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Mato Grosso do Sul atinge 20 mortes por dengue em 2025, informa Secretaria de Saúde

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul confirmou, no boletim da 50ª semana epidemiológica, que o número de óbitos por dengue em 2025 chegou a 20. O levantamento também aponta 8.430 casos confirmados da doença desde janeiro e 14.171 ocorrências classificadas como prováveis em todo o estado.

Os dois óbitos mais recentes a entrarem nas estatísticas ocorreram há mais de seis meses, mas passaram por investigação laboratorial antes de serem validados. As vítimas eram homens: um residente em Iguatemi, de 64 anos, que morreu em 28 de maio e apresentava hipertensão arterial; e outro morador de Antônio João, de 76 anos, que possuía hipertensão, doença renal crônica e hepatopatias.

Distribuição das mortes

As 20 fatalidades confirmadas estão espalhadas por 16 municípios. Os registros ocorreram em Inocência, Três Lagoas, Nova Andradina, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã, Coxim, Iguatemi, Paranhos, Itaquiraí, Água Clara, Miranda, Aparecida do Taboado, Ribas do Rio Pardo, Campo Grande e Antônio João. Entre as vítimas, nove tinham algum tipo de comorbidade previamente diagnosticada.

Mais da metade dos óbitos corresponde a pessoas idosas: 11 pacientes tinham entre 63 e 88 anos. Outros oito apresentavam idades entre 24 e 58 anos, e um caso envolveu uma criança de 12 anos. Além das mortes confirmadas, nove ainda estão sob análise para definição da causa.

Cenário epidemiológico

Com 14.171 casos prováveis identificados, a circulação do vírus transmitido pelo Aedes aegypti mantém-se ativa em todas as regiões do estado. Do total de ocorrências, 8.430 já foram comprovadas por exames laboratoriais ou critérios clínicos específicos. A alta incidência preocupa as autoridades de saúde, especialmente diante da possibilidade de sobrecarga nos serviços hospitalares em municípios menores.

Ao todo, 54 cidades sul-mato-grossenses estão classificadas em situação de alerta para dengue, indicativo utilizado quando a incidência ultrapassa 300 casos por 100 mil habitantes. Jateí, município com cerca de 3,5 mil moradores localizado a 70 quilômetros de Dourados, lidera o ranking estadual, com 264 notificações consideradas prováveis.

Outras 16 localidades apresentam incidência média, entre 100 e 300 casos por 100 mil habitantes, ao passo que oito municípios se mantêm em patamar baixo, abaixo de 100 registros para o mesmo recorte populacional. Dourados, segunda maior cidade do estado, figura nesse grupo com 216 notificações.

Perfil das vítimas e fatores de risco

Segundo a secretaria, a presença de comorbidades contribuiu para a evolução desfavorável em quase metade dos casos fatais. Hipertensão arterial, doenças renais crônicas, hepatopatias e outras condições cardiovasculares foram as enfermidades mais comuns entre as vítimas. A faixa etária avançada também demonstrou ser fator de risco importante, reforçando a necessidade de vigilância redobrada em idosos.

A análise oficial indica ainda que a demora na procura por atendimento médico influencia negativamente o prognóstico. Em vários casos, os pacientes só chegaram às unidades de saúde quando apresentavam sinais de agravamento, como hemorragias, queda brusca de pressão e comprometimento de órgãos.

Medidas de prevenção

A Secretaria de Estado de Saúde recomenda ações integradas entre prefeituras, agentes comunitários e população para reduzir criadouros do mosquito, principal estratégia de contenção do avanço da doença. As orientações incluem eliminação de recipientes que possam acumular água, limpeza regular de calhas, caixas-d’água e quintais, além de uso de repelentes e telas de proteção.

Profissionais de saúde continuam sendo orientados a notificar imediatamente casos suspeitos e a adotar manejo clínico padronizado, destacando a hidratação e o monitoramento constante de sinais de alarme. A pasta também reforça que a automedicação pode mascarar sintomas e retardar o diagnóstico, o que compromete a eficácia do tratamento.

Enquanto aguarda o resultado das investigações pendentes sobre as nove mortes suspeitas, o governo estadual alerta que o período chuvoso favorece a proliferação do Aedes aegypti. Com isso, a tendência é de aumento nas notificações nas próximas semanas, exigindo mobilização contínua para evitar novas fatalidades.