Mato Grosso do Sul passará a coordenar, pelos próximos dois anos, o Consórcio Brasil Verde (CBV), grupo que reúne 15 unidades da federação para articular políticas de enfrentamento às mudanças climáticas, transição energética e captação de recursos internacionais. A eleição ocorreu em reunião virtual realizada na quarta-feira, 18, quando os governadores integrantes aprovaram por unanimidade o nome de Eduardo Riedel (PP) para a presidência. A posse está marcada para 3 de abril.
Com a nova função, o estado consolida posição de liderança na pauta ambiental nacional. O CBV foi criado em 2019 para integrar esforços entre os governos subnacionais, aproximando-os de mercados estratégicos – como União Europeia, Estados Unidos e países sul-americanos – e promovendo capacitação técnica voltada à elaboração de projetos de redução de emissões e adaptação climática. Entre os objetivos principais está a possibilidade de acessar financiamentos externos que viabilizem ações alinhadas ao Acordo de Paris.
Estrutura do consórcio
O colegiado é composto por Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e, agora na presidência, Mato Grosso do Sul. Cada membro participa de grupos de trabalho temáticos sobre biomas, energia, finanças verdes e governança. Até a eleição de Riedel, o estado sul-matogrossense já coordenava o eixo dedicado ao Pantanal, o que lhe proporcionou experiência na articulação técnica dentro da entidade.
Segundo informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o principal ganho imediato da presidência será a oportunidade de fortalecer projetos regionais, como o Fundo Clima Pantanal, direcionado à conservação do bioma e à mitigação de eventos extremos, como queimadas e inundações. O comando do CBV permitirá posicionar essas iniciativas no centro das discussões nacionais e internacionais, abrindo espaço para captação de novos recursos.
Relevância ambiental de Mato Grosso do Sul
O território sul-matogrossense reúne parte significativa de três biomas: Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Essa diversidade biológica impõe desafios específicos de conservação, mas também oferece potencial para ações de economia verde, pesquisas científicas e programas de pagamento por serviços ambientais. A experiência acumulada em conciliar agropecuária, turismo e manutenção de áreas protegidas foi um dos fatores que contribuíram para a escolha do estado para a liderança do consórcio.
Nos últimos anos, o governo estadual estruturou políticas de incentivos à recuperação de pastagens degradadas, implantação de energias renováveis e monitoramento de vegetação nativa por sensoriamento remoto. Projetos pilotos resultantes dessas políticas já vinham sendo compartilhados no âmbito do CBV, bem como em fóruns de cooperação com agências internacionais.
Interlocução com mercados externos
Um dos papéis centrais do Consórcio Brasil Verde é alinhar projetos estaduais às exigências de investidores estrangeiros e mercados regulados de carbono. Ao presidir o colegiado, Mato Grosso do Sul passa a liderar as negociações conjuntas que envolvem definição de metodologias de medição de emissões, padronização de relatórios de transparência e certificação de créditos de carbono.
Além disso, o consórcio atua para viabilizar linhas de financiamento com bancos de desenvolvimento e fundos climáticos globais, proporcionando melhores condições de crédito e reduzindo custos de transação para governadores e secretarias. A gestão de Riedel deverá conduzir a formulação de uma carteira de projetos integrada, que apresente escala capaz de atrair grandes aportes e resultar em impacto mensurável na redução de gases de efeito estufa.
Acúmulo de funções interestaduais
Esta é a segunda liderança de alcance regional ocupada por Eduardo Riedel em 2024. Em janeiro, ele assumiu a presidência do Consórcio Interestadual Brasil Central, formado por sete estados que cooperam em políticas públicas nas áreas de infraestrutura, inovação, educação e meio ambiente. A combinação dos dois cargos amplia a influência política de Mato Grosso do Sul, criando sinergias entre projetos de desenvolvimento sustentável e agendas de competitividade econômica.
Especialistas do governo estadual avaliam que a presença simultânea nas duas estruturas facilitará a troca de informações técnicas, a harmonização de legislações climáticas e a promoção de mecanismos de mercado, como leilões conjuntos de energia renovável ou programas de segurança hídrica. A intenção é utilizar a posição no CBV para impulsionar ações integradas que beneficiem toda a região Centro-Oeste e gerem efeitos positivos para os demais consórcios interessados em economia verde.
Próximos passos
A agenda inicial da nova gestão inclui a revisão do plano estratégico do Consórcio Brasil Verde, a criação de indicadores comuns de desempenho ambiental e a definição de prioridades para o biênio 2024-2026. Entre os temas já mapeados estão restauração de áreas críticas, expansão de matrizes limpas de energia, modernização de sistemas de transporte de baixo carbono e fortalecimento de mecanismos de pagamento por resultados.
A posse oficial em 3 de abril deverá contar com representantes dos 15 governos estaduais, além de observadores de organismos multilaterais. A partir dessa data, Mato Grosso do Sul assumirá formalmente a condução das negociações externas e a coordenação dos grupos técnicos que preparam projetos para submissão a fundos internacionais.
Com a presidência do Consórcio Brasil Verde, o estado consolida um posicionamento estratégico na diplomacia ambiental subnacional brasileira, reforçando a convergência entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade climática.








