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Março Lilás: Campo Grande reforça oferta de exame gratuito para detectar câncer de colo do útero

A campanha Março Lilás, dedicada à saúde feminina, intensifica em Campo Grande as ações de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de colo do útero. Durante todo o mês, a Secretaria Municipal de Saúde destaca a disponibilidade do exame citopatológico, mais conhecido como Papanicolau, oferecido gratuitamente nas 74 Unidades de Saúde da Família (USFs) da capital sul-mato-grossense.

O teste, indicado pelo Ministério da Saúde para mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual, identifica alterações celulares antes que evoluam para neoplasias. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), quando a doença é detectada nessa fase inicial, as chances de cura se aproximam de 100%. A coleta leva poucos minutos, é realizada por profissionais capacitados e não requer preparo complexo, fatores que, segundo a pasta municipal, reforçam a viabilidade da medida preventiva.

Mesmo com a simplicidade do procedimento, barreiras como medo, desconhecimento ou adiamento do cuidado ainda afastam parte da população feminina dos consultórios. A recomendação oficial é que o Papanicolau seja feito regularmente, em especial por mulheres que nunca realizaram o exame ou estão há mais de três anos sem o preventivo. A periodicidade permite identificar lesões precursoras, que podem levar anos para progredir até o estágio de câncer invasivo, oferecendo tempo hábil para intervenções eficazes.

Rede municipal garante acesso ao exame

As 74 USFs de Campo Grande disponibilizam o teste durante todo o ano, sem custo, bastando apresentar um documento de identificação com foto e o Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). Há duas formas de atendimento: comparecimento direto à unidade de referência ou agendamento digital, recurso que, segundo a Secretaria de Saúde, agiliza o fluxo de pacientes e reduz ausências em consultório. O serviço online atende especialmente quem tem rotina de trabalho rígida ou dificuldades de deslocamento, ampliando o alcance da estratégia preventiva.

A técnica da Rede de Saúde, Alecsandra Fernandes da Silva, destaca que o câncer de colo do útero evolui lentamente e, na maior parte das vezes, não apresenta sintomas nas fases iniciais. Nesses casos, o Papanicolau representa a única oportunidade de detecção precoce. Quando os sinais clínicos aparecem — como sangramento, dor pélvica ou corrimento persistente — a doença costuma estar em estágio avançado, quando o tratamento se torna mais complexo e as taxas de sobrevida diminuem substancialmente.

Importância do diagnóstico precoce

No Brasil, o câncer de colo do útero figura entre os tipos mais frequentes na população feminina, atrás apenas dos de mama e colorretal em diversas regiões. A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) é o principal fator etiológico, e a maioria das lesões provocadas pelo vírus regredirá espontaneamente. Entretanto, uma parcela pode sofrer mutações progressivas que, sem acompanhamento, culminam em tumores malignos. O diagnóstico precoce, portanto, rompe esse ciclo ao detectar alterações celulares ainda reversíveis.

Durante o Março Lilás, as unidades de saúde de Campo Grande intensificam a oferta de horários, reforçam a distribuição de material informativo e realizam campanhas educativas voltadas para esclarecimentos sobre fatores de risco, sinais de alerta e importância da vacinação contra HPV para meninas e meninos. A mobilização visa “quebrar o silêncio” que, historicamente, envolve doenças ginecológicas e incentivar o cuidado regular, afastando tabus associados ao exame.

Como é feito o Papanicolau

O procedimento é simples: a paciente deita em posição ginecológica, enquanto o profissional insere um espéculo para visualizar o colo uterino. Com uma escova ou espátula, colhe-se amostra de células da superfície e do canal endocervical. O material segue para análise laboratorial, cujo laudo classifica as amostras como normais, inflamatórias ou com atipias em diferentes graus. Dependendo do resultado, a mulher pode ser orientada a repetir o exame em prazo reduzido, realizar testes complementares ou iniciar tratamento específico.

Para assegurar confiabilidade, as pacientes devem evitar relações sexuais, uso de duchas ou medicamentos vaginais nas 48 horas que antecedem a coleta e não estar menstruadas no dia do exame. Essas orientações são repassadas durante o agendamento ou no acolhimento na unidade de saúde.

Facilidade de acesso reforça prevenção

Com unidades distribuídas pelos bairros da capital, a Secretaria de Saúde aponta que nenhuma moradora precisa percorrer grandes distâncias para realizar o teste. A descentralização, somada à gratuidade, busca reduzir a incidência da doença na cidade. Dados locais de morbimortalidade não foram divulgados, mas a pasta municipal enfatiza que a adesão regular ao Papanicolau é determinante para manter baixos os índices de mortalidade por câncer de colo do útero.

Para mais informações sobre horários de atendimento ou sobre o processo de agendamento on-line, as interessadas devem entrar em contato diretamente com a USF de referência ou consultar os canais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande. A orientação vale também para mulheres que necessitam de coleta em domicílio por motivos de mobilidade reduzida, demanda avaliada caso a caso pela equipe de enfermagem.

Ao apostar na mobilização do Março Lilás, a administração municipal procura consolidar a cultura do autocuidado e do acompanhamento preventivo, reforçando que o exame citopatológico, embora simples, é essencial para reduzir o impacto do câncer de colo do útero na saúde pública e na vida das mulheres campo-grandenses.

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