o governo e 50% desaprovam. Em agosto, a aprovação era de 46%. Na mesma pesquisa, 38% avaliam a gestão como negativa, 32% como positiva e 27% como regular. O instituto ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro, com margem de erro de dois pontos.

O conflito interno no Supremo Tribunal Federal virou tema central da campanha. O caso envolve as investigações sobre o Banco Master e mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça pediu a investigação do ministro Alexandre de Moraes por possível envolvimento com Vorcaro. Moraes reagiu e pediu que Mendonça fosse investigado por suposto abuso de autoridade.

O presidente do STF, Edson Fachin, levou o caso ao plenário, que se reuniu em sessão extraordinária em 15 de setembro. A crise afetou a imagem da Corte. Segundo a Quaest de 10 a 13 de setembro, a desconfiança no STF chegou a 56%, alta de dez pontos em um mês. Para 37% dos eleitores, a atuação de Mendonça no caso está correta; a de Moraes é aprovada por 16%.

A queda de confiança atingiu diferentes perfis de eleitores. Entre os independentes, a desconfiança passou de 50% para 65%. Entre os lulistas, subiu de 27% para 30%. Os candidatos reagiram de formas opostas. Flávio defendeu o afastamento de Moraes e passou a associar Lula ao ministro. Caiado também pediu o afastamento. Lula, segundo relatos da imprensa, buscou se distanciar de Moraes e se aproximar de Fachin.

O Planalto teme que um desfecho favorável a Moraes seja explorado pela oposição. Líderes petistas admitem desgaste na campanha, mas avaliam que ainda há espaço para reverter o cenário. O tema do STF tem outro lado na disputa: Jair Bolsonaro, pai de Flávio, está preso e inelegível após condenação pelo Supremo a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. O efeito dessa crise sobre o voto ainda não foi medido diretamente pelas pesquisas.

O último debate do primeiro turno, marcado para quinta-feira (1) na TV Globo, pode ser o único encontro com os dois líderes até agora. Lula e Flávio não participaram de nenhum debate nesta campanha. Os dois faltaram ao debate da Band em agosto e, segundo o Poder360, as ausências levaram a Record a cancelar o encontro previsto para domingo (27). Flávio mudou de posição no domingo e confirmou em ato em Goiânia que vai ao debate da Globo mesmo sem Lula, afirmando: “Vamos no debate da Globo, estou confirmando aqui. Ele que lute”.

A campanha de Lula ainda não confirmou presença. Segundo o Poder360, o presidente indicou que não pretende participar. Flávio afirmou que pretende confrontar o petista sobre a crise no STF. A escolha tem riscos para os dois lados. Se Lula faltar, Flávio terá o palco sem o principal adversário, mas dividirá o espaço com Caiado e Cury. Se Lula for, será o principal alvo das críticas como candidato à reeleição.

A proibição das apostas online, assinada na sexta-feira (25), é outro fator novo. A medida provisória tem apoio amplo, com 75% dos brasileiros concordando, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de 17 a 22 de setembro. No entanto, a proibição atinge o futebol, pois 14 dos 20 clubes da Série A têm uma casa de apostas como patrocinadora principal, segundo o jornal O Globo. Flamengo, Corinthians e outros grandes clubes criticaram a decisão. O impacto sobre os apostadores, que perdem uma atividade legal, deve aparecer nas próximas rodadas de pesquisa.

O histórico das pesquisas também exige cautela. Em 2022, os institutos acertaram a votação de Lula no primeiro turno, mas subestimaram a de Jair Bolsonaro, que teve 43,2% dos votos válidos, sete pontos acima do último Datafolha, segundo a Agência Lupa. Esse erro não garante repetição, mas indica que diferenças de poucos pontos devem ser lidas com atenção. O primeiro turno ocorre em 4 de outubro. Se nenhum candidato obtiver maioria, Lula e Flávio disputam o segundo turno em 25 de outubro. As pesquisas desta semana mostrarão se a crise no STF, o debate e a proibição das bets alteram o quadro atual de empate técnico.