Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com nova redução no percentual de partos em mães adolescentes e consolidou uma trajetória de queda iniciada há mais de uma década. Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) indicam que a proporção de nascimentos em mães entre 10 e 19 anos no Estado passou de 14,92% em 2022 para 12,65% em 2025. No mesmo intervalo, o Brasil registrou aumento de 3,87% nesse indicador, evidenciando a diferença entre a tendência estadual e o cenário nacional.
O levantamento também demonstra recuo expressivo no número absoluto de nascidos vivos em faixas etárias específicas. Entre as jovens de 15 a 19 anos, os registros caíram de 8.315 em 2015 para 2.861 em 2025. Já entre menores de 15 anos, o total diminuiu de 514 para 171 no mesmo período. As duas curvas confirmam uma sequência de resultados positivos que, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), ainda exige monitoramento constante para evitar retrocessos.
Oferta de métodos de longa duração impulsiona resultados
Autoridades estaduais atribuem a evolução sobretudo à ampliação do acesso aos contraceptivos reversíveis de longa duração, conhecidos como LARCs. O investimento teve início em 2009 e foi reforçado nos últimos anos, permitindo que unidades da rede pública oferecessem gratuitamente dispositivos intrauterinos (DIU) e implantes subdérmicos. A estratégia busca impedir gestações não planejadas entre adolescentes, ampliando a autonomia reprodutiva e reduzindo impactos sociais associados à maternidade precoce.
Em 2025, a SES intensificou a implantação desses métodos com uma série de oficinas presenciais em três municípios-polo. Profissionais de Nova Andradina, Campo Grande e Costa Rica receberam capacitação prática para inserção de DIU e implantes, seguindo protocolos atualizados. A qualificação teve foco na Atenção Primária, porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e principal ponto de contato das adolescentes com serviços de planejamento familiar.
A formação técnica incluiu tipificação de candidatas, manejo de intercorrências e acompanhamento pós-procedimento. Ao disseminar informações padronizadas e treinar equipes multidisciplinares, a pasta estadual busca garantir oferta regular de LARCs e, consequentemente, ampliar a cobertura. Nos cálculos da SES, cada profissional habilitado tem potencial para atender dezenas de usuárias por mês, fator considerado decisivo para a queda observada no indicador.
Ações educativas complementam assistência clínica
Paralelamente à distribuição de métodos contraceptivos, Mato Grosso do Sul reforçou iniciativas de conscientização. Nove oficinas territoriais do projeto “Educar para Transformar” ocorreram ao longo de 2025. Voltadas a gestores, professores, agentes comunitários e lideranças locais, as atividades abordaram temas como direitos sexuais, prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e construção de planos municipais de enfrentamento à gravidez precoce.
Outra frente foi a realização de uma webaula estadual sobre prevenção do HPV e da gravidez na adolescência. O evento reuniu representantes dos 79 municípios sul-mato-grossenses, difundindo orientações padronizadas de saúde sexual e reprodutiva. A modalidade virtual permitiu cobertura simultânea, reduzindo custos e garantindo a participação de profissionais de regiões remotas.
Segundo a SES, o conjunto de ações — acesso facilitado a LARCs, capacitação das equipes e disseminação de informações — forma um tripé que sustenta a redução contínua da gravidez entre adolescentes. A pasta afirma que manterá o investimento em 2026, priorizando municípios com maiores índices de vulnerabilidade social e menor cobertura contraceptiva.
Metas para o próximo período
Para os próximos anos, a estratégia estadual prevê expandir a oferta de métodos de longa duração a 100% das unidades básicas de saúde, fortalecer o acompanhamento pós-inserção e integrar bases de dados municipais ao Sinasc para monitoramento em tempo real. A SES também planeja novas rodas de formação, inclusive para equipes de enfermagem e farmácia, visando apoiar o aconselhamento contraceptivo desde o primeiro contato da usuária com o sistema.
A secretaria avalia que cada ponto percentual reduzido representa mais oportunidades de estudo e desenvolvimento para meninas que, de outra forma, assumiriam responsabilidades maternas precocemente. Embora o Estado tenha superado a média nacional no controle da gravidez na adolescência, o órgão ressalta que a prevenção continua sendo prioridade constante, já que fatores socioeconômicos podem influenciar o indicador.
Com base nos dados mais recentes, Mato Grosso do Sul pretende manter a curva descendente e estabelecer metas específicas por faixa etária. A análise detalhada da série histórica orientará a alocação de recursos, garantindo que áreas de maior incidência recebam suporte adicional. O objetivo é assegurar que a juventude sul-mato-grossense transite pela adolescência com saúde, dignidade e liberdade de escolha sobre o próprio projeto de vida.









